sábado, 7 de janeiro de 2012

Embora Seja Noite, poema de São João da Cruz

Bem eu sei a fonte que mana e corre
Embora seja noite.

Aquela eterna fonte está escondida
mas sei bem d’onde é suprida
embora seja noite.

Sua origem desconheço, pois não a tem
mas sei que toda origem dela vem,
embora seja noite.

Sei que não pode haver coisa tão bela
e que céus e terra bebem dela,
embora seja noite.

Sei bem que fundo nela não se acha,
e que ninguém pode atravessá-la,
embora seja noite.

Sua claridade não é nunca escurecida
e sei que sua luz toda já é vinda,
embora seja noite.

Sei ser tão caudalosas suas correntes
que regam céus, infernos e as gentes,
embora seja noite.

A corrente que nasce desta fonte
sei que é forte e onipotente,
embora seja noite.

E das duas a corrente que procede
sei que nenhuma delas a precede,
embora seja noite.

E esta eterna fonte está escondida
neste vivo Pão pra dar-nos vida,
embora seja noite.

Aqui ela está chamando as criaturas
e se fartam desta água, ainda que às escuras
porque é de noite.

Esta viva fonte que desejo
neste Pão de vida a vejo,
embora seja noite.


São João da Cruz (1542-1591)
o frade espanhol que dizia que somos aquilo que amamos


Fonte: http://espiritualidadeemissao.blogspot.com/

3 comentários:

  1. poesia maravilhosa de um homem que tinha inspiração divina, muito emocionante...

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  2. Muito profundo. Gosto imenso!
    Muita inspiração quem me dera

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  3. Adoro este poema de São João da Cruz. Lá o li e reli várias vezes. De momento estou a tentar decora lo.

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