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terça-feira, 14 de abril de 2026

Em tuas mãos, uma oração de Robert Kennedy

 


Em tuas mãos 


Em Tuas mãos, ó Deus, eu me abandono.
Vira e revira esta argila,

como o barro na mão do oleiro.


Dá-lhe forma e depois, se quiseres, esmigalha-a,

como se esmigalhou a vida de John, meu irmão.


Pede, ordena!

Que queres que eu faça?


Elogiado e humilhado, perseguido e incompreendido,
caluniado e consolado, sofredor e inútil para tudo,
não me resta senão dizer a exemplo de Tua mãe:
“Faça-se em mim segundo a Tua palavra”.


Dá-me o amor por excelência, o amor da Cruz;
não o da cruz heroica que poderia nutrir o amor-próprio,
mas o da cruz vulgar, que carrego com repugnância,
daquela que se encontra cada dia na contradição,
no esquecimento, no insucesso, nos falsos juízos,
na frieza, nas recusas e nos desprezos dos outros,
no mal-estar e nos defeitos do corpo,
nas trevas da mente, na aridez e no silêncio do coração.


Então, somente Tu saberás que te amo,
embora eu mesmo nada saiba.
Mas isto basta.


quinta-feira, 26 de março de 2026

Ascensão, poema de Marcos Barbosa

 


Ascensão

 

Por que fitais O céu, galileus!

O vosso Mestre acaba de ocultar-se

Para pordes enfim a mão no arado,

Começando as Searas no Evangelho...

 

Chegou vosso momento e a vossa hora.

Por que ficais olhando para o céu?

Sois pastores, buscai os vossos campos;

Lançai as vossas redes, pescadores!

 

Por que olhais para os céus, ó galileus?

Deixai ao sábio que herda o vosso nome

As minúcias dos astros e dos mundos.

 

Pois outro é vosso espaço e vosso tempo,

Outros o Norte, o Sul e os mil roteiros

Que vos sugere a Cruz, rosa-dos-ventos.

Marcos Barbosa


No livro Poemas do Amor Maior, de Jefferson Magno Costa


quinta-feira, 5 de março de 2026

O Trabalho de Jesus, poema de Tasso da Silveira

 




O Trabalho de Jesus


Tu, Senhor, atravessaste

trinta anos de vida oculta

na humilde oficina

de Nazaré.

E não quiseste fazer mais do que fizeram

fazem e farão,

todos os marceneiros humílimos

desde o começo do mundo.

Não inventaste um só instrumento novo.

Não imprimiste, no torno,

à madeira que trabalhavas,

uma só curva desusada.

Tu, o Criador de todas as formas

da prodigiosa máquina dos mundos,

de Beleza total,

Atravessaste, Senhor, trinta anos

de vida oculta,

como que trabalhando apenas

a tua simplíssima cruz.


Do livro Lendas do Céu e da Terra, de Malba Tahan


quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

PÃO DE TODOS, poema de Álvaro Machado

 


PÃO DE TODOS

 

Sagrado seja o pão de cada dia!

Sagrada seja a terra que o produz!

Bendito seja o sol, bendita a luz

Que o louro trigo aquece e alumia!

 

Já Cristo aos doze Apóstolos dizia,

Bem certo de que o fim seria a Cruz:

— "Tomai! Eis o meu corpo!" E, então, Jesus

Nas Suas santas mãos o Pão erguia!

 

Fecundas messes — graça e ornamento

Dos campos fartos, junto dos caminhos,

Crescendo para o Céu, bailando ao vento.

 

Convosco esteja a Paz, gérmen d'amor,

E nunca falte o pão aos pobrezinhos,

Tão pobres como foi nosso Senhor!

Álvaro Machado


Do livro Ilustrações para Sermões e Palestras, de Arthur Barroco


domingo, 18 de janeiro de 2026

Revista de Ficção Cristã e Poesia para download grátis: AMPLITUDE #7 - Jan 2026

 

AMPLITUDE aqui está, firme em seu papel de resgatar, promover, divulgar e viver a literatura cristã em toda a sua vivacidade, singularidade e fortuna.

Neste número, a razão de ser de Amplitude se apresenta em toda a sua força: a poesia e a prosa de ficção ocupam a quase totalidade de nossas cinquenta e nove páginas.

Por sinal, este é um número eminentemente poético: São nada menos que dezenove páginas de poesia.

Nos contos, temos a presença de nomes como Joanyr de Oliveira, Rute Salviano Almeida e o norte-americano Walter Wangerin Jr., que somam-se a Eber Rocha, Seles Gonçalves, Valnei Nascimento da Silva e este que vos escreve.

Abrimos este número com um artigo especial, uma conversa sobre a autopublicação, com dicas práticas e links de interesse.

Falando em especial, fizemos um apanhado de poemas da literatura universal sobre (a Parábola d)o Filho Pródigo, um tema central da cultura cristã, em treze páginas de alta poesia.

Nas seções tradicionais, figuras impactantes e até surpreendentes: Em Jardim dos Clássicos, temos um conto do missionário escocês Robert Reid Kalley, pioneiro do evangelho em nossas terras e na lusofonia.

Em Hot Spots, uma seleção de frases de Henry Ward Beecher, prolífico autor com tão pouca bibliografia em língua portuguesa.

Poeta em Destaque deste número — uma seção que sempre deu espaço a autores vivos — desta vez contempla um nosso irmão já na glória: O lusitano J. T. (João Tomaz) Parreira.

Amplitude ganhou uma nova seção, a Torre de Oração, que buscará apresentar, a cada número, significativas obras do gênero.

E as demais seções? Nossa Pharmacia apresenta textos de autosocorro imediato. Parlatorium continua sua insurgência contra a mediocridade, com frases de impacto e frescor criativo. Notas Culturais traz algumas notícias sobre a cena cultural cristã. Download apresenta três e-books gratuitos que merecem sua leitura, como a antologia que organizamos reunindo os 50 melhores poemas cristãos de Jorge de Lima.

O resto você sabe: Amplitude circula apenas em formato eletrônico, com periodicidade semestral  — e é gratuita, para a glória de Deus.

Pegue seu café, seu chá, seu isotônico, água ou o que for, busque uma sombra — e boa leitura!

 

      Sammis Reachers, editor


PARA BAIXAR O ZEU EXEMPLAR 

PELO GOOGLE DRIVE, CLIQUE AQUI.


A Revista também está disponível pelo Play Store (Google), AQUI.

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sábado, 13 de dezembro de 2025

A CRUZ DA VIDA, poema de M. Correia da Silva

 


A CRUZ DA VIDA

 

Traz, sempre, bem abraçada

A cruz que Deus te enviar!

— A cruz, não sendo arrastada,

Quase não custa a levar!...

 

Suportas a dor da ausência,

E vês que não custa nada...

— A cruz da tua existência

Traz, sempre, bem abraçada!

 

A fim de que o teu viver

Não te custe a suportar,

Nunca maldigas, mulher,

A cruz que Deus te enviar!

 

Havendo resignação,

Torna-se menos pesada

E traz-nos consolação

A cruz, não sendo arrastada!

 

Sofrendo com paciência,

Os mil embates do azar

A cruz da nossa existência

Quase não custa a levar!

 

M. Correia da Silva


Do livro Ilustrações para Sermões e Palestras, de Arthur Barroco (1961)


segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

VELAS PARA O ADVENTO: Quatro poemas de Luiz Renato de Oliveira Périco

 


VELAS PARA O ADVENTO


I - ESPERANÇA

Minha revolução é a minha espera.
Não a de um amanhã, mas de uma hora
Eterna, é a espera de quem quer a
Vinda do Reino para aqui e agora,

Espera que é trazer a nova era,
Ficar que é também ir, mas não embora,
Trazer pra cá, sem pressa, o que coopera
Pr’aquilo que virá e não demora.

Eu sei que a minha espera não é vã,
Pois não é preguiçosa, nem passiva, 
É construção urgente do amanhã;

Espera que, operando a espera em mim,
Fabrica a expectativa ativa e viva
Que é obra pra um lugar e hora sem fim.


II -PAZ
	
Caiu, caiu a Grande Babilônia,
Embora ainda existam tantas torres,
Tantos jardins suspensos sobre horrores,
Embora ainda sejamos sua colônia.

Caiu, caiu a Grande Babilônia,
Embora os seus Nabucodonozores
Ainda tenham seus adoradores,
Caiu, caiu a Grande Babilônia!

Embora a estátua esteja ainda de pé
E pareça mais alta do que é,
Vejam! Vejam! A estátua está do avesso!

Não se deixe enganar por suas vitrinas,
A sua glória é feita de ruínas,
Não tem valor, embora tenha preço.


III - ALEGRIA

Se Deus é tanto mais glorificado 
Quanto mais estou nEle satisfeito, 
Recebe essa alegria no meu peito,
SENHOR, esse sorriso escancarado.

Essa alegria que Tu tens me dado,
Da qual és o objeto e o sujeito,
É por causa daquilo que tens feito,
Por quem Tu és que tenho me alegrado.

És meu Pastor, de nada tenho falta,
Pois me deste a Ti mesmo de presente,
Em quem minh’alma exulta e a quem exalta.

Por isso é que carrego no meu rosto
Um Aleluia para cada dente,
E um Glória a Deus em meu sorriso exposto.


IV - AMOR

O Amor é uma palavra tão bonita...
Mas quem pode dizer o que ela diz?
Palavra que, calada, ainda grita,
E mesmo quando dói, nos faz feliz.

Bendita palavra, quando bem dita,
O Amor que nos conduz quando condiz,
Palavra que não pode ser transcrita
Sem transformar quem lê-la vis-à-vis.

E como traduzi-la sem traí-la?
Sentir o seu sentido, que ecoa
No que ela enunciou, anunciou?

Somente o Verbo pode traduzi-la:
O Amor se conjugou em uma Pessoa,
O Amor é uma Palavra que encarnou.

*******

Essa é uma série de poemas devocionais, é preciso dizer de partida. É uma série sobre e para o Advento. Ele é sua estrutura: seu tema e sua meta.

Advento é o período (ou estação) que inicia o calendário litúrgico cristão tradicional, antecedendo imediatamente o Natal, sendo uma espécie de preparação para o Natal .

Compreendendo quatro domingos, o Advento começa no quarto domingo antes do Natal, o que varia entre 27 de novembro e 3 de dezembro, dependendo do ano, e termina na véspera de Natal.

(Nota: Se você está lendo isso nesse ano de 2025 em que escrevo, o Advento começa em 30 de novembro.)

Seu nome vem do latim, adventus, “advento, vinda”, e se refere aos Dois Adventos de Cristo: o primeiro, quando veio como Filho de Maria, nascendo em Belém; o segundo, quando virá sobre as nuvens do céu no Dia do SENHOR.

Ou, mais propriamente, Três Adventos, como explica Tish Harrison Warren em seu livro sobre o Advento:

“Nós, Cristãos, acreditamos, no entanto, não apenas em uma vinda de Cristo, mas em três: a vinda de Cristo na encarnação (os teólogos têm chamado isso de adventus redemptionis , a vinda da redenção), a vinda de Cristo no que a Escritura chama de “os últimos dias”, (o adventus glorificamus, a vinda em glória), e a vinda de Cristo em nosso presente momento, através da obra do Espírito Santo e através da Palavra e do sacramento (o adventus sanctificationis, a vinda das coisas santos ou da santidade). O Advento celebra e mantém unidas todas as três “vindas” de Cristo.”

O Advento é, portanto, um tempo de espera: na graça do Advento presente, lembramos do Advento passado mantendo os olhos no Advento futuro. Meditamos na espera dos antigos para aprendermos a esperar com eles e como eles. Isso dá um novo sentido para o tempo - e esse novo sentido do tempo é inegavelmente poético.

Muitos recursos têm sido utilizados pelos cristãos durante esse período: velas, calendários, lecionários, canções... Eu mesmo tenho me utilizado de alguns devocionais nos últimos anos, como o do John Piper, o da Christianity Today (traduzido para o português todo ano) e o do Advent Project, da Biola University .

Essa série de poemas é pensada como mais um desses recursos.

Cada um dos poemas se relaciona com uma das Quatro Velas da Coroa do Advento, que indicam os quatro temas do Advento: EsperançaPazAlegria Amor. Para quem quiser se aprofundar nesses temas, recomendo essa série de vídeos aqui.

Os poemas têm autonomia estética e falam por si sós, por todo o ano. São poemas, obra artística, estética. A piedade não foi uma desculpa para afrouxar a mão. Pelo contrário: o Mistério do Advento concentra tanto sentido e tanta beleza que desafia aquele que escreve sobre a estação a elevar seus versos à altura do que escreve. Minha expectativa e oração é que cada leitor e leitora encontre em cada poema exatamente isso: beleza e sentido.

Meu convite específico, contudo, é que o leitor e a leitora viva esse período de forma diferente, poeticamente, se permitindo, a cada domingo-poema, ver a beleza e o sentido dessa estação – contra toda a confusão e ansiedade que o comércio, o materialismo e a religiosidade nominal e legalista infundem em nossos dezembros.

Um outro dezembro, com um outro calendário: mais antigo e com mais novidades, mais bonito e mais significativo, com mais valor, embora custe menos – esse é o meu convite.

Bom Advento, Bom Natal. Boa leitura


Luiz Renato de Oliveira Périco vive em São Paulo/SP. Tem poemas publicados em antologias e em revistas literárias. Em livro, publicou Forma Amorfa (1ª edição: Viv Editora, 2021; 3ª edição: do autor, 2024), e kairós (Patuá, 2023). 

Ele publica regularmente poemas e comentários através do Substack. CLIQUE AQUI e assine gratuitamente para receber as publicações do autor em seu e-mail.



terça-feira, 26 de agosto de 2025

Os 50 Melhores Poemas Cristãos de Jorge de Lima - E-book GRATUITO

 

Jorge de Lima (União dos Palmares–AL, 23 de abril de 1893 — Rio de Janeiro, 15 de novembro de 1953), médico de formação, foi poeta, romancista, tradutor, crítico e pintor. Sua produção artística múltipla em temas, formas e interesses se inscreve na segunda geração do Modernismo brasileiro (1930 – 1945). 

De seus inícios sob influência parnasiana, o autor avançou pelo regionalismo de ar nordestino até o modernismo, cujo ápice podemos ver em Invenção de Orfeu, tido como a obra-prima do autor e como um dos poemas máximos de nossa língua.

Aqui reunimos aqueles que nos pareceram os melhores poemas cristãos dos livros de Jorge de Lima, tendo como eixos de eleição o vigor de sua mensagem, a potencialidade devocional, a beleza poética, a clareza, e certa ecumenicidade: poemas passíveis de apreciação por cristãos de qualquer corrente, do católico ao protestante, e mais, por todo aquele que se abriga sob as asas de nossa língua, da qual Jorge é um de nossos mestres.

A incontornável poética do menino de União dos Palmares, de simbolismo transcendente e fagulhas surrealistas, que faz dos problemas sociais matéria-prima enquanto celebra e destrincha o humano e o divino em linguagem densa, profética, avançando sempre em direção à iluminação, ao lúmen, é um maná para nossos tempos ressequidos, sedentos da restauração que só pode ser obtida nos braços de Jesus.

Para baixar o e-book gratuitamente pelo Google Drive, CLIQUE AQUI.


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E, de forma paga, na Amazon (onde não é possível disponibilizar livros gratuitamente), AQUI.


terça-feira, 1 de julho de 2025

Revista Cristã de Literatura e Artes para download grátis - AMPLITUDE n.º 6

 

Meados de 2025: AMPLITUDE chega a seu sexto número, pela graça de Deus. Sim, apenas o sexto número, mas esta revista está fazendo sólidos dez anos. Foi no ano (pacífico, olhando de agora) de 2015 que nosso primeiro número chegava às tribunas virtuais.

Neste número, como se diz no hodierno jargão futebolístico, "a base vem forte": ficção e poesia, bases, lajes e pilares desta revista, entram em campo com uma seleção especialmente de peso, potente de autores do norte ao sul, do nadir ao zênite do Brasil. E até de Portugal e Moçambique.

As seções que o leitor tem aprendido a amar estão aqui, com acréscimos e ausências, que fazem parte do jogo.

Não apenas divulgar, mas estimular a produção artística é um de nossos motivos. Na página 12, temos o artigo O Credo de Um Artista, onde Jason Harms, apesar de seu empenho assaz puritano (calma, você não precisa concordar com tudo), oferece bons tópicos de reflexão e adesão para colocarmos Deus no centro de nossa produção criativa. No embalo, o artigo 12 Passos para ser criativo (pág. 27) dá excelentes — e simples — dicas que entregam o que prometem.

Em Jardim dos Clássicos, um conto de um clássico até que bem recente, o escritor e imortal da ABL Orígenes Lessa.

Temos crônica daquele que muitos consideram nosso maior poeta evangélico, Gióia Júnior, falando sobre aquele que ele, Gióia, considera o maior poeta brasileiro.

A revista abre com um papo sobre o trabalho editorial que realizamos no ministério Veredas Missionárias. Em nosso entendimento, não há como ser cristão (seja indivíduo, família, igreja, denominação, nação) sem ser missionário. Estamos aqui a trabalho, um trabalho penoso e simples, levar o Evangelho até o último povo, língua e nação. O mais que escapa ou bordeja esta prerrogativa é passeio ou tergiversação, ou, quando muito, ensaio. Assim, seguindo e ampliando uma iniciativa que começou em nossa última edição, veiculamos aqui gratuitamente (e mesmo à revelia) anúncios sobre empresas, pessoas e serviços que contribuem de forma direta com a causa missionária. Se este é o seu caso, entre em contato e nos traga sua história, que no próximo número você poderá aqui figurar.

Em tempo, pois há tempo: O leitor perspicaz perceberá opiniões (políticas, teológicas, cosmovisionais) díspares ao longo dos textos de AMPLITUDE. Veículo plural, as opiniões dos autores não refletem necessariamente a opinião da revista (sei que é ridículo ter que dizer isso, mas até a The New Yorker, Granta e a The Paris Review o fazem. Pobres de nós).

Editarmos sozinhos uma revista como esta, com tantos textos, tantas seções, tantas especializações, é estafante. Mas o resultado gratifica: A literatura, e mais, o conhecimento, dom de Deus, celebra sua pequena e cordata festa, da qual você, leitor, é um convidado de honra. O Cordeiro é digno!

Por favor, não apenas leia, mas compartilhe esta revista gratuita, que existe para entreter, edificar e desmistificar vidas.

 

      Sammis Reachers, editor


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sábado, 31 de maio de 2025

Três poemas de rudi renato júnior

 


de volta ao lar

 

desde a eternidade, senhor,

subi à vossa montanha

como se fugisse,

 

pois a morada dos poetas

(cheia das ciladas

trevosas do inimigo)

nunca mais era rio:

não desaguava no oceano.

 

de fato, se observado

o som do trovão

com que grita a sabedoria,

as nuvens desmanchariam

 

e subir à montanha

não seria fuga,

mas ir – com a inocência

de uma criança – de volta ao lar.

 

 

 

no caminho das boas obras

 

oh deus,

ponha-me no caminho

das boas obras,

 

que a graça do senhor

esteja presente

em cada um dos poemas.

 

joga – no abismo – a palavra demônio

com seus adjetivos de ouro e de prata

e de bronze e de pedra e de madeira.

 

aniquila a idolatria oculta

impregnada

em cada verso.

 

oh deus, inspira

a palavra adequada

ao meu lápis

diante da besta.

 

 

 

poetas, ide ao santuário da justiça

 

poetas,

ide ao santuário

da justiça – eu vos escrevo

pelos pecados acesos.

 

quando – por fim – os dons

irrevogáveis

tornarem puro

tudo aquilo que é impuro,

 

vossos inimigos estarão

debaixo de vossos pés:

os insensatos vão tropeçar.

 

ora, senhor, purificai-me:

mandai-me um mensageiro

que me eleve a voz.

 

algumas vezes, tive sonhos,

pois a morte sobe até o pescoço

e assalta-me em seguida

e rouba-me o brilho:

minha queixa torna-se amarga.

 

a pena, naqueles dias,

não suportava o fogo

que dominará

sobre uivos e choros.

 

eis a resposta do anjo:

queimai vosso coração,

pois é a hora.

 

hei de varrer

a morte de vossas obras,

mas antes virá um dilúvio.

 

colocai, numa arca,

um casal de cada espécie

de palavras.

 

o sacerdote colocará uma faixa

em vossos olhos

para que vossas visões

se direcionem além deste mundo.

eu fiz o instruído

e fui levado a uma montanha,

onde o suco que escorria

de meus versos

tinha uma benção,

 

porque – já naqueles

tempos – amava ardentemente

as palavras.

 

agora, vim para ser curado,

para me deixar conduzir

pelo espírito de deus

e encontrar a sabedoria,

porque é o senhor

quem a dá.

 

e, agora, como um furacão galopante,

fui tomado de visões mais claras.

 

“aqui estou, aqui estou”,

gritam elas

com o seu silêncio de estrela


Mais textos no Instagram do autor: @rudirenatojr


domingo, 18 de maio de 2025

Poemas cristãos missionários: Sammis Reachers lança antologia pessoal

 

Este pequenino volume reúne aqueles de meus poemas imbuídos de uma mensagem especial (ou essencial?), uma celebração do espírito missionário/missional, que julgo ser o ânimo (alma) a mover o corpo dito Igreja. Foram publicados ao longo de quase vinte anos, em alguns de meus livros e e-books.

Agregadas aqui estão também algumas frases imbuídas do mesmo espírito, publicadas no livro Sabenças e Sentenças da Missão, ou inéditas em livro.

Que a provocatividade destes versos e frases possa servir de inspiração devocional e missional para sua vida. Eles expressam, de forma inocente ou arguta, lírica ou quase rude, que não há causa maior nem urgência mais premente do que cumprirmos a Grande Comissão.

Para baixar o e-book (formato PDF) pelo Google Drive, CLIQUE AQUI.


domingo, 5 de janeiro de 2025

A Porta, poema de Simone Weil

 


A porta

Este mundo é a porta fechada. É uma barreira, e ao mesmo tempo é a passagem.
Simone Weil. Cadernos, t. III, p. 121.

Abram-nos, então, a porta e veremos os pomares,

Nós beberemos sua água fria onde a lua deixou seu rastro.

O longo caminho queima, inimigo dos estrangeiros.

Nós andamos a esmo sem saber e não encontramos lugar algum.

Queremos ver as flores. Aqui a sede se abate sobre nós. 

Aguardando e sofrendo, eis que nos encontramos diante da porta.

Se for preciso, quebraremos essa porta com nossos golpes.

Pressionamos e empurramos, mas a barreira é forte demais.

É preciso definhar, aguardar e olhar de maneira vã.

Olhamos a porta; ela está fechada, inabalável.

Fixamos nela nosso olhar; choramos sob a tormenta;

Continuamos a vê-la; o peso do tempo nos faz esmorecer.

A porta está diante de nós; de que nos serve querer?

É melhor partirmos, abandonando a esperança.

Jamais entraremos. Estamos cansados de vê-la...

A porta, ao abrir-se, deixou passar tanto silêncio.

Que nem os pomares apareceram, nem flor alguma;

Apenas o espaço imenso onde estão o vazio e a luz

Tornou-se repentinamente presente, de lado a lado, enchendo o coração,

E lavou os olhos quase cegos sob a poeira.


Do livro Pensamentos desordenados sobre o amor de Deus (Vozes, 2020).



segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

O NATAL DE CRISTO, poema de Almeida Garrett

 


O NATAL DE CRISTO

 

Verbe incréé, source féconde

De justice et de liberté!

Parole qui guéris le monde.

Rayon vivant de vérité!

De Lamartine, Harm.

 

I

O César disse do alto do seu trono:

“Pereça a liberdade!

Quero contar es homens que há na Terra.

Que é minha a humanidade:”

E, cabeça a cabeça, como reses,

As gentes são contadas.

Procônsules e reis fazem resenha

Das escravas manadas.

Para mandar a seu senhor de todos

Que, um pé na Águia romana.

Com o outro oprime o mundo,

A isto chegara a vil progênie humana.


II

E era noite em Belém, cidade ilustre

Da vencida Judeia.

Que a domada cabeça já não cinge

Com a palma idumeia:

Dois aflitos o pobres peregrines

Cansados vêm chegando

Aos tristes muros, a cumprir do César

O imperioso bando...

Tarde chegaram já não há poisadas.

Que importa que eles venham

Da estirpe de Jessé, e o sangue régio

Em suas veias tenham?

Na geral servidão só uma avulta

Distinção – a riqueza;

Na corrupção geral só uma avilta

Degradação – pobreza.

Os filhos de David foram coitar-se

No presepe entre o gado,

E dos animais brutos receberam

Amparo e gasalhado.

 

III

E ali nasceu Jesus... ali a eterna,

Imensa Majestade

Apareceu no mundo, – ali começa

A nova liberdade.

Cantam-na os anjos que no Céu pregoam

Glória a Deus nas alturas,

E paz na Terra aos homens! –

Paz e glória, Promessas tão seguras

Do Céu à Terra nesta noite santa,

O que é feito de vós?

Jesus, filho de Deus, que ali vieste

Humanar-Te por nós,

Tu que mandaste os coros dos Teus anjos

Aos humildes pastores

Que dormiam na serra – ao pobre, ao poio,

Primeiro que aos senhores.

Que aos sábios e que aos reis, Te revelaste –

Oh! que é delas, Senhor,

Que é das Tuas promessas? Resgatados,

Divino Salvador.

Do antigo cativeiro não seriam

Os homens que fizeste

Livres co sopro Teu, quando os criaste,

Livres, quando nasceste.

Livres pelo Evangelho de verdade

Que em Tua Lei lhes deste.

Livres enfim, pelo Teu sangue puro

Que por eles verteste

Do alto da Cruz, no Gólgota de infâmia

Em que por nós morreste?


IV

Vê, ó filho de Deus! quase passados

Dois milênios já são

Que, esta noite, em Belém principiava

Tua longa paixão;

E o édito do César inda impera

No mundo avassalado.

Os Césares, seu trono – e quantos tronos!

Têm caído prostrados...

Embalde! – as leis iníquas, que destroem

A santa liberdade

Que nesta pia noite anunciaste

A opressa humanidade,

Essas estão em pé. Será que o pacto,

Será que o testamento

Celebrado na Cruz Tu quebrarias.

Senhor, no etéreo assento?...


V

Não, meu Deus, não: eterna é a Palavra,

Eterno é o Verbo Teu

Que, antes do ser dos séculos, nos deste,

Que o mundo recebeu

Nesta noite solene e sacrossanta.

Nós, nós é que o quebramos.

Nós, sim, o novo pacto e juramento

Sacrílegos violamos;

Esaús de Evangelho, nós vendemos,

Com torpe necedade,

Por apetites sórdidos, a herança

Da glória e liberdade,

Por isso os reis da Terra inda nos contam

Escravos, às manadas;

Por isso, em vão, do jugo sacudimos

As cervizes chagadas.

Porque não temos fé, não temos crença,

E a Cruz abandonamos.

Donde somente está, só vem, só fulge

A luz que procuramos.

E os vãos sabedores, esses magos

Que a vaidade cegou.

Não olham para o céu, não vêem a estrela

Que hoje era Belém raiou.


184....


Do livro Flores Sem Fruto (org. de Iba Mendes).


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