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domingo, 12 de maio de 2024

O ABORTO em Frases, Poemas e Reflexões: Coletânea em e-book gratuito


O tema do aborto tem mobilizado mentes, corações e culturas ao longo da história. Nos dias de hoje, tornou-se questão incontornável, transcendendo delimitações sanitárias, sociológicas, políticas e religiosas para inserir-se no centro do debate público.

Temos, ao longo dos anos, editado diversas antologias, dos mais variados escopos e amplitudes. Em sua maioria, antologias poéticas ou de citações. Para execução de tal atividade, é de praxe a aquisição e/ou consulta de livros no gênero, e o leitor deve saber que é relativamente farta a disponibilidade – no caso das citações – de livros de frases em nossas prateleiras. No entanto, transitando, por prazer e a trabalho, por dezenas de antologias e mesmo dicionários de citações, jamais vimos o verbete “aborto” categorizado em obra alguma. Até citações esparsas sobre um tema tão significativo estão curiosamente ausentes deste gênero de literatura. Assim, tomamos para nós a tarefa de, mesmo reféns da brevidade, organizar e disponibilizar a presente obra, de maneira alguma exaustiva, sobre esse assunto vital.

E este pequeno livro é na verdade uma antologia multigêneros: às diversas citações sobre o aborto, unimos uma seleção de poemas e, por fim, uma coleção de pequenos textos de reflexão que ajudarão a iluminar nosso entendimento sobre o assunto.


       Esse é um livro gratuito, que nasce em serviço da sociedade e da melhor das intenções. Convidamos você a ler e também a compartilhar este conteúdo, com quantos achar conveniente.

Para baixar o seu exemplar gratuitamente pelo site Google Drive, CLIQUE AQUI.


quinta-feira, 28 de maio de 2020

ALTERAÇÃO CLIMÁTICA, poema de Dennis Ávila



ALTERAÇÃO CLIMÁTICA

Dennis Ávila

Há um epicentro no felino que criou os desertos.

Em câmara lenta a avalanche
sala de máquinas um vulcão.

A cordilheira acompanha seu horizonte,
e no final da tarde
o dia expulsa as estrelas.

Um meteorito altera a botânica.
O impacto move as lagoas.
Os nenúfares ordenam a água.

Tudo mostra seus dentes;
em cada samambaia há uma serra verde,
inocente e dual.

Na região do gelo
ursos polares se buscam, assassinos,
para enganar a fome.

Repentino é o nome do oposto:
os cristais envelhecem para parecer jovens,
o equilíbrio persegue a ferida
                e não a cicatriz.

Deidades esquecem de lamber-se
                como onças
em seu instante sabático.

O planeta se ressente de cada passo.
Há um felino no epicentro de seus dias.

Trad. Sammis Reachers

Dennis Ávila é hondurenho. Leia mais sobre o autor e o poema em Tiberíades - Rede Iberoamericana de Poetas y Críticos Literários Cristianos




quinta-feira, 23 de agosto de 2018

CARTA QUE UM JUDEU PODERIA TER ESCRITO EM BIRKENAU




Lembra-te de mim de vez em quando

Mesmo que seja só quando alguém

Perguntar por que desapareci no ar

diz-lhe simplesmente

Que não rejeitei meu nariz judeu, nem

Mesmo sem saber da minha tribo o nome

Rasguei no coração os livros de Moisés

Nem deixei de salmodiar às portas da morte

diz que o meu silêncio há-de ser

Uma torre que chegará ao céu

diz que estou órfão, um nome sem feições

Que um lento veneno

Entrou no sangue da nossa família

diz-lhe que com as minhas cinzas

Podem desenhar meu nome

Ainda que o rio Vístula as tenha

Levado de espuma em espuma.


25/11/2017
©  João Tomaz Parreira

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

VAGÃO JOTA






“Só se fores no Vagão Jota…disse”.  –“Atão vamos nesse…”

“- Homem, isso é pràs bestas – e riu”

Virgílio Ferreira, “Vagão “J”



Parece um acordeão enorme a tocar nos carris

A toada da morte, nas linhas atarefadas da Europa

O Reich poupa os recursos das viagens

Com Vagões J escuros por fora e por dentro

Sem lâmpadas para nem os olhos tactearem

A dor de todos, nem o sol indirecto

Rompe com uma pequena poeira iluminada

Os Vagões Jota correm

Empilhados de mugidos de tristeza.




16/08/2018
© João Tomaz Parreira



terça-feira, 17 de julho de 2018

ACUSO









Porque tive fome, e deste-me pão negro com bolor
Tive sede, e conspurcaste a água
Sendo estrangeiro, deixaste-me sem cama
Estando nu, não me vestiste
Senão com roupa transparente na neve
E vi os companheiros
Irem nus para a morte, estive enfermo e
Procuraste no meu corpo a causa
Ancestral porque deveria morrer
Estive na prisão e o meu corpo recebeu o teu ódio
Com a regularidade do sol e da noite
Tudo o que me fizeste e a um destes pequeninos
Acuso-te, foi a um Deus que fizeste
E em verdade te digo que te conheço.


09/05/2018 
© João Tomaz Parreira 


(Foto da libertação de Buchenwald, 1945)

quarta-feira, 13 de junho de 2018

ESTA VIDA DE CÃO



(Angelo Cordeschi, "Waiting for the train") 




Que mais pode um cão fazer senão deitar

No silêncio das linhas os seus olhos, o amor

Reveste-lhe o faro e alguém que espera

Como um irmão maior há-de tomar forma

Enquanto o horizonte não começa

A mover-se, o cão aquece a pedra

Com o coração tranquilo e dorme

Não quer nada em troca pelo seu amor total

A sua língua saberá quem vai descer

Dos ferros ruidosos do comboio.


13/06/2018

© João Tomaz Parreira

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

VOCAÇÃO SEM SAPATOS



De tarde depois da escola, todo o universo
É meu, conjugado nas letras que aprendi, reescrevo
Desenho no caderno a alegria 
Dos meus olhos, não preencho formulários
As minhas palavras são livres
O sol esta tarde aqueceu-me os pés, no chão
Começo a ser um homem, todos os dias
Como uma pequena ave que salta e aprende.

09/10/2017


© João Tomaz Parreira

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

O NEGRO





“O negro foi inventado”
James Baldwin



O negro foi inventado, não foi a Bíblia,
Nem o livro do Génesis quem o inventou
Quem viu a palma das mãos de Cam?
Eu não inventei o negro, e todavia
Sou negro, por contrapartida com o branco
O negro foi inventado, e não foi Deus
Quem o inventou, Ele não se sentou
No pó do Éden para criar negros
E brancos, mas para criar o Homem
Algumas religiões inventaram o negro
Era preciso alguma coisa para ter medo.

27/09/2017

© João Tomaz Parreira 

sexta-feira, 31 de março de 2017

ALMOÇO NO TOPO DE UM ARRANHA-CÉUS




Como folhas presas no mesmo ramo
procurando no topo o lugar
 do sol.  Enquanto no solo
pequenos seres
raspam no chão o musgo, procuram
ganhar o dia,  correndo sob o mistério.
Vários rostos do mesmo inteiro ramo,
só quando o ocaso desce, saem das alturas
e se misturam na multidão.

31-03-2017

© João Tomaz Parreira  

quarta-feira, 29 de março de 2017

VIGÍLIA


Foto: Catherine Leroy, Vietnan, 1967


Senhor, partiram tão tristes
Os seus olhos, tão raiados de sonhos
Ainda há pouco punham a vida em dia.

Falávamos de planos, um cigarro
Ardia como única chama dos lábios,
Falávamos da primeira mulher
Que amamos, tão longe o nosso coração.

De Deus falamos às vezes, tão longe
Entre nuvens, aonde quer que fossem
Só os nossos passos cortavam o silêncio.

Agora os seus olhos partiram e só
Têm as minhas lágrimas, que me golpeiam
As pálpebras. O sol tropical é um pobre
Fantasma ele também entre a névoa matinal.

29-03-2017

© João Tomaz Parreira

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

AS VINHAS DA IRA




Esperamos que os nossos anjos
Que o Senhor diz que acampam ao nosso redor
Nos levem de volta a casa, as nossas mãos
Lavradas com o ácido das laranjas
E os nossos olhos
Tão gastos dos cachos de uvas
O nosso coração tão rasteiro nesta estrada de pó
Esperamos que os anjos nos levem a casa
Agora que o fumo do sonhos passou.

19-12-2016
© João Tomaz Parreira

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

A MELANCOLIA DO PRÓDIGO





Tenho de chegar a casa
Tão longe a casa, cada dia é uma eternidade
Que não se completa
É preciso chegar a casa, como posso
Ter-me afastado tanto, as vides que vestiram
Os campos estão secas, quero de novo
As flores de macieira alegres
A espreitarem entre rostos de crianças
Tenho de chegar a casa, deixei tanto amor
E perda, a canção do mundo é vã
E cansou os meus ouvidos.

23-11-2016

©  João Tomaz Parreira

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

No Máximo, Seis Versos - Poemas Breves, Bíblicos & Outros, novo e-book de J.T.Parreira

De todas as chamadas nove artes, é na Poesia que mais justificadamente se pode asseverar que menos é mais. A concisão, a precisão do corte e do entalhe, só fazem amplificar o poder comunicante do texto, só podem elevá-lo.

       Nos versos aqui coligidos, versos irmanados pela brevidade, João Tomaz Parreira dá vazão ao seu caudal de metáforas condensadas, à tessitura precisa, que em seu rigor vezes lembra o Hermetismo italiano no que ele tinha de melhor, a explosão/maximização das cargas expressivas do poema ao nível microscópico. E em tal labor engendra a quase perfeição poética, como neste fulgurante A Tentação, onde o Cristo jejuante é tentado no deserto pelo Adversário, que lhe oferece as nações da terra:

Na ponta do precipício, no gume
do ar,  nos seus olhos Ele guardou
antes o azul do que os reinos
ao fundo do mundo.

       E assim sucedem-se, ao longo de todo este breve volume, as pequenas cápsulas de alumbramento, lances minimalistas de poesia não apenas cristã mas variada em sua temática, em suas cores, porém fulcralmente uma poesia imantada, que aponta de maneira indelével para o norte, para o Cordeiro.

       A boa poesia é como a alta culinária, onde a pequena porção concentra uma profusão de surpreendentes sabores, um buquê de amoráveis aromas que podem fascinar até no prato (e tema) mais prosaico. É assim a poesia de JTP: culinária d’alma, capaz de envolver, satisfazer e elevar os paladares mais exigentes e experimentados.

A todos os leitores, bon appetit!

Sammis Reachers, editor

Para baixar o livro pelo site 4Shared, CLIQUE AQUI.
Para baixar (ou ler online) o livro pelo site Scribd, CLIQUE AQUI.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

A MORTE NA TORRE GIRATÓRIA DO B-24


Poema de Randall Jarrell
(From The Complete Poems by Randall Jarrell, Copyright © 1969)
 

Do ventre da minha mãe caí no Estado,
E dobrado num útero de acrílico até meu blusão molhado congelou.
A trinta mil pés da terra, perdi o sonho da vida,
Acordei com a anti aérea e o pesadelo dos caças.
Quando morri lavaram-me para fora da torre com a mangueira.

Versão minha  © J.T.Parreira  

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

UM CÃO COM ABRIGO




Com os seus olhos macios apanha muitas coisas
no ar, o cheiro do amigo, os buracos
cada vez maiores do casaco do amigo
a canção intrometida no meio da noite
que levanta as suas orelhas

Com os seus olhos sabe que sim
é triste ser um cão melancólico à janela
mais triste se das sombras o amigo não sai            

Um cão
com um amigo como Antígona emparedado aqui.


31-08-2014
© João Tomaz Parreira


terça-feira, 13 de maio de 2014

13 de Maio, poema de Pedro Marcos Pereira Lima


13 de maio
Por mais que nos vejam
Em novelas do horário nobre
Somos presos por engano
Por mais que nos vejam
Nos estádios em transações milionárias
Somos convocados para comermos banana
Na grama
Por mais que nos vejam
Nos palcos trocando palavras
Em raps
Em funks
No rank da ostentação
Morremos nos postes
Debaixo do pau das hostes
De nós mesmos
Por mais que nos vejam
Nos shoppings nos bancos nas ruas
Não somos vistos, somos espionados.
Por mais que nos vejam
Somos invisíveis

sábado, 18 de janeiro de 2014

O ÍNDICE GLOBAL DA FOME




A fome vai ter tudo, geografia
contentores, a tristeza de se expôr
as mãos no lixo, a tristeza
que é um pássaro de água solitário
que fere os nossos olhos como um vidro
A fome vai ter tudo, 815 milhões
olhos que partem as janelas das órbitas
e perguntam
um rosto de criança que entrará
no diário da tarde, e um umbigo
esbugalhado no centro do estômago
A fome vai ter tudo, o solo debaixo do chão
ou a esperança
que vai acreditar em qualquer coisa.

11/4/2013
© João Tomaz Parreira

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Navegando para a Terra de Ninguém



“That is no country for old man”
W.B.Yeats



Ali  não é país para os velhos, os ramos
estiolados das primaveras, as bengalas
gastas a estenderem-se das mãos, enquanto puderam
podaram rosas
altivas nos olhos juvenis, agora
têm a dança solitária da tristeza  
nos seus sonhos, isso não é país
para os velhos, vivem tanto tempo
e pesam demasiado espaço aqui,  há a terra de ninguém
mandem-nos para lá, há pouca certeza
de que sobrevivam, estão grisalhos
mandem-nos para o Ocidente
onde se apaga a luz do sol.


7-1-2014
©  João Tomaz Parreira

domingo, 3 de novembro de 2013

OS GATOS DE EZRA POUND




Como os gatos de Pound, que procuram
cheiros pelo chão, a minha
também tem as antenas
a murmurarem coisas invisíveis,

quando se dispõe olhar para mim.

© J.T.Parreira

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

INGENUIDADE




Quando chegamos à nossa nova casa
sem paredes de tijolo e estuque
rodeada de arame onde suspendemos as estrelas
apertando ao peito o frio
ainda acreditamos
que nos dessem o maná
como Jeová no deserto aos nossos pais.

14/10/2013
 
© J.T.Parreira
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