Em tuas mãos
Em Tuas mãos, ó Deus, eu
me abandono.
Vira e revira esta argila,
como o barro na mão do
oleiro.
Dá-lhe forma e depois, se quiseres, esmigalha-a,
como se esmigalhou a vida
de John, meu irmão.
Pede, ordena!
Que queres que eu faça?
Elogiado e humilhado, perseguido e incompreendido,
caluniado e consolado, sofredor e inútil para tudo,
não me resta senão dizer a exemplo de Tua mãe:
“Faça-se em mim segundo a Tua palavra”.
Dá-me o amor por excelência, o amor da Cruz;
não o da cruz heroica que poderia nutrir o amor-próprio,
mas o da cruz vulgar, que carrego com repugnância,
daquela que se encontra cada dia na contradição,
no esquecimento, no insucesso, nos falsos juízos,
na frieza, nas recusas e nos desprezos dos outros,
no mal-estar e nos defeitos do corpo,
nas trevas da mente, na aridez e no silêncio do coração.
Então, somente Tu saberás que te amo,
embora eu mesmo nada saiba.
Mas isto basta.

Nenhum comentário:
Postar um comentário