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sábado, 12 de setembro de 2026

Gestos do Nada, novo livro de Geovane Fernandes Monteiro


 Em agosto, o poeta, escritor e editor Geovane Fernandes Monteiro lançou seu terceiro livro, o pungente Gestos do Nada (Litteralux, 94 páginas).

A crueza da vida é inimiga do verso que a revela, a vocifera: dos porões do dia, da alma e suas catacumbas, o poeta debulha as cismas, peneira medos e (re)funda à frio tudo em sua forja. Faz a palavra – via-vivência – arder até luz. Este Os Gestos do Nada é fagulha na corda tênsil da existência, ensaio sobre o salto e sua negação, emerso da quietude etérea/densa do reino do verbo. Nesse domínio expandido, entre a paz e a disrupção, o poeta é a síntese do que somos e do que estamos: libelo de uma psiquê singular e coletiva, aqui Geovane, o homem, entrega, com hábil fartura, humanidade.

O livro pode ser adquirido diretamente com o autor, através de seu perfil no Instagram: @geovane.fernandesmonteiro , ou no site da Editora Litteralux.


Três poemas da obra:


O encontro

 

aguardo informações

sobre o que cometi

entre alheias suposições

espalho eventos dos vazios

 

latências arejadas por suor

beijos de novela

em ausências superestimadas

plasmam meus blecautes

 

ganhei o que não quis?

qual a geografia dos erros?

esgotei o que há?

 

ao pé do infinito

nada atingir

senão realizar?

 

errei o alvo das saudades

por onde pessoas se cruzam

para haver caminhos

e os corpos se enlaçam

esgotando as palavras

das palavras

 

Às 0h

 

Disparam os relógios

a rota dos ponteiros acompanha sua inércia

nada se mantém em datas

jet lag nas recreações me traz

as 24 horas

 

ponteiros quebrados

no horário de Brasília

envelhecem juntas a bomba-relógio

e minhas mãos supersônicas

por entre o chão parado das auroras

 

ao tempo perdido

não sei da hora certa nesta vida agendada

com suas vésperas

relojoeiros empurram o ponteiro parado —

giram os relógios

vive o futuro a própria inexistência

corpos celestes

surdos despertadores

meus apelos em desuso

mas a vida útil

na soma dos dentes que caem

ante os relógios decorativos

em espera menti às datas memoradas

e do sóbrio cálculo vêm os calendários

extensão de paredes

 

a vida entre o atraso e o adiantamento

ajusta o relógio

 

 

Mensagem

 

Meu corpo a corpo

alegria fugitiva de alegria

sem confusão de dores

durante meu tamanho

aonde a saúde me guia

 

tenho a companhia de mensagens

na experiência do arrastar da carne

povoando-me desprevenida

nos alcances de esquecimentos

 

a um desencadear

prévias de sol e de lua

migrações terrenas

na penúltima querência

percorro isto ou aquilo

e em dias comigo

meu nome perdido na idade

meu desdobrar em alerta vertebrado

no todo de ventre me inaugura

 

por entre crenças e descrenças

o exercício do corpo

que é fé

pois não há senão ele

 

de existindo

sou uma resposta


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