terça-feira, 4 de agosto de 2026

CASAMENTO, um poema de Sammis Reachers

 


CASAMENTO

 

Ei, coisinha de luz

É vero: não há parentes em nosso casamento.

Duas madrinhas, suas amigas, é isso

Somos dois pobretões já passados da idade

Autistas penitentes

 

E aqui estamos, contra as expectativas dos que nos detestam

 

Mas temos um amigo em Nazaré, você o conhece melhor que eu

Ele despediu à revelia alguns convites por aí

 

E se esse dia está estranhamente mais iluminado, mais quente e branco

É que há estrelas jornadeando para assistir nosso enlace

 

Os insetos de dezoito quintais, do que é redondeza, se somam e assomam

Pelo teu sorriso de ninfa nubente

 

Não há muitos amigos, mas olhe para aquela nuvem a poente, a mais fofa: 

Anjos daquela falange que restaura ossos quebrados das crianças

– Alguns a quem infernizei na infância –

Lá estão, estranhos anjos que quanto mais sorriem, mais refulgem

Amigos em nome do AMIGO

 

Sim, tão poucos os humanos, eu sei

Mas temos anjos e insetos e estrelas e

Num dos muitos apartamentos de face ao cartório

Numa das janelas desse um dos muitos apartamentos, um gato

Um gato SRD resgatado de sob a roda de um Porsche

Representa o a nós dois mui caro

Conclave Imperial dos Gatos

E honra nosso casamento

 

Que mais dois maltrapilhos quase quarentões poderiam querer da vida,

Menina que amo como uma romã que arrebenta?

 

(Para aquela coisinha de luz que vez por outra diz, "você nunca mais me escreveu um poema")

 

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