terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

TE AGITAS PELO LOBO E O CORDEIRO, poema de A. P. Alencart

 


TE AGITAS PELO LOBO E O CORDEIRO

Tradução de Cláudio Aguiar


Te estremeces pelo lobo e pelo cordeiro.

Amas de forma ultra-humana, sem limites, como a música

do universo. Oh profunda sinfonia forjando

o sagrado do começo ao fim, alto pretexto onde domina

a esperança. Oh sucessão eterna que desencadeias

assonâncias, instintos laborando rumo ao magma

do transcendente, da cadência absoluta

concebida com o compartilhamento das águas profundas

e das saborosas delícias de um contravoo angelical

acomodadas para suportar o Vento mais copioso.

Estarás como a sempre-viva, qual presença transumante.

Ficarás na luz que não mata o pôr do sol.

Estando sem estar, tu eres evidência,

cérebro verbal destacando faíscas de pureza,

pulsações sem cativeiro, correta chamada de translação

além de anseios e de desvelados sonhos.

Pertencias ao terreno do Despretensioso,

ao seu ritmo oculto, à sua chama lenta, felizmente

extemporânea, qual aliança indecifrável.

Pertencias ao portal das testemunhas,

para profecia de outro Reino, ao refinado alento,

cuja plenitude reside onde floresce o sublime.

Integravas o verbo de uma estrela.

Pertencias ao corpo ferido de ternura sofredora.

Pertencendo à asa que desaparece pelos ares.

Pertencias à linhagem que coleta inocências de sete em sete.

Te perpetuas na antecipação da alegria

e ascendes, porque tua Unidade conhece a fórmula

das diásporas e dos deslumbramentos.

Clamas por tua orfandade. Clamas contra chicotes agressivos,

confraternizando com os perseguidos, abraçando-os,

compartilhando com eles a realidade dos milagres.

Nada te rebaixa,

criatura de nome formosamente pronunciado,

pele aliciante, contorno para penetrar

em frondes de renascimento quente.

Tu manténs o dom de ser o antes e o depois,

lâmpada iluminando os breves voos do pássaro, sua sombra

na alta noite do abismo.

Conduzes os fervores rumo ao amanhecer adolescente,

pulsas com tua estatura de Árvore da vida, regas violetas

com o leito de tuas transpirações.

Exemplo horizontal o das mãos estendidas,

o do pulso que sustenta! Beleza da forma na paisagem!

Oh Deus, que desejo nu é este Amor

avançando eterno, dando-se, assim, tão pródigo!

 

Que seivas estás doando? Que outros vaga-lumes te rodeiam?

 

Do livro Prontuário do Infinito (disponível AQUI)

Via Crear en Salamanca


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