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domingo, 18 de janeiro de 2026

Revista de Ficção Cristã e Poesia para download grátis: AMPLITUDE #7 - Jan 2026

 

AMPLITUDE aqui está, firme em seu papel de resgatar, promover, divulgar e viver a literatura cristã em toda a sua vivacidade, singularidade e fortuna.

Neste número, a razão de ser de Amplitude se apresenta em toda a sua força: a poesia e a prosa de ficção ocupam a quase totalidade de nossas cinquenta e nove páginas.

Por sinal, este é um número eminentemente poético: São nada menos que dezenove páginas de poesia.

Nos contos, temos a presença de nomes como Joanyr de Oliveira, Rute Salviano Almeida e o norte-americano Walter Wangerin Jr., que somam-se a Eber Rocha, Seles Gonçalves, Valnei Nascimento da Silva e este que vos escreve.

Abrimos este número com um artigo especial, uma conversa sobre a autopublicação, com dicas práticas e links de interesse.

Falando em especial, fizemos um apanhado de poemas da literatura universal sobre (a Parábola d)o Filho Pródigo, um tema central da cultura cristã, em treze páginas de alta poesia.

Nas seções tradicionais, figuras impactantes e até surpreendentes: Em Jardim dos Clássicos, temos um conto do missionário escocês Robert Reid Kalley, pioneiro do evangelho em nossas terras e na lusofonia.

Em Hot Spots, uma seleção de frases de Henry Ward Beecher, prolífico autor com tão pouca bibliografia em língua portuguesa.

O Poeta em Destaque deste número — uma seção que sempre deu espaço a autores vivos — desta vez contempla um nosso irmão já na glória: O lusitano J. T. (João Tomaz) Parreira.

Amplitude ganhou uma nova seção, a Torre de Oração, que buscará apresentar, a cada número, significativas obras do gênero.

E as demais seções? Nossa Pharmacia apresenta textos de autosocorro imediato. Parlatorium continua sua insurgência contra a mediocridade, com frases de impacto e frescor criativo. Notas Culturais traz algumas notícias sobre a cena cultural cristã. Download apresenta três e-books gratuitos que merecem sua leitura, como a antologia que organizamos reunindo os 50 melhores poemas cristãos de Jorge de Lima.

O resto você sabe: Amplitude circula apenas em formato eletrônico, com periodicidade semestral  — e é gratuita, para a glória de Deus.

Pegue seu café, seu chá, seu isotônico, água ou o que for, busque uma sombra — e boa leitura!

 

      Sammis Reachers, editor


PARA BAIXAR O ZEU EXEMPLAR 

PELO GOOGLE DRIVE, CLIQUE AQUI.


A Revista também está disponível pelo Play Store (Google), AQUI.

Scribd, AQUI.

Slideshare, AQUI.


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terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Romance A Ordem Luterana da Cruz Combatente resenhado por Jorge F. Isah

 

A Ordem Luterana da Cruz Combatente

 

Jorge F. Isah

 

            O que monstros, anjos, demônios e uma conspiração secreta têm a ver com o Cristianismo? Simbioses, mutações, o bem e o mal disputando almas e o domínio do mundo? Para muitos, nada. Mas para aqueles que veem e estão dispostos a ver, tudo. Assim, de maneira simplista, podemos definir o primeiro romance de Sammis Reachers, “A Ordem Luterana da Cruz Combatente”, em seu tomo I: uma fábula repleta de magia, ação e surpresa. Mas seria toda a verdade?

Conheço a obra de Sammis há mais de dez anos. Autor criativo e eclético, transita por vários gêneros literários. A sua produção explora com a mesma facilidade estilos que vão dos poemas, contos, ensaios, coletâneas e, agora, o romance. Como a maioria dos poetas, se considera um prosista de versos, porque a poesia nunca está distante, nunca é relegada ao segundo plano, ou deixa de ser a mola mestra da criação. Por mais que o gênero se distancie dessa linguagem, o poeta jamais dormita ou abandona-a.

Permeada pela cosmovisão cristã, não espere temas proselitistas, dogmáticos ou definições teológicas. Não. Ele está disposto a mostrar a vida, a realidade, com seus becos-sem-saída, caminhos sem volta, naufrágios em terra e mar, mas também a possibilidade de sublimação e redenção. Enfim, ser guiado de volta para casa... A despeito dos percalços, ataques, aflições, as tentativas de obstruir e impedir a jornada, a ovelha ou peregrino estará segura em Cristo, ainda que ouça o rugido dos lobos, o esgueirar das serpentes, o tilintar de ouro e prata ou o estampido de trabucos. Como o monge diz a Martinho: “A ordem por tantas e tantas vezes dorme. O caos, nunca” (pg. 14). O mundo é o palco onde a arte desvela a saga humana, mas também os bastidores e arranjos, antes, durante e depois da representação em que cada um de nós tem papel crucial no cenário tripartite da “guerra cósmica”. 

“A Ordem Luterana...” não obstante ter todos os elementos épicos, de remeter às grandes obras de aventura, capa, espada, e os mais eletrizantes thrillers de ação e combate, tem camadas as quais o leitor deve atentar. Não se trata de outra epopeia, onde bons e maus se assanham, ou o jirau das peripécias de bravos e covardes, nobres e canalhas, numa dicotomia reducionista. Por natureza, o homem é ambíguo, e suas dúvidas, tal qual as decisões, nem sempre encontram as explicações lógicas e racionais. Afinal, e não se turve a reconhecer, sentimentos e emoções gravitam e atraem as mais inesperadas e repentinas decisões, e denunciam não haver somente o físico, mas também o transcendente.

      De um lado, a “Ordem”, seus homens e anjos, do outro, o “Deicídio” (cujo objetivo, como o próprio nome indica, é a morte de Deus e seus filhos), constituído por homens e demônios. Entre eles, a humanidade em sua placidez ignota, capaz de acreditar somente naquilo que os olhos veem, ou não veem. Entretanto, existe um mundo, ou mundos, alheios aos olhos físicos e disponíveis exclusivamente aos olhos espirituais. E neste campo se desenrola a guerra iniciada no Éden, em que Adão se fez presa fácil para as artimanhas do diabo, vítima da sua soberba e inveja.

      Os cambiantes, mistura de humanos e seres angélicos, são a elite dos agentes de ambas as forças. E a maior parte dos embates se dá com eles. Por falar nisso, o terço final do livro é de tirar o fôlego, literalmente. Para quem gosta de ação, reviravoltas e emoções, é um prato cheio; sem esquecer as várias esferas subentendidas às quais o autor propositalmente ofertou ao leitor, não como um “plus” ou complemento, mas a essência, algo imprescindível... Ponderando mais sobre as entrelinhas, das camadas criadas pelo autor, e elas são tantas e tão distinguíveis que supor ou apegar-se à ideia do livro ser apenas “distração” não somente é simplista, equivocada, mas ilegítima; facilmente pode-se notar a sua condição ou posição (sim, caro leitor, estou a falar de si), à medida que a narrativa se desenrola. Pode-se vislumbrar o movimento no tabuleiro, qual a ameaça e o quanto se está ou não seguro.

A história vai muito além das homenagens a Dumas, Stevenson, Scott, Tolkien ou Lewis, para ficar apenas em alguns. Ela trata da luta instalada no íntimo, onde o sopro divino, ou imago dei, colide com os efeitos noéticos da Queda. E este contexto é muito maior do que as explosões, perseguições, duelos, estratégias, complôs e tantos outros elementos a permear o gênero. Por mais que você resista, o livro fala e trata de você. E, por isso, é tão necessária a leitura de “A Ordem...”, pois, ao sentir-se preso, angustiado, certamente também se sentirá liberto e protegido.

      Sammis conhece muito bem isso, porque viveu, e ainda vive, nessa “corda bamba”, mas na convicção de transpor seguramente o fio tênue, mas irrompível, a encerrar o fim da sua fé. Ele fala de si e, por isso, fala de mim, de você, com propriedade. Mesmo não havendo dois seres humanos iguais, existe uma essência que compartilhamos e que nos tornam membros de uma mesma ordem ou caos. E nas peculiaridades encontramos o universal, sem os malabarismos burlescos e artificiais dos antropófobos e fatuados.

      Mostra que é possível divertir e pensar, sem abrir mão da verdade, mesmo envolta em sombras e muita, muita fumaça e poeira.

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Título: A Ordem Luterana da Cruz Combatente

Autor: Sammis Reachers

Páginas: 321

Link do autor: httpd://linktr.ee/sreachers

Email: sreachers@gmail.com

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Resenha publicada originalmente na Revista Bulunga n.36



sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Edição de dezembro da Revista Bulunga - e sorteio de livros

 


A nova edição da revista Bulunga já está no ar, divertida, provocante, atiçada contra o marasmo e a maresia. Eu compareço com três contos. Confira ainda resenha de meu romance A Ordem Luterana da Cruz Combatente, e um sorteio de um exemplar deste e também de meu último livro, Fabulário Índigo. Inscreva-se e concorra!




sexta-feira, 4 de outubro de 2024

Sobre o livro Cartas e Retornos, por George Vinhas Gonsalves

 


Recentemente, tive uma das melhores experiências literárias da minha vida ao ler CARTAS E RETORNOS, livro de poemas de Sammis Reachers.

O vasto vocabulário empregado em uma grande variedade de temas (praça, amigo, Bíblia, café, Cristo, gatos, livro, perdão, rosa, por exemplo), muitas vezes de cunho pessoal, nos evocam lembranças e imagens que nos fazem viajar por lugares e épocas a cada página lida.
Logo no primeiro poema, “Carta à Árvore”, temos este instigante verso:
Obrigado eternamente obrigado
Por alimentar-nos
De proteção e pão
Por verdecer para que não
Ressecássemos
Nós vorazes algozes agradecemos
Por nos servir
De berço,
Púlpito
E esquife
Nos poemas que fazem referência à fé há versos preciosos, como em “Carta à Bíblia”:
Orquestra de virtuosos de pó
66 partituras em mãos
dum Espírito regente
régio & magistral
Em “Carta ao Cristo”, há algumas fascinantes letras sobre o nosso Senhor:
Conquistador em andrajos
Pétala de sangue
Amor embaraçoso
Azorrague de Deus e retardador do azorrague de Deus
[...]
Companheiro de más companhias
Nota promissória contra o fracasso
Da História
Lido por mim em um período de enfermidade e solitude os versos de Sammis me elevaram a outra dimensão. Fizeram-me sair de meu quarto e andar pela cidade encontrando carteiros, poetas, chuva e vento.
Ao colocar para o autor minhas impressões, ele me disse que o livro tem “muito de experimental” e que tentou “passar valores os mais humanos” que conseguiu. De fato, os dois aspectos saltam aos olhos ao folhearmos a obra. Mas, ainda há: a percepção de que a vida pode ser mais fascinante quando a olhamos com o coração e de que nossos temores podem ser enfrentados, afinal como escrito em uma das páginas da obra:
Do outro lado do teu medo há um palácio.

George Vinhas Gonsalves


O livro Cartas e Retornos, no formato e-book (pdf) pode ser baixado gratuitamente. CLIQUE AQUI.
O livro impresso pode ser adquirido diretamente com o autor. Escreva para sreachers@gmail.com .


segunda-feira, 19 de agosto de 2024

A melancolia no fazer poético de Álvares de Azevedo explorada por Antônio Nogueira em livro

 


O fazer poético de Álvares de Azevedo: caminhos traçados através da melancolia (Editora Dialética, 2024. 100 págs.).

A melancolia sempre sombreou a poesia e a filosofia. Musa que inspira e nêmesis de acossa, é entidade bifronte feito o deus romano Janus. Com o advento dos estrondos da tempestade e ímpeto, o movimento Sturm und Drang alemão que fundou o romantismo como o conhecemos, tal ente humano demasiado humano teve sua máscara, seu véu ou mortalha desvelada; e seus humores, daí em diante, ganharam potência viral.

Já que falamos de Roma, a melancolia cumpre papel de deusa lar, diáfana e também íntima, de quem o poeta é ao mesmo tempo altar e holocausto.

A originalidade e o individualismo trabalhados pelo Romantismo têm em Álvares de Azevedo uma figura emblemática. O amálgama de melancolia e ironia, irmanação criativa que ditaria normas em ampla parcela da literatura universal subsequente, toma Azevedo como expositor ou refém.

Melancolia, mal do século, spleen? Cedo Álvares ouviu seu chamado, uivo primeiro da noite inaugural (o amaldiçoado Dia Um fora do Éden), e cedo foi sacrificado, altar que a si mesmo se consome, execução-pela-implosão do ideal romântico, ente agônico de tempestade e ímpeto.

Neste seu O Fazer Poético de Álvares de Azevedo: Caminhos Traçados Através da Melancolia, Antônio Nogueira busca desvendar os processos e a poética de Azevedo, elencando a melancolia como eixo axial de sua pesquisa, e devassando a atitude dúplice do autor de Lira dos Vinte Anos e Noite na Taverna, seu jogo autoral onde aceita/renega sua condição de bardo romântico, seu fazer e suas influências.

Com acurado escrutínio e sob o amparo de formidável fortuna crítica, é a tal fortuna mesmo que Antônio busca e alcança expandir, como esta sua obra seminal, fruto de sua dissertação de Mestrado.

Aos leitores recomendo, não como acadêmico, mas na condição de poeta e um também fulminado pelo vírus melancólico, este aprazível estudo sobre um poeta e sua época, um tema e suas implicações que, universais que são, dizem respeito a todos nós.

Sammis Reachers

O livro está disponível no site da Editora Dialética, AQUI.


sábado, 10 de setembro de 2022

Impressões de Julia Lemos sobre o livro Cartas e Retornos, de Sammis Reachers



 Julia Lemos

O mundo traduzido de forma enciclopédica e por um mar de signos, por causa dos neologismos, assim me pareceu ser este livro de Sammis Reachers, "Cartas e Retornos", que recebi como um presente enviado diretamente do Rio de Janeiro, onde este escritor, poeta, editor, antologista e professor de Geografia vive.

Os poemas se constroem como símiles de cartas, e no conjunto identificamos um diálogo com os que estão enfeixados sob o título de "Retorno", um termo que nesta proposta comparece em toda sua ambiguidade. O conjunto também evoca o poema "Correspondências" de Baudelaire e o traço algo experimentalista do livro remete-nos ao poeta Mallarmé, um dos precursores do Concretismo. O Movimento Concretista influenciou a poesia "pensante" do nosso João Cabral e a 'brincante" do poeta Leminski, só para citar estes.
Os poemas-cartas formam um leque temático quase infindável e são "enviados" ao vento, à terra, à linguagem, à guerra, à literatura, incluindo outras categorias como a das lembranças e repescagens da alma. Chega até o Cristo, o nome que está acima de todo nome.
Afinal, o poeta nos diz logo na apresentação, citando o filósofo Vilém Flusser, que a "poesia aumenta o campo do pensável" e é assim, com seus versos livres a se desenharem na página, que o lirismo também se mantém em um lugar mais discreto, pois será o leitor, com sua bagagem, que lhes conferirá o tom da emotividade.
Distraidamente o livro foi adquirindo corpo, o poeta também nos diz, assim como quem estivesse a "voar fora da asa", como usou dizer sobre o seu fazer poético, nosso poeta mais brincante, Manoel de Barros.
O eu lírico em Sammis Reachers, como que adentrando o "espírito" da linguagem, representa nesta sua poética de nomeações a criação de seu próprio mundo e isto nos remete a este versículo do livro de Hebreus: "pela fé os mundos pela palavra foram criados, de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente" (Hb. 11:3).
Mas nem isto o salva, segundo o poeta declara como podemos ler neste trecho do poema "Retorno à Pedreira do Anaia":

Pedalo a bicicleta,
pedalo todos os dias,
Um refugiado jovem demais
Para ter descoberto que não há
Lugar
Sequer uma estrebaria
Onde dar parto à minha dor (...)
(...) Locupleto minha sanha de fliperamas,
Fotografia e a embriaguez da Grande
Literatura Universal
Que nunca me salvará:

Aguardo em (o)pus
O advento de Cristo.

Salva não, Sammis.
Eu também estou nessa de aguardá- Lo.

______________________________________________

Julia Lemos, pernambucana do Recife, iniciou sua trajetória como atriz nos palcos recifenses. Poetisa, tem seus primeiros trabalhos publicados no Diário de Pernambuco e Jornal do Commércio, organizando e participando ainda de vários recitais poéticos em Olinda e Recife. Em 1981 lançou seu primeiro livro de poesias, Carmem Antonia Migliacchio Enlouqueceu, e em 1997 publica A Casa Estrelada. Escreveu os ensaios: Sobre uma Poesia de Larvas Incendiadas e Patativa do Assaré - um trovador nordestino. Integra várias antologias no Brasil e Portugal. É autora de A Exposição dos Sóis (Penalux).


terça-feira, 22 de março de 2022

Vozes Poéticas dos Morros Garapenses - Antologia poética

 


A APA (Área de Proteção Ambiental) dos Morros Garapenses, situada no Maranhão, surgiu a partir de luta. De dias e noites de luta e mobilização de um grupo de cidadãos, ambientalistas e entusiastas do município de Duque Bacelar. A mobilização popular em proteção às matas de cocais e cerrado maranhenses, e ainda a um dos maiores sítios paleobotânicos do Brasil, logrou sucesso contra as forças do latifúndio e do agronégócio.

Abrangendo - no todo ou em partes - os municípios de Duque Bacelar, Coelho Neto, Buriti e Afonso Cunha, desde seu surgimento em 2008 a APA logo tornou-se exemplo de mobilização e conquista para outros ativistas no estado e fora dele. 

Meu amigo Francisco Carlos Machado foi um dos ativistas de primeira hora, que doaram seu esforço ao sonho, até vê-lo materializado. Literato e pesquisador, a proposta - holística pela própria natureza - de vida e missão de Francisco, acabaram levando-o à realização de uma antologia poética reunindo a produção de autores dos municípios da APA. Mas, vejamos como isso se deu. 

Em eventos culturais regionais, nos quais autografava alguns de seus livros, Francisco Carlos foi tomando contato com poetas locais, poetas cuja produção tinha poucos ou mesmo nenhuns espaços de veiculação; a ideia de congregá-los então surgiu e logo maturou. Vislumbrada a meta, o poeta lançou-se em pesquisa, vasculhando bibliografias e indo diretamente ao encontro dos autores ou seus descendentes, em visitas que renderam - além de informações e textos - horas profícuas e aprazíveis de conversas, regadas a café, saudosismo e à fantástica hospitalidade tão comum nos interiores do Norte e Nordeste.

Reunindo poemas de nada menos de 28 autores, enriquecida com fotos e biografia, a obra recebeu fina edição pela EDUFMA (Editora da universidade Federal do Maranhão).

Abaixo, alguns poemas do livro.


BURITI

 

Lili Lago

 

Recordo-me de ti, ó minha terra,

das gostosas tiquiras que aí tem.

Das festas do sertão, da linda serra

e dos buritizais belos também.

Recordo-me de ti, ó minha terra,

o que o carro-de-boi cantando vem,

a beleza que o rio do Morro encerra

e das caboclas que eu tanto quis bem.

 

Saudades tenho da pinga de cana,

do Bumba-Boi, das noites de São João

e da pomposa festa de Sant'Ana.

 

Recordo o arroz gostoso com piqui,

e não posso esquecer no coração

o teu nome, querido Buriti.

 

e diviso também os juçarais

cobertos de beleza e de poesia.

 

Com estridente canto matutino,

a cigarra desperta a soledade.

Um sabiá entoa bonito hino

com notas de tristeza e saudade.

 

Do lado do nascente, bem ao longe,

ouve-se o soluçar da juriti.

Um sino pelas mãos de velho monge

plange lá na Matriz de Buriti.

 

 

Mal-de-vina

 

Bill de Jesus

 

É de manhã...

Um grito de menino soa pelas tantas,

que despertando o caminho pirento,

vive uma sinfonia dolorosa.

 

O sol espalha-se encontrando o homem da casa

que já está muito cedo na boca do igapé,

arrastando a rede,

e de lá retirando o sustento do pão do meio-dia.

 

Lá na esquina, a música de Bartor Galeno

estraçalha corações de mariposa

que não foram felizes na calada da noite

e amanheceram no desespero.

 

- Chorei! Ah, como eu chorei, Maria!

Por culpa da vontade louca pelo orgasmo,

enganada na expressão,

- Até quando Deus quiser!

Carregando na barriga mais um do povo.

 

Na cozinha! (já quase meio dia),

O cachorro pirento vive uma sinfonia dolorosa

(desta vez, lenta e triste);

Nas pedras, uma panela repousa

calejada pelo tempo,

na espera seca como as palhas das paredes,

a peixada magra na água e sal.

 

E a cara do verminoso!

Como panos surrados no varal. Poídos?

Todos. Da lavagem do Mearim quase morto,

que sabe só e guarda com tanto segredo

as mágoas dessa gente.

 

E você!

Parado aí, nessa almofada mofada de peidos,

com a garganta presa na gravata

que te impõe e delega podres poderes

nesta cidade apagada de “Das graças”.

 

E que te impede de ser gente?

Nada! Apenas o conformismo.

 

 

Baião do Moacir

 

Moacir Viana

 

Já fui lavrador, fui soldado.

balconista e fui vaqueiro.

Agora vereador, ganhando

pouco dinheiro.

 

Meu mundo é diferente

não faço parte de nada.

E vou levando pra frente tudo

aquilo que me agrada.

 

Meu Duque, minha terra

amada de bom clima

Deus que me deu de presente

o mundo cheio de rima.

 

Este baião é um presente

presente de despedida.

Sei muito bem minha gente

que nunca fui nada na vida.

 

Não tenho letra profunda

para entrar na academia

Meus versos ficam no mundo

sem nem uma valia

 

Se dona vida quiser

conversar com minha alegria.

É só me dar a valer: velhice,

amor e poesia.

 

 

ABC Político

 

José Machado

 

ABC...

O papel está na máquina.

A política, na rua, nos bares,

Nos becos, nos lares.

No céu de quem merece,

No pé de que padece.

A política existe,

Mas a politicalha persiste

Não se sabe até quando.

O povo não canta

E nem sempre se espanta.

A esperança esmorece

E outra vez se padece.

Hoje é sábado; amanhã, domingo;

Depois, segunda, terça, quarta,

Quinta, sexta e novamente

Sábado.

Agora é janeiro.

E lá vem fevereiro, março, abril,

Outubro, novembro, dezembro...

E novamente março...

Mormaço. Maranhão. Cansaço

De tanta repetição

De tantos filhos pródigos,

De tantos filhos da puta.

 

 

Solidão Poética

 

Chico Murici

 

Queria encontrar companheiros

Para não cantar sozinho.

Não encontrei nem o pobre, nem o rico,

Nem homem culto, nem o filho do vizinho.

Como não encontrei ninguém

Cantei com os passarinhos.

 

Ação de Graças

 

Maria de Lurdes Bacelar Viana

 

A graça do Senhor em mim plantada

- semente benfazeja e generosa –

 

Se não me faz da vida um mar de rosa

dá-me força e vigor na caminhada.

 

Tu sempre me amparaste, meu Jesus.

E eu sempre me apoiei no teu regaço.

É contigo, ao calor do teu abraço,

que venho carregando a minha cruz.

 

Benção, favores, tantos e abundantes,

que dão sentido novo à minha vida,

Presentes sempre, em todos os instantes,

mostram-me o rumo certo na partida.

 

Mas de todos os dons que Tu me emprestas,

das graças que recebo com fervor,

aquele que mais me deixa a alma em festas

é o dom de amar, Senhor.

 

Pode amar a tua Criação.

E através dela amar a criatura.

Abrir de par em par o coração

num extravasamento de ternura.

 

Amar a vida, que é bela,

o céu, sol, o luar.

Amar até a procela

que encrespa as ondas do mar.

 

Amar a flor, na beleza

da sua policromia.

Amar toda a natureza

em perfeita sintonia.

 

Também a ave canora,

a fonte que rumoreja,

- A vida, onde quer que esteja

a Tua mão criadora.

 

Amar assim a toda a Humanidade:

em cada ser humano ver o irmão

- Meu próximo, a quem devo caridade,

a quem devo acolher com devoção.

 

Amar, servir a essa Humanidade

de alma aberta e coração contrito.

Num sentimento de fraternidade:

- levar o meu amor ao infinito.

 

E, dando cumprimento ao teu preceito

firmado na divina lei do Amor,

eu quero meu amor seja perfeito:

- eu quero amar, Senhor.

 

Eis que me vejo ao fim desta jornada,

sentimento que transpus a encruzilhada

- E parto rumo a ti.

Se deparei tropeços no caminho,

não me faltou jamais o teu carinho.

- Então, sobrevivi.

 

Agora só te peço que me faças

amar-te num total desprendimento.

E deixa-me entoar neste momento

meu canto de Ação de Graças.

 

 

Angústia

 

Vilmar Machado

 

Deus! É tão triste o meu penar de crente.

Deus! Escuta a dor que sempre me envolveu,

Eu creio em tua grandeza cegamente,

Procuro obedecer aos mandamentos teus.

 

Perdoa-me, Senhor, se ouso confessar

um desejo de não mais crer no teu amor.

Quantas vezes, Senhor, me vistes soluçar

uma dúvida cruel que me abraçou

e de mim se apoderou.

 

Tudo aconteceu quando naquele dia

deixando doente mamãe, na capela em oração.

Saúde pra mamãe chorando eu te pedia.

Porém, ela já estava morta quando eu voltei.

 

Chorei desiludida, saudade, solidão.

Não entendi por que não me ouvistes.

Eu acreditei quando mamãe me disse

— “Ele sempre atende o filho que está triste.”

 

Perdoa-me, Senhor, eu sou uma pecadora.

Eu quero crer na salvação que me deste.

Morrerei tranquila se soubesse que em Ti

gozarei com ela do prazer celeste.

 

Senhor, eu reconheço a minha dor.

Sei também o quanto padecestes.

Mas a dor de órfão não sentistes nunca.

Pois foi nos braços de mãe que Tu morrestes.


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