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segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Fabulário Índigo, novo livro de contos de Sammis Reachers

 



A presente coleção de contos, caprichosa ou inconsequentemente designada Fabulário Índigo, é um pequeno tour de force cujas narrativas transitam desde a ficção científica utópica e distópica à hodierna crônica da violência urbana, da fábula moral ao experimentalismo metafísico, do suave horror ao humor mais escrachado. Tais eixos genéticos/genéricos não são de todo insulares, independentes, mas costumam se interpenetrar ao longo dos trinta e um contos aqui reunidos.

Costumo dizer que escrever poesia é encontrar imagens, enquanto escrever prosa é encontrar saídas. Poeta com infiltrações na prosa, aqui busquei saídas, embora, fiel à minha nomeadura, não me esqueci nem escarneci do poder fundacional e transcendental das imagens.

Em termos bibliográficos, iniciei minha produção ficcional com O Pequeno Livro dos Mortos, volume de contos publicado em 2015. De lá até aqui, a produção se desdobrou em momentos de maior ou menor euforia, ao sabor dos ventos benfazejos/malsãos da inspiração. Este Fabulário, espero, é a continuação e o alargamento não de um esforço, mas de um tão humano prazer de contar.

*   *   * 

Alguns dos contos do livro receberam boa acolhida em concursos e revistas literárias.

O conto que abre a obra, A Segunda Vida de Gregor Samsa, foi escrito imediatamente após a publicação de O Pequeno Livro dos Mortos, e foi publicado na Revista Philos v.3 n°.24 (2017). Em 2020, saiu na Revista LiteraLivre (v. 04, n. 21).

Sahhir, o Perscrutador, encontra-se com Deus foi igualmente publicado pela Philos, ainda em 2017 (Philos v.3 n°.24), sendo veiculado também na Revista Ligeiro Guarani (v. 03, n. 03, 2020).

A Solução Final foi publicado na revista Brasil Nikkei Bungaku (n.64, 2020), bem como no site Escrita Cafeína.

A Ilha obteve a primeira colocação em sua categoria no II Concurso Literatura de Circunstância, organizado pela Universidade Federal de Roraima; recebeu ainda Menção Honrosa no 19º Concurso Literário Paulo Setúbal, promovido pela cidade de Tatuí – SP, ambos em 2021.

O conto Na Véspera de Um Dia Santo Numa Cidade Fulminante foi um dos vencedores do concurso promovido pela Editora Dando a Letra, sendo publicado na antologia Quem Será Pela Favela?.

Seu Onório do Bairro Antonina foi igualmente um dos vencedores do primeiro concurso Contos Fantásticos Niteroienses, sendo publicado em livro pela Vira-Tempo Editora.

O conto Estranho Horror na Senzala da Fazenda Colubandê foi publicado na Revista Mystério Retrô em sua edição de n.15/2021.

Como Quem Guarda Uma Cidadela foi publicado no primeiro volume da Revista Estrofe, em 2022. E também saiu na Revista Sarau Subúrbio, em 2021.

Para além disso, a maioria dos contos foi publicada em minha coluna no Jornal Daki, veículo de informação e opinião de terras gonçalenses.


O livro impresso (formato 14x21cm; 204 páginas) está disponível para aquisição diretamente com o autor, ao preço de R$ 30,00, já com valor de frete incluído. Escreva para o e-mail:  sreachers@gmail.com ou pelo Whatsapp, (21) 98766-5576 .

Se você desejar o livro eletrônico, ele está disponível pela Amazon, ao preço de R$ 4,99, ou gratuito para aqueles que possuem a assinatura Kindle Unlimited. Confira AQUI.


quinta-feira, 21 de setembro de 2023

O Livro e o prazer da leitura em 600 citações: Antologia reúne frases e poemas sobre o livro e a leitura

 

O livro é a porta para o que é o homem, o que é humano. É o testemunho máximo de nossa história e evolução, raízes e anseios – e nosso alcance. Faltam-nos palavras para descrever o livro. Bem, este é justamente um dos motivos deste livro sobre o livro (e sobre a leitura): coligir reflexões as mais diversas sobre o nosso amigo de todas as horas, bem como sobre o prazer que a leitura proporciona, oriundas de autores, tempos e culturas os mais variados.

A reflexão sobre o livro e o incessante e multiforme incentivo à leitura precisam estar na base, no “chão” da cultura, para que o edifício se erga e sustenha. Afinal, o livro é o objeto cultural elementar.

Pais e educadores, leitores e escritores, livreiros, editores, políticos, jornalistas – profissionais e amantes do livro e qualquer um preocupado com os destinos da educação e do próprio país encontrarão aqui um ferramental de boa e urgente reflexão. “Munições” (frases e também poemas) para lembrarmos, celebrarmos e promovermos a cada dia mais a Sua Excelência, o Livro.

O livro impresso está disponível no site da Editora UICLAP. Confira: https://loja.uiclap.com/titulo/ua39713/

Formato: 14x21; 112 páginas.


Este livro impresso é uma edição ampliada do e-book "O Livro e o prazer da leitura em 400 citações", disponível na Amazon.

sábado, 15 de abril de 2023

Lançamento: Livro CITAÇÕES MISSIONÁRIAS - Mais de 2000 citações sobre a obra missionária da igreja de Cristo

 



Conecte-se com a sabedoria de mais de uma centena de autores e inspire-se com mais de 2.000 citações missionárias! 

Prepare-se para mergulhar em uma riqueza de pensamentos e reflexões que irão tocar seu coração e renovar sua fé. Com nosso novo livro de citações, você terá acesso a uma coleção poderosa de palavras que o levarão em uma jornada emocionante e transformadora. E ao mesmo tempo em que alimenta sua alma, você estará fazendo a diferença na vida de outras pessoas. Ao adquirir o livro por apenas R$ 40,00, você estará apoiando a agência missionária SEMADEC • São Gonçalo/RJ - filiada à AMTB - a levar amor e esperança a lugares carentes do nosso país. O frete já está incluso, basta escolher o método de pagamento que preferir: 

Pix: sreachers@gmail.com (em nome de Sammis Reachers Cristence Silva) 

ou Depósito Bancário: Caixa Econômica Federal, agência 1337, Conta poupança 00036276-7, Operação 013 

Em seguida, precisa enviar o comprovante do pix/depósito e o seu endereço para a remessa, seja para o e-mail acima ( sreachers@gmail.com ), ou para o meu Whatsapp: 21 98766-5576.

Não perca mais tempo, adquira já o seu livro de citações missionárias e prepare-se para uma jornada emocionante e transformadora.

Confira os temas abordados na obra:

AVIVAMENTO – BATALHA ESPIRITUAL – BÍBLIA – CHAMADO E DECISÃO – CONTEXTUALIZAÇÃO – DISCIPULADO – ENVIADORES E MANTENEDORES – ESPÍRITO SANTO – ESPIRITUALIDADE – EVANGELIZAÇÃO – FAMÍLIA E RELACIONAMENTOS – GRANDE COMISSÃO – IDE – IGREJA – JESUS – LITERATURA – MARTÍRIO – MINISTÉRIO      – MISSÃO, MISSÕES – MISSIO DEI – MISSIOLOGIA – MISSIONÁRIOS – MISSÕES DE CURTO PRAZO – MISSÕES URBANAS – MOBILIZAÇÃO MISSIONÁRIA – MOTIVAÇÃO – NÃO ALCANÇADOS – OBRAS DE MISERICÓRDIA (CARIDADE; AÇÃO E JUSTIÇA SOCIAL) – ORAÇÃO – PASTORES E LÍDERES – PERGUNTAS REINCIDENTES – PERSEGUIÇÃO – PERSEVERANÇA – PREGAÇÃO / PROCLAMAÇÃO – PREPARO MISSIONÁRIO – PROVIDÊNCIA DIVINA – QUEBRANTAMENTO – RENÚNCIA (SOFRIMENTO, SACRIFÍCIO) – SERVIÇO (MORDOMIA CRISTÃ) – TEOLOGIA – TESTEMUNHO – UNIDADE (COLABORAÇÃO NA MISSÃO, COMUNHÃO) – URGÊNCIA – VOCAÇÃO.







sexta-feira, 12 de novembro de 2021

FLISGO - Festival Literário de São Gonçalo chega à sua terceira edição

 

Durante os dias 19 a 22 de novembro serei um dos participantes da terceira edição do FLISGO,  o Festival Literário de São Gonçalo. 

Organizada pelo ativista cultural Alberto Rodrigues, a FLISGO busca mobilizar a cultura gonçalense e dos municípios vizinhos, e dar espaço aos que militam pela nossa cultura, com amplo destaque para ações afirmativas e buscando a democratização da cultura ao facultar acesso aos bens culturais às camadas menos assistidas da população. 

Além dos expositores de livros, haverá diversas oficinas culturais, contação de histórias, música e muito mais. E o melhor: O evento é gratuito.

E mais: Após o evento presencial, em sequência haverá o evento online, com a transmissão de lives, saraus e oficinas.

Programação Presencial – 19 a 22 de novembro – De 10h às 19h / Totalmente Gratuito.

ENDEREÇO: Conjunto Residencial Venda da Cruz – Minha Casa Minha Vida – Antigo 3º. Batalhão de Infantaria, Venda da Cruz, São Gonçalo, RJ


Durante o evento, estarei expondo e comercializando meus livros Poemas da Guerra de Inverno, Rodorisos e Cartas e Retornos, e farei o lançamento de um novo livro, o misto de memórias e crônicas de humor Renato Cascão e Sammy Maluco: Uma dupla do balacobaco.

Em breve, postarei aqui mais novidades sobre o novo livro.


Abaixo, uma chamada em vídeo para o evento, bem como uma palinha sobre os livros que lá exporei.

quinta-feira, 10 de junho de 2021

Literatura (d)e viagem de Eliana de Castela: Pelos Rios ao Sabor da Fruta

 


Pelos Rios ao Sabor da Fruta é um convite inusitado: Um convite a juntarmo-nos, como viajores agregados ou clandestinos, numa viagem que atravessa, ao ritmo das estradas de chão e d'água, o Brasil longitudinalmente, desde o Acre até o Ceará.

Esta aprazível viagem de oeste a leste do Brasil é empreendida pela autora, Eliana de Castela, acompanhada por seu companheiro Jorge de Oliveira (Mané do Café). Ambos artistas e escritores, pesquisadores das coisas da Terra e do homem.

Em busca de sua(s) ancestralidade(s), a autora - filha de um cearense que, assim como tantos conterrâneos, migrou para o Acre nos tempos áureos da borracha - vai tecendo impressões enquanto absorve paisagens, cria ou vivifica amizades, e experimenta as frutas de cada terra por que passa. Não se trata aqui de um romancear a realidade: As mazelas desses muitos Brasis são percebidas e discutidas pela autora, ciente de seu papel como observadora crítica e ativa das realidades com que se depara.

O livro, ilustrado, possui 130 páginas e foi publicado pela prestigiosa editora portuguesa Chiado. Para os que desejarem adquirir, podem acessar o site da editora, aqui.


Aqui um dos capítulos do livro, 

                                              O Cariri que nos habita


"Só deixo o meu Carirí,

no último pau de arara.

Enquanto a minha vaquinha,

Tiver o couro e o osso,

e puder com o chocalho,

Pendurado no pescoço,

Eu vou ficando por aqui..."

 

A música, de José Guimarães, Corumba e Venâncio, que foi cantada por Luiz Gonzaga e Fagner, entre outros grandes cantores da música nordestina, que trago um pequeno trecho, abrindo esse capítulo, faz parte do meu imaginário infantil. A música deu asas ao pensamento, que ficava como dunas ao sabor do vento, fazendo e desfazendo imagens sobre o Nordeste brasileiro, especialmente o Ceará, antes de eu conhecer aquele pedaço do Brasil.

Assim como a música, também os livros, O Quinze, de Raquel de Queiroz e Vidas Secas, de Graciliano Ramos, colaboraram com o sentimento de carinho para com aquela região. É a arte e a literatura dando beleza na representação do sofrimento humano. Tais obras, a qualquer leitor, mesmo aquele que nunca tenha pisado o sertão, faz sentir a aridez do ambiente, o sofrimento e o apego dos sertanejos ao lugar, bem como, desperta curiosidade de desvendar quais são os motivos que fazem o sertanejo ali permanecer em meio a tanto sofrimento.

Completando a lista dos escritores que construíram o meu imaginário sobre o sertão nordestino, destaco o poeta cearense, Fernando cie Castela, que por muitos dias de nossa infância — minha e de meus irmãos — ilustrou com seus poemas c causos, a vida das famílias, na peleja com a seca, a roça que não vinga e o gado que perece. Assim como as histórias das longas caminhadas pela caatinga, de homens sem esperança, com seus filhos desfigurados pela fome, de mulheres que têm os rostos tão áridos, quanto as gretas de concreção que se formam no chão daquelas terras. É a chuva, um dos motes da poesia matuta, de Fernando de Castela, que nos faz entender um pouquinho daquele lugar:

 

"...Tá chuvendo em minha terra!

Chove no meu Ceará...

Meu., irmão arretirante

qui fugira do sertão

tão vortando em arvoroço.

Festa de viola e sanfona

dentro dos seus coração.

Tá chuvendo em minha terra,

tá chuvendo no sertão..."

 

As pessoas resistem à espera da chuva, enganam-se com o desejo de uma nova aurora, partem, mas afirmam que retornarão para casa se a chuva cair... Quimeras, apenas quimeras. Elas não deixam o seu cantinho, enquanto há um fio de esperança. Mas por que é assim? Essa intrigante pergunta que muitos devem fazer e que eu me fiz sempre, foi encontrando respostas ao longo da vida e de forma mais aprofundada, quando visitei o Cariri. Mas nem tudo resposta e outras perguntas surgem.

Aquele lugar árido, que a plantação não vinga, que a criação morre, que as crianças choram de fome, tem o mesmo encanto, riqueza e beleza, para o sertanejo, assim como tem para as pessoas que nasceram e vivem, num lugar de fartura. A nossa aldeia, seja no Cariri, seja na Amazônia ou no litoral do Ceará, é o lugar que alimenta os sonhos e que convida os filhos a ficarem. Para quem é do Cariri, é lá que se adquire o sentido de pertencimento e de identidade com aquele todo, seja o prazer ou a dor. São estes alguns dos fatores, não determinantes, mas hierarquicamente superiores, para a decisão de não partir.

Ao longo da viagem, outros momentos e questionamentos fortaleceram a compreensão de pertencimentos, como aconteceu quando alguém me perguntou — o que tem de interessante no Acre para se visitar? Qual é o atrativo turístico que convida os visitantes? Parei por um instante, depois de pensar na família e nas pessoas amigas, rapidamente o meu pensamento percorreu florestas, que tantas vezes admirei e que me inspiraram a escrever poemas, igarapés que me refrescaram nas horas de lazer, de tantos fins de semanas, o rio da minha aldeia, hoje assoreado e poluído, mas foi dele, antes de tanta poluição, que emergiram ideias, para o trabalho e para o lazer.

Continuei listando mentalmente, as incontáveis horas de banhos no rio, alheia à preocupação da minha mãe e dos riscos prováveis, movida pela ânsia de brincar, juntamente com outras crianças, as trocas, pois as brincadeiras das crianças dão sentido ao rio. As praias do centro da cidade, hoje não são mais apropriadas ao banho, mas foi nelas que eu brinquei, antes de serem descoloridas pelos esgotos. Quando olho para as praias hoje, vejo o passado e idealizo o futuro. A infinidade de sentidos vai além do rio, está nas comidas, nas praças, ruas... Tudo do lugar, é a referência e parâmetro, até mesmo para me sentir em casa, em qualquer outro lugar do mundo, o que pode parecer contraditório. É por isso, que o nordestino só deixa o seu "Cariri no último pau de arara".

A região do Cariri, assim como muitas outras por onde passamos, tem denominação de origem indígena. O povo Kariri ou Quiriri, embora tenha resistido e lutado contra os invasores, foi escravizado, roubado e morto. Seus territórios foram ocupados pelas cidades, atualmente com várias denominações indígenas.

A região do Cariri abriga um importante sítio arqueológico, onde se encontra soterrada grande parte da história dos juntamente com a cerâmica e outros utensílios. Muitas dessas peças de cerâmica extraídas cio sítio arqueológico estão expostas nos centros culturais, constituindo importante atrativo turístico. Quanta contradição!

O Cariri foi o sítio por nós escolhido para sentir um pouco da vida do sertão do Ceará. Mas a região abrange também, alguns municípios de Pernambuco, Paraíba e Piauí. Dos nove municípios do Ceará que integram a Região Metropolitana do Cariri, visitamos apenas quatro cidades. O Crato foi o local escolhido para pouso, face à centralidade em relação às demais cidades visitadas - Juazeiro do Norte, Nova Olinda e Santana do Cariri onde fatos interessantes ilustraram nossos dias, justificando o registro.

Andar no rastro dos antepassados, que vieram do Ceará para o Acre, foi como se eu tivesse ido à "escavação arqueológica" sem instrumentos adequados, por não dispor de referências, na procura de vestígios que identificassem minhas ligações com eles, foi algo quixotesco. Não elaborei nenhum projeto de pesquisa, nem sequer um roteiro para isso, tudo foi feito no campo das elucubrações. O instrumento investigativo, que considerei uma brincadeira foi a percepção, os sentidos aguçados, para perceber qualquer coisa que remetesse ao que ouvi quando criança. Comecei então, a estabelecer urna relação das frutas com as pessoas e os fatos.

O meu pai dizia que no quintal da sua casa, quando ele era criança, tinha frutas que ele só poderia comer se "roubasse" e citava as frutas. Já a minha mãe contava que ela e os seus irmãos brincavam com as melancias, na praia do rio Taco, jogando urna contra outra para parti-la, comer e até desperdiçar. Minha mãe viveu em grande fartura alimentar, sempre deu destaque a isso, diferente da vida do meu pai, que sempre deu destaque à fome.

Seriguela, sapoti, umbu, umbu-cajá, tamarindo... É como se eu quisesse ao comer a fruta, fazer uma viagem ao passado através do paladar, desvendar os mistérios e destruir os hiatos deixados pelo tempo, revelando histórias não contadas. Tudo ao sabor das frutas, como as beberagens e o rapé dos pajés, trazer à luz, o que é preciso saber para a vida.

Mas para que isso tudo? Talvez porque a busca pela ancestralidade seja a tentativa de conhecer a nós próprios. Porém o caminho da busca ancestral, às vezes é temeroso de ser inútil, de continuar incompreendido, de poder nos levar a um passado mais profundo, no momento que não encontramos as respostas. O melhor é desfazer as dúvidas. porque o caminho do conhecimento é hipotético. As reflexões surgiram quando cheguei ao Ceará, mas eu apenas segui, elas foram aprofundadas ao escrever.


quinta-feira, 15 de abril de 2021

Prêmio Rei David de Poesia Bíblica Ibero-americana 2021: Participe

 


TIBERÍADES (Rede Ibero-americana de Poetas e Críticos Literários Cristãos) e a Sociedade Bíblica de Espanha (SB) anunciam o II Prêmio Rei David de Poesia Ibero-americana, de acordo com as seguintes Bases:

1.- OBJETIVOS

As entidades convocadoras reconhecem o valor incontornável da palavra poética no corpus geral do Livro dos Livros e, através desta premiação, procuram incentivar a sua leitura sem estigmas ou antolhos, o que pode levar à escrita de novos livros de alta tensão lírica e ética, tão necessários nestes tempos. Para isso, e a título de orientação, relembram o que foi expresso por José Ángel Valente: “A Palavra poética permanece perto de Deus e é Deus. O Evangelista João diz: no Princípio era o Logos, o Verbo. E a palavra estava perto de Deus e era Deus. Eu acredito nisso pelo valor de face. Ao apartarmo-nos disso, nos afastamos da capacidade criativa”. E também o que foi escrito por León Felipe: “Gosto de quebrar aquelas crostas que a rotina milenar e a exegese ortodoxa dos púlpitos têm posto nos poemas bíblicos para que as essências divinas e eternas voltem a circular livremente. Afinal, repito que estou em casa. Quando o poeta volta à Bíblia, nada mais faz do que voltar à sua antiga palavra… ”.  

2.-PERIODICIDADE E TEMA

O prêmio tem uma periodicidade BIENAL, porque assim as entidades convocantes se encarregarão de promover o livro vencedor, tanto em Espanha e Portugal, como na América Latina e EUA. Este é um dos vários sinais distintivos da relevância que tem o prêmio. O tema é destacado em seu rótulo, acrescentando que pode ser do lado amoroso (seguindo o Cântico dos Cânticos) ao dramático (com o Livro de Jó); do lirismo dos Salmos à poesia aforística dos Provérbios e muito mais.

3.-PARTICIPANTES

Serão aceitas obras apresentadas por poetas nascidos em qualquer país do mundo, desde que enviem suas obras escritas em ESPANHOL ou PORTUGUÊS, as quais deverão ser rigorosamente inéditas e não estar pendentes de decisão em outra premiação. Cada autor pode participar com um ou mais livros. Essa liberdade também se aplica aos poetas que podem aderir à Rede Tiberíades. Os originais enviados ao concurso serão excluídos dez dias após a decisão.

4.- EXTENSÃO

Os trabalhos inscritos no concurso devem ter no mínimo 500 versos e no máximo 900.

5.- PRAZOS

Eles serão recebidos entre 23 de março e 10 de junho de 2021 . Para este último dia, será considerada a diferença de fuso horário com a América Latina. A apresentação dos trabalhos para este Prêmio implica na aceitação integral de suas bases. Os trabalhos apresentados serão submetidos à apreciação de uma Comissão de Leitura que proporá ao júri os doze trabalhos que, pela sua qualidade, merecem consideração especial como finalistas para a decisão final. Essas obras serão anunciadas no dia 22 de junho. A decisão será anunciada em Salamanca em 29 de junho de 2021 .

6.- ENVIO DE ORIGINAIS

Os livros devem ser enviados para o e-mail:  premioiberoamericano.reydavid21@gmail.com , indicando no assunto: II Prêmio Rey David de Poesia Bíblica Ibero-americana. Os trabalhos serão assinados com pseudônimo na primeira página, imediatamente após o título do trabalho, e deverão ser apresentados em formato word ou pdf, com espaçamento duplo e na fonte Times 12. Os dois documentos devem ser anexados em um único e-mail , tanto o Livro a contestar quanto o documento com os dados pessoais e de contato do autor (pseudônimo, nome, nacionalidade, país de residência, breve currículo, e-mail e telefones de contato).

7.- PRÊMIOS

O prémio será dotado de 1.500 euros (mil e quinhentos euros), a cargo do Fundo Jacqueline Alencar de Promoção da Poesia Bíblica, e a edição do livro vencedor ficará a cargo da Sociedade Bíblica de Espanha. O poeta vencedor receberá o prêmio em meados de outubro de 2021, durante o XXIV Encontro de Poetas Ibero-Americanos que se realizará em Salamanca. Além disso, receberá uma pintura original com tema alusivo ao prêmio, obra do renomado artista plástico Miguel Elías, professor da Universidade de Salamanca. Outras benesses do prêmio são o convite para o prestigioso Encontro de Poetas Ibero-Americanos, convite que incluirá a inclusão de uma amostra antológica do vencedor na Antologia Geral do Encontro e sua estada em Salamanca, juntamente com a tradução em português ou espanhol do livro vencedor. Tal tradução será incluída na obra publicada.

8. DIREITOS AUTORAIS

Os encargos tributários correspondentes serão descontados do valor da premiação, e esta terá o caráter de pagamento dos direitos autorais da primeira edição, acrescidos da entrega de 25 exemplares da obra premiada.

9. JÚRI

O Júri será composto por destacados representantes do campo da poesia e da crítica literária ibero-americana, bem como das entidades organizadoras.

Para esta primeira edição haverá:

Alfredo Pérez Alencart
(Peru-Espanha: poeta e professor da Universidade de Salamanca. Diretor de TIBERÍADES)

Antonio Colinas
(Espanha: Prêmio Poeta, Reina Sofia de Poesia Ibero-americana)

Carlos Nejar
(Brasil: Poeta, Prêmio Jorge de Lima da União Brasileira de Escritores
 e membro da Academia Brasileira de Letras)

António Salvado
(Portugal: Poeta, Medalha de Mérito Cultural do Governo Português)

Sonia Luz Carrillo
(Peru: Poetisa e professora da Universidade de San Marcos de Lima)

Hugo Mujica
(Argentina: Poeta, Prêmio Casa de América de Poesia)

Juan Antonio Massone
(Chile: Poeta, professor e membro da Academia Chilena de Línguas)

Francisca Noguerol
(Espanha: Professora de Hispano
- Literatura Americana na Universidade de Salamanca)

Luis Rivera-Pagán
(Porto Rico: Professor Emérito do Seminário Teológico de Princeton
e autor de vários ensaios sobre literatura e a Bíblia)

Ana Cecilia Blum
(Equador: Poetisa, ensaísta e editora, residente nos EUA).

Andy Wickham
(Espanha: Conferencista e gerente cultural cristão)

Luis Fajardo
(Espanha: Diretor Geral da Sociedade Bíblica da Espanha)

Juan Carlos Martín Cobano
(Espanha: filólogo, poeta e tradutor. Secretário-geral de TIBERÍADES)

Isabel Pavón (Espanha), poetisa, colunista e conselheira de TIBERÍADES, atuará como Secretária do Prêmio.

A decisão do prêmio será tornada pública em Salamanca em 29 de junho de 2021 . O júri tem competência para declarar nula a premiação, se assim avaliar pertinente.

Confira a postagem original em: http://tiberiades.org/?p=4660



sábado, 27 de março de 2021

CARTAS E RETORNOS, novo livro de Sammis Reachers

 



O seminal poeta curitibano Paulo Leminski é autor, dentre outros, do livro Distraídos Venceremos. Tal título ou expressão singular me veio à memória ao refletir sobre o volume que o leitor agora tem em mãos: Foi sem perceber ou dar-me conta, assim, distraidamente, que cheguei a este meu décimo livro de poesias. A surpresa deve-se ao fato de que sempre consegui maior prazer atuando como antologista e editor do trabalho alheio do que focalizando minha produção autoral, que correu como que por fora, nesses pouco mais de vinte anos de atividade literária.

Neste Cartas e Retornos, o leitor perceberá que busquei construir fundamentalmente um livro de adjetivações, frutos – ou sementes? – de uma poesia onírico-descritiva, arte/artesanato sequencial de definições poéticas sobre temas ou objetos variados, os “destinatários” aos quais as cartas fazem referência.

Nessa busca de comunicar a magnificação de cada destinatário, não apenas imagens, mas, fazendo jus à licença que pesa sobre os poetas, palavras precisaram ser criadas, seja em neologismo, seja numa das muitas outras formas de parto de palavras que nossa língua conhece e experimenta. Um experimentalismo não de sabor insosso como por vezes vemos sendo praticado mas, sim, uma prazerosa peregrinação em busca do surpreendente – amparada em palavras e expressões que o suportem.

Desde muito jovem tomei para mim uma assertiva do filósofo brasileiro Vilém Flusser: “A poesia aumenta o campo do pensável”. Deste esforço de expandir percepções, de aumentar as formas de bombear de um coração com o sangue dos signos, jamais pude me libertar, malgrado minhas humildes possibilidades criativas.

Às mais de cinquenta Cartas, diversas, como dito, em tema ou objeto, seguem-se alguns Retornos: Poemas de maior hermetismo, onde o jogo de luzes e sombras (chiaroscuro) ganha maiores ares. O livro se conclui com poemas outros, de variada temática e envergadura.

Que este humilde livro possa, com sua carga onírica e algo perturbadora, balançar alegremente suas percepções e empurrá-las, assim, como quem não quer nada, para a expansão.

O livro impresso possui 110 páginas, e está disponível ao preço de R$ 22,00, JÁ com o valor do frete por Correios incluído. 

Para adquirir o seu, escreva para o e-mail:  sreachers@gmail.com

E mais, o PDF do livro é GRATUITO. Para baixar seu exemplar, CLIQUE AQUI.


Alguns poemas do livro:


Carta à Biblioteca

 

Hangar

Antropopeia

 

Sala de se estar

Lar dos abraços perenais

Casa de Deus quando de passagem

 

Sapiarquia

         Vestido de vestígios

                      De Adão a este dia

 

Estratificada usina de desestratificar

O oceano das coisas

 

Baralho de cismas

             Tarô triliardário

Cartório de máscaras

Mausoléu-berçário e

Fabulário e cais de tudo

 

“Dispensa das almas”,

            Ordenha das almas

                                  Casa de máquinas da alma

 

                            Avesso da caverna platônica,

                                                       Lócus de resistência:

                                            (Toda biblioteca é uma) Trincheira

 

Abraçai toda a esperança

Vós que entrais

 


Carta à Chuva

 

Coração do ciclo

escada de Jacó

sagrado elo dos elos da atmosfera

 

maré vertical

megaérea foz

 

vivificadora dos que vivem

lânguida metralha

 

terapia de tudo

imperatriz perfuratriz

perfuumidificadora

 

poliárquica beijoqueira

reordenadora dos relevos

facilitadora dos aconchegos

 

debeladora das chamas da morte

 

apressadora dos desavisados

festim dos pueris, dos pu(e)rificados

de idade ou espírito

 

cascata multitudinária

catarse líquida

 

não aparte de nós

sua presença transitiva

nem sobeje

sobre nossas ruas impermeabilizadas

 


Carta à Cidade Engrandecida

 

triturandário

labirintopia

 

indústria encapatória

Saloon dos Emancipados

grande cabeça-de-ponte-para-trás, retorno ao útero

caixa rotatória

 

jogo do fasto e do nefasto

skyline das mais altas

                                   empáfias

veneno de rato pra finalizar os pequenos

                                 marsupiais

chamados de empatia

 

ultraurbe

gestante duma gravidez de risco

cujo parto nunca acontece

mas todo dia quase

 

o dia todo um susto

saciado a pão e circo e cocaína

 

(r)efervescência, prostituição

do espaço em esmerada arquitetura

prostituição dos últimos,

teus pilares:

quebra sistêmica da cadeia fraternal

ilha fiscal

solidão arquitetada

fogo frio

heterotumba de LED

dos mortos-vivos

despátria púnica



Carta à Lusofonia (e à Língua Portuguesa)

 

Nau Saudade

Sóror Encantamento

por mares nunca dantes navegados,

nos conquistastes: eis-nos,

varões e varoas assinalados,

vassalos teus, por ti soprados

ó bruma diaspórica e multitudinária

 

Lubrica nau, rubra e rotunda,

fremente e hiper étnica,

alonjada dos de sangue frio e caucasio-torpe

desnuda das frescuras de francos e teutões

de ingleses e mais vis quetais

 

Honramos teu

código circunvalioso

barroco, rococó, léxico de alumbrar

renitente emissária da cruz

derradeira vindima do Latim, flor

última do Lácio, inculta a despudorada

transcontinental oráculo camoniano,

sibila de um panteão de párias,

silabário da paixão, pacto

firmado sob o sangue dos morfemas

berçário de crioulos e pidgins*

 

marinhagem, malandragem, madrigal

prosódia de abraçar

 

ônibus, autocarro, machimbombo, toca-toca, otocarro, microlete*

veículo de 250 milhões de almas, sob cujo conjunto

jamais o sol se põe


*Designação dos ônibus respectivamente em Brasil, Portugal, Angola/Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau/São Tomé e Príncipe, e Timor Leste.



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