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terça-feira, 10 de outubro de 2017

Febre de Mar, poema de John Masefield


Febre de mar 

Eu devo ir para o mar novamente, para o mar e o céu solitário,
E tudo que peço é um pequeno navio e uma estrela para me guiar por ela,
E o golpe do volante e música do vento e a vela branca a tremer,
E uma névoa cinza sobre o mar e uma onda cinza quebrando.

Eu devo ir para o mar novamente, para encontrar a maré correndo cheia de vida
É um convite selvagem e um apelo claro que não pode ser negado;
E tudo que eu peço é um dia de vento, com nuvens brancas voando,
E um fluxo de espuma se espalhando, e os gritos das gaivotas.

Eu devo ir para o mar novamente, para a cigana vida errante,
Para o caminho da gaivota e da baleia, onde o vento é como um corte de faca aguçada;
E tudo que peço é um riso alegre e a risada de um companheiro vagabundo,
E o sono tranquilo e o doce sonho, quando o caminho for muito longo.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Um pequeno oceânico trecho de Eduardo Galeano


“Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar.
Viajaram para o Sul.
Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.
E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:
- Me ajuda a olhar!”

... ... ...

Eduardo Galeano, o Livro dos Abraços


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