sexta-feira, 15 de maio de 2026

O que você olharia se tivesse apenas três dias de visão? - Helen Keller



 Às vezes o meu coração anseia por ver tudo aquilo

que só conheço pelo tato.


Se eu consigo tanto prazer com um simples toque,
quanta beleza poderia ser revelada pela visão!


E imaginei o que mais gostaria de ver se pudesse enxergar,
digamos, por apenas três dias.


O primeiro dia seria muito ocupado.


Eu reuniria todos os meus amigos queridos e olharia
seus rostos por muito tempo, imprimindo em minha
mente as provas exteriores da beleza que existe
dentro deles.


Também fixaria os olhos no rosto de um bebê,
para poder ter a visão da beleza ansiosa,
inocente e gostaria de olhar nos olhos fiéis
e confiantes de meus dois cães.


À tarde daria um longo passeio pela floresta,
contagiando meus olhos com as belezas da natureza
e rezaria pela glória de um pôr de sol colorido.


Creio que nessa noite não conseguiria dormir.


No dia seguinte eu me levantaria ao amanhecer
para assistir ao empolgante milagre da noite
se transformando em dia.


Contemplaria, assombrada, o magnífico panorama
de luz com que o sol desperta a terra adormecida.


Como gostaria de ver o desfile do progresso do homem,
visitaria os museus.


Tentaria sondar a alma do homem por meio de sua arte.


Veria então o que conheci pelo tato.


Todo o magnífico mundo da pintura me seria apresentado.


A noite de meu segundo dia seria passada
no teatro ou no cinema.


No terceiro dia, a cidade seria meu destino.


Iria aos bairros pobres, às fábricas,
aos parques onde as crianças brincam.


Viajaria pelo mundo visitando os bairros estrangeiros.


E meus olhos estariam sempre abertos
tanto para as cenas de felicidade
quanto para as de tristeza,
de modo que eu pudesse descobrir
como as pessoas vivem e trabalham,
e compreendê-las melhor.


À meia-noite, uma escuridão permanente
outra vez se cerraria sobre mim.


Claro, nesses três curtos dias eu
não teria visto tudo que queria ver.


Só quando as trevas descessem de novo é
que me daria conta do quanto eu deixara de apreciar.


Usem seus olhos como se amanhã fossem perder a visão
e o mesmo se aplica aos outros sentidos.


Ouçam a música das vozes, o canto dos pássaros,
os possantes acordes de uma orquestra,
como se amanhã fossem ficar surdos.


Toquem cada objeto como se amanhã perdessem o tato.
Sintam o perfume das flores, saboreiem cada bocado,
como se amanhã não mais sentissem aromas nem gostos.


Usem ao máximo todos os sentidos.


Apreciem todas as variedades da beleza que o mundo
lhes revela pelos vários meios de contato fornecidos
pela natureza...vivam!




Helen Keller, cega e surda desde bebê, em 1933
escreveu este ensaio que a revista Seleções publicou.

Via https://www.mensagemvida.com.br/Mvd/tresdiasparaver/tresdias.html

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Oração do "Quando" - Rabindranath Tagore

 


Oração do "Quando"

Rabindranath Tagore


Quando o meu coração estiver em secura e aridez,

derrama sobre ele a chuva de tuas graças e consolos.

 

Quando a graça se me for da vida,

queima-me a alma com o fogo da inspiração.

 

Quando tumultuosos trabalhos me saltearem

de todos os lados, para me absorver,

acode-me, Senhor, com tua dulcíssima paz e descanso.

 

Quando meu coração estiver triste e abatido,

aberto à dor, assim corno um mendigo que se senta

a um canto, vem a ele, ó meu Senhor,

com toda a tua majestade e aparato real.

 

Quando os desejos cobrirem minha mente

de ilusão e pó, ó Tu, Amor santíssimo, ilumina-a

com tua paz e desperta-a com o fragor dos teus trovões.

 

terça-feira, 14 de abril de 2026

Em tuas mãos, uma oração de Robert Kennedy

 


Em tuas mãos 


Em Tuas mãos, ó Deus, eu me abandono.
Vira e revira esta argila,

como o barro na mão do oleiro.


Dá-lhe forma e depois, se quiseres, esmigalha-a,

como se esmigalhou a vida de John, meu irmão.


Pede, ordena!

Que queres que eu faça?


Elogiado e humilhado, perseguido e incompreendido,
caluniado e consolado, sofredor e inútil para tudo,
não me resta senão dizer a exemplo de Tua mãe:
“Faça-se em mim segundo a Tua palavra”.


Dá-me o amor por excelência, o amor da Cruz;
não o da cruz heroica que poderia nutrir o amor-próprio,
mas o da cruz vulgar, que carrego com repugnância,
daquela que se encontra cada dia na contradição,
no esquecimento, no insucesso, nos falsos juízos,
na frieza, nas recusas e nos desprezos dos outros,
no mal-estar e nos defeitos do corpo,
nas trevas da mente, na aridez e no silêncio do coração.


Então, somente Tu saberás que te amo,
embora eu mesmo nada saiba.
Mas isto basta.


domingo, 12 de abril de 2026

200 citações sobre a velhice e o envelhecimento saudável

 


A velhice é uma das fases mais singulares da experiência humana. Nela, o tempo deixa de ser apenas medida e passa a ser memória; os dias já não se acumulam, mas se aprofundam. Envelhecer é carregar no olhar a soma das alegrias, das perdas, das escolhas e das esperanças que moldaram uma vida inteira. É quando a existência, mais do que corrida, torna-se testemunho.

Vivemos, hoje, um momento inédito da história: a população mundial envelhece como nunca antes. Avanços na medicina, na ciência e nas condições de vida ampliaram a longevidade, fazendo com que o número de pessoas idosas cresça em todas as culturas e continentes. Esse fenômeno não é apenas estatístico; ele redefine famílias, sociedades, valores e a própria compreensão do tempo humano.

Esta antologia nasce do reconhecimento de que a velhice não é um apêndice da vida, mas uma de suas expressões mais densas e reveladoras. Nas frases aqui reunidas, ecoam a sabedoria adquirida, a esperança consolidada, a ironia serena, a lucidez tardia e, por vezes, a delicada melancolia de quem já percorreu longos caminhos. São palavras que não falam apenas sobre envelhecer, mas sobre viver — com mais consciência, profundidade e verdade.

Ao fim deste volume, apresentamos uma mensagem especial, que celebra a esperança e o verdadeiro sentido da vida. Que este livro sirva como homenagem à idade madura, convite ao respeito e à escuta, e lembrança de que, em cada ruga, há uma história; em cada silêncio, um significado; e em cada velhice, um valor que não pode ser perdido.

 

Baixe o seu exemplar gratuitamente pelo Google Drive, clicando AQUI.

 

Também disponível na Playstore do Google, AQUI.

Também disponível na Amazon (gratuito para assinantes Kindle Unlimited), AQUI.


terça-feira, 31 de março de 2026

Nosso Português de Cada Dia - E-book de Célio Simões

 


O e-book "Nosso Português de Cada Dia" é uma obra essencial do advogado, escritor e memorialista paraense Célio Simões, que se dedica a registrar a alma da língua falada no Brasil. Composto por uma coletânea de expressões idiomáticas, o livro explora o "falar comum" que, embora muitas vezes se distancie das regras gramaticais rígidas, constitui a verdadeira identidade cultural do povo.

 
As crônicas que deram origem ao e-book possuem um histórico de publicação digital marcante na Terça da Cultura Popular: Sob este título, Célio Simões publica semanalmente artigos em diversos portais do Pará, como o Obidos.Net e o Amazon Pauxis, e no Paraná, no blog Singrando Horizontes.
 
Conhecer a origem permite entender por que certas frases, como "pé de meia" ou "com as mãos abanando", possuem significados figurados que transcendem a literalidade das palavras.

Célio Simões, membro de instituições como a Academia Paraense de Letras, transforma o cotidiano linguístico em um objeto de estudo rico e acessível, reafirmando que o português brasileiro é um organismo vivo e histórico.

Para baixar o e-book pelo Google drive, CLIQUE AQUI.


quinta-feira, 26 de março de 2026

Ascensão, poema de Marcos Barbosa

 


Ascensão

 

Por que fitais O céu, galileus!

O vosso Mestre acaba de ocultar-se

Para pordes enfim a mão no arado,

Começando as Searas no Evangelho...

 

Chegou vosso momento e a vossa hora.

Por que ficais olhando para o céu?

Sois pastores, buscai os vossos campos;

Lançai as vossas redes, pescadores!

 

Por que olhais para os céus, ó galileus?

Deixai ao sábio que herda o vosso nome

As minúcias dos astros e dos mundos.

 

Pois outro é vosso espaço e vosso tempo,

Outros o Norte, o Sul e os mil roteiros

Que vos sugere a Cruz, rosa-dos-ventos.

Marcos Barbosa


No livro Poemas do Amor Maior, de Jefferson Magno Costa


quinta-feira, 5 de março de 2026

O Trabalho de Jesus, poema de Tasso da Silveira

 




O Trabalho de Jesus


Tu, Senhor, atravessaste

trinta anos de vida oculta

na humilde oficina

de Nazaré.

E não quiseste fazer mais do que fizeram

fazem e farão,

todos os marceneiros humílimos

desde o começo do mundo.

Não inventaste um só instrumento novo.

Não imprimiste, no torno,

à madeira que trabalhavas,

uma só curva desusada.

Tu, o Criador de todas as formas

da prodigiosa máquina dos mundos,

de Beleza total,

Atravessaste, Senhor, trinta anos

de vida oculta,

como que trabalhando apenas

a tua simplíssima cruz.


Do livro Lendas do Céu e da Terra, de Malba Tahan


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