domingo, 15 de fevereiro de 2026

Castelos de Areia, ou uma reflexão sobre a brevidade da vida - Max Lucado

 


CASTELOS DE AREIA

 

Sol a pino. Maresia. Ondas ritmadas. Na praia está um menino.

Ajoelhado, ele cava a areia com uma pá de plástico e a joga dentro de um balde vermelho. Em seguida, vira o balde sobre a superfície e o levanta.

Encantado, o pequeno arquiteto vê surgir diante de si um castelo de areia.

Ele continuará a trabalhar a tarde inteira, cavando os fossos e modelando as paredes. As rolhas de garrafa serão as sentinelas. Os palitos de sorvete serão as pontes. E um castelo de areia será construído.

Cidade grande. Ruas movimentadas. Ronco dos motores dos automóveis.

Um homem está no escritório. Ele organiza os papéis e distribui tarefas. Faz alguns telefonemas e, como que num passe de mágica, contratos são assinados. E, para grande felicidade do homem, foram fechados grandes negócios.

Ele trabalhará a vida inteira, formulando planos, prevendo o futuro. As rendas anuais serão as sentinelas. Os ganhos de capital serão as pontes. Um império será construído.

Dois construtores de dois castelos. Ambos têm muita coisa em comum: fazem grandezas com pequeninos grãos... Constroem algo do nada. São dinâmicos e determinados. E, para ambos a maré subirá, e tudo acabará...

Mas é aqui que as semelhanças terminam, porque o menino vê o fim, ao passo que o homem o ignora.

 Observe o menino na hora do crepúsculo.

Quando as ondas se aproximam, o menino sábio pula e bate palmas.

Não há tristeza, nem medo, nem arrependimento. Ele sabia que isso aconteceria. Não se surpreende.

E, quando a enorme onda bate em seu castelo e sua obra-prima é arrastada para o mar, ele sorri. Sorri, recolhe a pá, o balde, segura a mão do pai e vai para casa.

O adulto, contudo, não é tão sábio assim. Quando a onda dos anos desmorona seu castelo, ele se atemoriza. Cerca seu monumento de areia, a fim de protegê-lo. Tenta impedir que as ondas alcancem as paredes.

Encharcado de água salgada e tremendo de frio, ele resmunga para a próxima onda, em tom de afronta: “É o meu castelo”!

O mar não precisa responder. Ambos sabem a quem a areia pertence...

Talvez você não saiba muito sobre castelos de areia, mas as crianças sabem. Observe-as e aprenda. Vá em frente e construa, mas construa com o coração de uma criança. Quando chegar a hora do pôr-do-sol e a maré levar tudo embora, aplauda. Aplauda o processo da vida, segure a mão do Pai e vá para casa.

 

Max Lucado, no livro Histórias para aquecer o coração 2, organizado por Alice Gray.


sábado, 7 de fevereiro de 2026

400 Frases de Henry Ward Beecher - O "Shakespeare dos Púlpitos" (E-BOOK GRATUITO)

 

Henry Ward Beecher nasceu em 24 de junho de 1813, em Litchfield, Connecticut, Estados Unidos, e faleceu em 8 de março de 1887. Foi um dos pregadores protestantes mais influentes do século XIX, além de escritor, reformador social e orador público de enorme prestígio. Era filho de Lyman Beecher, um renomado pastor congregacionalista e reformador moral, e irmão de figuras igualmente notáveis, como Harriet Beecher Stowe, autora do romance A Cabana do Pai Tomás.

Beecher formou-se em teologia no Lane Theological Seminary, em Cincinnati, e iniciou seu ministério pastoral ainda jovem. Em 1847, tornou-se pastor da Plymouth Church, no bairro do Brooklyn, em Nova York, onde permaneceu por quase quarenta anos. Ali, desenvolveu um estilo de pregação inovador, emocional, acessível e profundamente conectado com as questões da vida cotidiana, o que lhe rendeu fama nacional e internacional.

Além do púlpito, Beecher destacou-se como líder moral em temas sociais urgentes de sua época. Foi um ardente abolicionista, defensor da união durante a Guerra Civil Americana e crítico severo da escravidão. Chegou a arrecadar fundos para comprar armas destinadas a colonos antiescravistas no Kansas, armas que ficaram conhecidas como “Bíblias de Beecher”. Também apoiou causas como a temperança, a educação popular e, de forma mais moderada, os direitos das mulheres.

Apesar de sua enorme popularidade, sua vida não esteve isenta de controvérsias. Na década de 1870, Beecher foi envolvido em um escândalo moral amplamente divulgado pela imprensa, que resultou em um longo julgamento e intenso debate público. Embora tenha sido formalmente absolvido por sua igreja, o episódio marcou profundamente sua reputação, ainda que não tenha apagado sua influência duradoura.

A contribuição de Henry Ward Beecher para o pensamento cristão foi marcada por uma teologia centrada no amor de Deus, em contraste com o tom severo do calvinismo tradicional herdado de gerações anteriores. Para Beecher, o cristianismo não era primeiramente um sistema jurídico de culpa e punição, mas uma religião de restauração, esperança e transformação moral.

Em seus sermões e escritos, ele enfatizava:

·       a paternidade amorosa de Deus;

·       a centralidade de Cristo como revelação do amor divino;

·       a salvação como um processo de crescimento espiritual, não apenas um ato jurídico;

·       a importância da consciência, do caráter e da experiência pessoal com Deus.

 

Beecher foi também um escritor prolífico. Entre suas obras mais conhecidas estão Lectures on PreachingLife of Jesus the ChristPlymouth Pulpit (coleções de sermões) e Yale Lectures on Preaching. Seus textos alcançaram ampla circulação nos Estados Unidos e na Europa, influenciando gerações de pastores e leigos.

Beecher foi chamado por Charles Spurgeon e Philips Brooks de “o Shakespeare dos púlpitos”, dada sua capacidade de perceber as profundidades multifacetadas da alma humana, e desenvolver seus temas de forma poética. Sua vasta obra infelizmente possui pouquíssimas traduções para nossa língua.

Este breve e-book, uma coleção de citações extraídas de diversos de seus livros, é um esforço para tornar mais conhecido o pensamento de Beecher. Nele, o autor discorre sobre temas amplos, preciosos tanto para o leitor interessado em temas da espiritualidade quanto para o leitor cético ou materialista.

Ao final deste volume, não deixe de ler um resumo de um de seus grandes sermões, intitulado O caminho para chegar a Cristo.

Para baixar gratuitamente o e-book pelo Google Drive, CLIQUE AQUI.

O livro também está disponível gratuitamente na play store do Google, AQUI.

E o e-book também está disponível na Amazon, a 1,99 - ou gratuito para quem tem assinatura Kindle Unlimited (na Amazon não se pode colocar livro gratuito, infelizmente). Confira AQUI.


quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

PÃO DE TODOS, poema de Álvaro Machado

 


PÃO DE TODOS

 

Sagrado seja o pão de cada dia!

Sagrada seja a terra que o produz!

Bendito seja o sol, bendita a luz

Que o louro trigo aquece e alumia!

 

Já Cristo aos doze Apóstolos dizia,

Bem certo de que o fim seria a Cruz:

— "Tomai! Eis o meu corpo!" E, então, Jesus

Nas Suas santas mãos o Pão erguia!

 

Fecundas messes — graça e ornamento

Dos campos fartos, junto dos caminhos,

Crescendo para o Céu, bailando ao vento.

 

Convosco esteja a Paz, gérmen d'amor,

E nunca falte o pão aos pobrezinhos,

Tão pobres como foi nosso Senhor!

Álvaro Machado


Do livro Ilustrações para Sermões e Palestras, de Arthur Barroco


domingo, 18 de janeiro de 2026

Revista de Ficção Cristã e Poesia para download grátis: AMPLITUDE #7 - Jan 2026

 

AMPLITUDE aqui está, firme em seu papel de resgatar, promover, divulgar e viver a literatura cristã em toda a sua vivacidade, singularidade e fortuna.

Neste número, a razão de ser de Amplitude se apresenta em toda a sua força: a poesia e a prosa de ficção ocupam a quase totalidade de nossas cinquenta e nove páginas.

Por sinal, este é um número eminentemente poético: São nada menos que dezenove páginas de poesia.

Nos contos, temos a presença de nomes como Joanyr de Oliveira, Rute Salviano Almeida e o norte-americano Walter Wangerin Jr., que somam-se a Eber Rocha, Seles Gonçalves, Valnei Nascimento da Silva e este que vos escreve.

Abrimos este número com um artigo especial, uma conversa sobre a autopublicação, com dicas práticas e links de interesse.

Falando em especial, fizemos um apanhado de poemas da literatura universal sobre (a Parábola d)o Filho Pródigo, um tema central da cultura cristã, em treze páginas de alta poesia.

Nas seções tradicionais, figuras impactantes e até surpreendentes: Em Jardim dos Clássicos, temos um conto do missionário escocês Robert Reid Kalley, pioneiro do evangelho em nossas terras e na lusofonia.

Em Hot Spots, uma seleção de frases de Henry Ward Beecher, prolífico autor com tão pouca bibliografia em língua portuguesa.

Poeta em Destaque deste número — uma seção que sempre deu espaço a autores vivos — desta vez contempla um nosso irmão já na glória: O lusitano J. T. (João Tomaz) Parreira.

Amplitude ganhou uma nova seção, a Torre de Oração, que buscará apresentar, a cada número, significativas obras do gênero.

E as demais seções? Nossa Pharmacia apresenta textos de autosocorro imediato. Parlatorium continua sua insurgência contra a mediocridade, com frases de impacto e frescor criativo. Notas Culturais traz algumas notícias sobre a cena cultural cristã. Download apresenta três e-books gratuitos que merecem sua leitura, como a antologia que organizamos reunindo os 50 melhores poemas cristãos de Jorge de Lima.

O resto você sabe: Amplitude circula apenas em formato eletrônico, com periodicidade semestral  — e é gratuita, para a glória de Deus.

Pegue seu café, seu chá, seu isotônico, água ou o que for, busque uma sombra — e boa leitura!

 

      Sammis Reachers, editor


PARA BAIXAR O ZEU EXEMPLAR 

PELO GOOGLE DRIVE, CLIQUE AQUI.


A Revista também está disponível pelo Play Store (Google), AQUI.

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Slideshare, AQUI.


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quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Almanaque Poético Brasileiro: Obra reúne 68 poetas e possui download gratuito

 

O escritor, poeta, professor e ativista cultural José Feldman, grande promotor da literatura brasileira, realizou mais um tento: A organização e publicação do Almanaque Poético Brasileiro. A obra reúne, em suas 212 páginas, textos de 68 poetas, entre vivos e falecidos, abarcando os mais diversos gêneros poéticos. E o melhor: O e-book possui download gratuito.

Baixe o seu através do Google Drive, CLICANDO AQUI.



Os poetas que fazem parte deste primeiro volume:

1. A. A. de Assis (PR)
2. Ademar Macedo (RN) +
3. Amilton Maciel Monteiro (SP)
4. Antônio Juraci Siqueira (PA)
5. Antônio Manoel Abreu Sardenberg (RJ)
6. Aparecido Raimundo de Souza (ES)
7. Benedita Azevedo (RJ)
8. Benjúnior (SC)
9. Carlos Lúcio Gontijo (MG)
10. Carolina Ramos (SP)
11. Cecim Calixto (PR) +
12. Cecy Barbosa Campos (MG)
13. Daniel Maurício (PR)
14. Dinair Leite (PR)
15. Divenei Boseli (SP)
16. Dorothy Jansson Moretti (SP) +
17. Edy Soares (ES)
18. Elisa Alderani (SP)
19. Fabiano Wanderley (RN)
20.Filemon Martins (SP)
21. Francisco Miguel de Moura (PI)
22.Francisco Macedo (RN) +
23.Francisco José Pessoa (CE) +
24.Gérson César Souza (RS)
25. Gilson Faustino Maia (RJ)
26.Gislaine Canales (RS) +
27.Graça Graúna (RN)
28.Hegel Pontes (MG) +
29.Hermoclydes S. Franco (RJ) +
30.Ialmar Pio Schneider (RS)
31. Jaime Vieira (PR)
32.Janske Schlenker (PR)
33.Jérson Brito (RO)
34.Jessé F. Nascimento (RJ)
35. João Batista Xavier Oliveira (SP) +
36.José Feldman (PR)
37.José Lucas de Barros (RN) +
38.Laércio Borsatto (SP)
39.Lairton Trovão de Andrade (PR)
40.Lino Vitti (SP) +
41. Luciano Dídimo (CE)
42.Lucília A. T. Decarli (PR)
43.Luiz Damo (RS)
44.Luiz Eduardo Caminha (SC) +
45. Luiz Poeta (RJ)
46.Maria Nascimento (RJ)
47.Miguel Russowsky (SC) +
48.Milton S. Souza (RS) +
49.Nilto Maciel (CE) +
50. Ógui Lourenço Mauri (SP)
51. Olivaldo Júnior (SP)
52. Paulo R.O. Caruso (RJ)
53. Paulo Vinheiro (SP)
54. Paulo Walbach (PR) +
55. Pedro Du Bois (SC) +
56. Professor Garcia (RN)
57. Rita Mourão (SP)
58. Roberto P. Acruche (RJ)
59. Sammis Reachers (RJ)
60.Silmar Bohrer (SC)
61. Sílvia Araújo Motta (MG)
62.Sílviah Carvalho (AM)
63.Solange Colombara (SP)
64.Sônia Sobreira (RJ)
65. Therezinha D. Brisolla (SP)
66.Vanda F. Queiróz (PR)
67.Vanice Zimerman (PR)
68.Vivaldo Terres (SC)

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Gás Hélio - Um conto sobre acolhimento e cura, e a periferia

 


Foi nomeado pela paixão do pai e fonte de sustento da família, desde antes dele fazer parte da mesma: Hélio.

Seu pai, Airton, era vendedor de balões ou bexigas infladas por gás hélio, aqueles bólidos flutuantes em forma de peixe, escudo do flamengo ou cabeça do Mickey.

Aluno destaque do sexto ano do CIEP 051 Municipalizado Anita Garibaldi, em São Gonçalo/RJ, Helinho nutria carinho todo especial pelos balões que ajudaram a nomeá-lo e a provê-lo. O menino auxiliava o pai nos enchimentos e montagens, e sempre que podia era levado aos pontos de venda: Rotineiramente o Campo de São Bento, em Niterói, ou eventos sazonais, um aniversário de Itaboraí aqui, um feriado de São Gonçalo acolá, um festival de pipas em Maricá, por trás-os-montes. O menino já conhecia toda a Região Metropolitana do Estado do Rio.

O mesmo não ocorrera com seu predecessor em chegada na família, Heitor, irmão mais velho. Aliciado no portão de casa, ponto de revenda de drogas no depauperado bairro Jardim Catarina, cedo tomou o caminho da marginalidade.

Morreu no dia primeiro do segundo ano de carreira, a 200 metros do portão da casa do “seu Airton do Gás”; seu portão, seu pai.

Baque no sonhador Helinho, bordoada de moer menino tenro. Notas decaíram, participação nas aulas, na igreja. Seu sangue e companheiro de pelada no quintal, seu parceiro de PlayStation, seu incentivador nas paqueras, seu torto herói se fora.

Na velha coleção de biografias achada por seu pai no lixo, nas portas de um grande edifício, ao chegar pela manhazinha lá no niteroiense Campo de São Bento, Helinho mergulhava sua solidão. Numa das biografias, a do padre brasileiro Bartolomeu Lourenço de Gusmão, nosso primeiro inventor e pai do balão a ar quente, um estalo.

Inspirado numa prática de produção textual que aprendera na escola, o aluno destaque do Anita Garibaldi passou a escrever cartas; primeiro para si mesmo, refletindo sobre sua perda. Logo as endereçava a seu irmão. Por fim, o salto humanitário, digno de um Gusmão, uma Anita: Helinho passou escrever ternas mensagens para pessoas que tivessem perdido alguém, tal como ele perdera. E assim surgiram “Carta a uma mãe que perdeu um filho”, “Carta à criança que perdeu a avó”, “Carta a quem perdeu um irmão”. Contando brevemente sua história, Hélio contextualizava sua mensagem para diversos leitores em potencial.

Um belo dia, tendo imprimido uma quantidade de cópias de cada cartinha, Helinho as atou a balões inflados de hélio – não os artísticos balões vendidos pelo pai, mas a modelos simples, como as bexigas de festa de aniversário – e, subindo para a laje de sua humilde casa, soltou os balões, vagões de sonho lotados de afeto, nos ares de sua São Gonçalo.

No primeiro dia foram 30. Quinze dias depois, o menino despachava mais 15. E assim, usando de suas economias, o menino adquiria os balões e inflava-os com os botijões de gás do pai, liberando suas mensagens pelo ar.

Em apenas três dias depois dos primeiros lançamentos, duas marcações no perfil do menino no Instagram apareceram. Pessoas curiosas, que encontraram uma das mensagens, nas quais constava também o endereço do menino, e seu perfil naquela rede social. Mas demorou 45 dias para chegarem as primeiras cartas. Cartas de papel, como as de Helinho. Uma mãe e uma irmã.

“Querido menino Hélio. Encontrei seu balão pendurado nos galhos de uma árvore em Alcântara. Era de manhazinha, eu ia pro meu trabalho nos Correios. Sua mensagem me fez chorar no ônibus, pois perdi minha mãe há seis meses. Ainda sofro. Mas acredito que Deus usou você para me mandar uma mensagem de conforto. Obrigado, meu filho. Não te conheço, mas você já conquistou uma amiga.”

A segunda carta – outras viriam – era de uma adolescente de 17 anos, Ágatha. Ela vira o balão do menino caído em seu quintal, de tarde, ao chegar do cursinho pré-vestibular. Com a mensagem em mãos, Ágatha entrou no quarto de seu irmão, deitou-se em sua cama e chorou. Mateus partira ia pra um ano.

“Oie!

Me chamo Ágatha, sou moradora aqui do Vila Três, em São Gonçalo também. Cara, sua cartinha chegou a mim, bem no meu quintal! Eu perdi meu irmão assim como você. Meus sentimentos por sua perda.

Sua mensagem me trouxe uma alegria que não sei expressar; era como um recado de meu irmão, dizendo para mim e minha mãe sermos fortes, que ele está bem.

Precisei escrever para você. Ia mandar mensagem no privado em seu perfil, mas resolvi escrever uma carta, assim como você. Minha primeira carta. Nem sei como enviar! Mas vou no correio me informar.

Estou escrevendo essa carta na cama de meu irmão. Minha mãe doou as coisas dele, roupas e tals, mas deixou a cama como estava. Pra lembrar dele, sabe? Mas não sei se isso é saudável, pra nós duas. Pois ambas choramos muito nesta cama. Já a peguei de madrugada ajoelhada aos pés da cama dele, chorando sozinha, e dizendo ‘onde foi que eu errei?’ Mas somos tantas famílias nessa situação...

Hélio, venho agradecer seu gesto, sua forma de ajudar as pessoas. Você é um anjo que, não tendo asas, criou as suas com palavras e bexigas de gás. Obrigado obrigado obrigadooooo!”

 

Voa, Helinho. Voa e trabalha, que faltam anjos no mundo, e os que desistem, no lugar de uma segunda chance, são mortos a bala.

Sammis Reachers


sábado, 13 de dezembro de 2025

A CRUZ DA VIDA, poema de M. Correia da Silva

 


A CRUZ DA VIDA

 

Traz, sempre, bem abraçada

A cruz que Deus te enviar!

— A cruz, não sendo arrastada,

Quase não custa a levar!...

 

Suportas a dor da ausência,

E vês que não custa nada...

— A cruz da tua existência

Traz, sempre, bem abraçada!

 

A fim de que o teu viver

Não te custe a suportar,

Nunca maldigas, mulher,

A cruz que Deus te enviar!

 

Havendo resignação,

Torna-se menos pesada

E traz-nos consolação

A cruz, não sendo arrastada!

 

Sofrendo com paciência,

Os mil embates do azar

A cruz da nossa existência

Quase não custa a levar!

 

M. Correia da Silva


Do livro Ilustrações para Sermões e Palestras, de Arthur Barroco (1961)


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