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terça-feira, 9 de junho de 2020

CARTA AO CAFÉ, um poema odoropulsante



Carta ao café

Café aroma de lar
Ritual, despedida de quem vai,
Abraço a quem retorna
Coffea arábica, Coffea canephora,
Coffea liberica, Coffea dewevrei
E as raças secretas de café

Cremes, bolos, infusões
Drinks, balas, canapés
Reversa marihuana
De santos, céticos e sahibs

Aqueduto tônico odoropulsante
Odoropulsar:
Café cuspidor de estrelas,
Regurgitador de luzes
Festim fenomenológico
Reserva moral da literatura

Sol do leite, do creme, do rum
Sol para tantas pressurosas luas
Centro da galáxia

Inimigo do deus do sono Oneiros,
Adversário do deus de gelo Ymir
Multilíngue deus de ébano & trópico

Licor laboral
Elixir de trevas luminosas
Rubro fruto de a noroeste
Do Eufrates e do Tigre
Último pomo a escapar do Paraíso
Antes de seu traslado
De volta ao seio de Deus

Orfeu negro, liquefeita
Cítara
Poema em estado tênsil
Combustível dos Napoleões
Comburente dos Quixotes

Aumente a pressão sanguínea
De nossas ideias,
Aqueça nossa tumultuosa
Solidão campestre ou citadina

Sammis Reachers


quarta-feira, 20 de maio de 2020

CARTA AOS PEDAGOGOS - Um poema aos profissionais da Educação



Carta aos Pedagogos

A você, doador de sangue.
Que acredita nos pequenos inícios.
E se esmera nos processos, e vê ao longe
E no agora a colheita.
E vê perenidade na intermitência.

Você, alma grávida:
Beija-flor levando água
Para apagar o incêndio
Que na floresta dos homens grassa;
Salmão contra a corredeira,
Remando movido duma pulsão
Maior que seu pequeno corpo, urdida chama,
Flama & frêmito da expansão que o Conhecimento
- Este agridoce tutor - exige daqueles
Que o portam não na tumba cerebral,
Mas na cardíaca fornalha.

Guardião do Palácio de Tudo,
Cidadão matricial, apaziguador das gerações:
Nós te celebramos.


Sammis Reachers

sexta-feira, 15 de maio de 2020

ANTES DO NOME, poema de Adélia Prado


Antes do Nome

Não me importa a palavra, esta corriqueira.
Quero é o esplêndido caos de onde emerge a sintaxe,
os sítios escuros onde nasce o "de", o "aliás",
o "o", o "porém" e o "que", esta incompreensível
muleta que me apóia.
Quem entender a linguagem entende Deus
cujo Filho é Verbo. Morre quem entender.
A palavra é disfarce de uma coisa mais grave, surda-muda,
foi inventada para ser calada.
Em momentos de graça, infrequentíssimos,
se poderá apanhá-la: um peixe vivo com a mão
Puro susto e terror.

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Eu te agradeço, Senhor - Poema de E.E. Cummings




E.E. Cummings


Agradeço a Ti, Deus, por este dia mais assombroso:
pelos espíritos verdes e brotantes das árvores
e por um céu azul de verdadeiro sonho;
e por tudo o que é natural que é infinito que é sim

(eu que nasci estou vivo novamente hoje,
e este é o aniversário do sol; este é o dia do
nascimento da vida e do amor e das asas: e do alegre
grandioso acontecimento que é sem dúvida aterra)

como pode qualquer ser meramente humano
que saboreia toca ouve enxerga respira
 arrancado do não do nada total —
duvidar do inimaginável Vós?

(agora os ouvidos de meus ouvidos estão despertos
e agora os olhos de meus olhos estão abertos)

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Definição com um senão



Definição com um senão


Poesia, fuga
perfeita



a

bordo

de

um

ô n i b u s

v   a   z   i   o


Sammis Reachers

sábado, 24 de agosto de 2019

ÂNSIA DE ETERNIDADE - E-book de José Brissos-Lino para download


A presente obra reúne um conjunto de pequenos poemas dispersos sobre temática espiritual e religiosa, escritos ao longo de alguns anos e ainda não publicados em livro.
As questões da fé e da eternidade, a revisitação de figuras, imagens e episódios bíblicos, em particular os tocantes às temáticas da transcendência e da relação com Deus, pairam claramente sobre a paisagem poética aqui apresentada, assim como alguns exercícios livres de meditação ou elevação (chamemos-lhe assim).
No fundo trata-se do discurso poético de um homem de fé, desenvolvido mais em jeito de reflexão pessoal. E o que é a Poesia senão isso?
Como bem dizia Miguel de Unamuno “acreditar em Deus é antes de mais e sobretudo querer que ele exista” (Do Sentimento Trágico da Vida, 1913).
É por isso que esta obra pode constituir inspiração significativa para quem for capaz de a saber ler, e elevação espiritual para quem aspira à eternidade e sente que ela está a passar por aqui.
O Autor
Para realizar o download do livro pelo site Google Drive,CLIQUE AQUI.

domingo, 2 de dezembro de 2018

POESIA EM 500 CITAÇÕES: Algumas das melhores definições e reflexões de todos os tempos sobre a poesia e o poema, o poeta e o fazer poético - Livro gratuito


  


   Além de poeta, esse mal menor, tenho há mais de uma década sido editor de poesia. Ao longo do tempo, vez por outra fui indagado por poetas, sejam iniciados, iniciantes e outros que sequer deram o primeiro verso, mas, temerosos, soltavam questionamentos em busca de rumos e indicações que lhes permitissem o ingresso nessa Pasárgada Total que é a Poesia:

O que é a poesia? O poema? E o poeta?

        Um dos motes para a realização desta antologia de citações é esse: Ofertar, num golpe único, algumas das melhores definições e reflexões sobre o que é a poesia e o poema, o poeta e o fazer poético. Assim poetas, o almirantado, mas também marujos vários: críticos, filósofos, santos e bunda-lêlês aqui estão vaticinando suas assertivas, algumas delas realmente extraordinárias, é preciso dizer. E ainda descemos aos últimos porões do léxico: São 17 os dicionários consultados pelo verbete poesia.
        Um livro de graça. O trigésimo? Após quase vinte antologias poéticas, uma (meta)antologia em prosa sobre a poesia em si, em dó, em lá de bem dalém do Bojador. Sim. Mais uma estrofe quixotesca de meu trabalho de pichador de muros e promotor literário, editor e antologista  de poesia primeiramente. Sei que essa faina frágil, robinhoodiana de piratear sintagmas no Mar dos Ingratos há de me render um dia não a forca mas homenagem  uma estátua, construto de fumaça, na mais imaginarinútil de todas as ilhas do Atol de Utopia. Que seja. Queimo minha nau pelo prazer da ardência e o torpor da fumaça: sou um multiplicador de embriagados. Apesar da ingratidão dos homens e das musas, tudo que sei é esse navegar. Nunca prestei pra mais nada na vida, e para essa ardência em águas me conservou o Deus.
        Bem-vindo a bordo da nau incendiada, marujo. Queime seus pés no tombadilho ardente, produza ar quente para insuflar o que restam das velas e o que você tenha de asas. E encontre, ao tombar o horizonte, aquilo que busca.

Sammis Reachers 

PARA BAIXAR O LIVRO (FORMATO PDF) PELO GOOGLE DRIVE, CLIQUE AQUI.

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terça-feira, 11 de setembro de 2018

Carta à Árvore



CARTA À ÁRVORE

Sammis Reachers

Torre transterna,
                          Transuterina
Verde malha de açambarcar
Estaca que a vida finca
Patamarizado playground,
                                        Estação clorofila
Biopilar da paz

Terramáter véu
Usina alquímica
A nutrir o sistema-Terra

Obrigado eternamente obrigado
Por alimentar-nos
De proteção e pão
Por verdecer para que não
                                          Ressecássemos
Nós seus vorazes algozes agradecemos
Por nos servir
De berço,
                 Púlpito
       E esquife
Perdoa-nos a nós os desgalhados entes
Nós a raça kamikaze de sem plumas
E sem clorofila



Do livro Árvore - Uma Antologia Poética (baixe gratuitamente AQUI).

terça-feira, 5 de junho de 2018

ÍTACA, poema de Konstantinos Kaváfis


Ítaca

Se partires um dia rumo à Ítaca 
Faz votos de que o caminho seja longo 
repleto de aventuras, repleto de saber. 
Nem lestrigões, nem ciclopes, 
nem o colérico Poseidon te intimidem! 
Eles no teu caminho jamais encontrarás 
Se altivo for teu pensamento
Se sutil emoção o teu corpo e o teu espírito. tocar
Nem lestrigões, nem ciclopes 
Nem o bravio Poseidon hás de ver
Se tu mesmo não os levares dentro da alma
Se tua alma não os puser dentro de ti. 
Faz votos de que o caminho seja longo. 
Numerosas serão as manhãs de verão 
Nas quais com que prazer, com que alegria 
Tu hás de entrar pela primeira vez um porto 
Para correr as lojas dos fenícios 
e belas mercancias adquirir. 
Madrepérolas, corais, âmbares, ébanos 
E perfumes sensuais de toda espécie 
Quanto houver de aromas deleitosos. 
A muitas cidades do Egito peregrinas 
Para aprender, para aprender dos doutos. 
Tem todo o tempo ítaca na mente. 
Estás predestinado a ali chegar. 
Mas, não apresses a viagem nunca. 
Melhor muitos anos levares de jornada 
E fundeares na ilha velho enfim. 
Rico de quanto ganhaste no caminho 
Sem esperar riquezas que Ítaca te desse. 
Uma bela viagem deu-te Ítaca. 
Sem ela não te ponhas a caminho. 
Mais do que isso não lhe cumpre dar-te. 
Ítaca não te iludiu 
Se a achas pobre. 
Tu te tornaste sábio, um homem de experiência. 
E, agora, sabes o que significam Ítacas. 


Tradução de José Paulo Paz
In O Quarteto de Alexandria 


quinta-feira, 31 de maio de 2018

POESIA E ARTES PLÁSTICAS NO INSTITUTO DE CRISTIANISMO CONTEMPORÂNEO. LISBOA

Sombras da memória: olhares sobre o Holocausto


/https://iccontemporaneo.wordpress.com/2018/05/30/sombras-da-memoria-olhares-sobre-o-holocausto/

"MARCHA"
Na marcha final para estes olhos escuros
Que se arrastavam como os pés, a morte.
Não é um caminho de fugitivos, nem houve tempo
Para subirem a casa do Senhor, são um rebanho
Uma fila de olhos sem regresso que caminha
Os corações devem ter-se derretido a cada passo
Mentindo desesperadamente
Sempre um novo horizonte. Não haverá
Ninguém para despejar a areia dos seus sapatos.
07/03/2018
© João Tomaz Parreira 


quinta-feira, 8 de março de 2018

MULHER


(Michelle Obama)




“Fragile, opulenta donna, matrice del Paradiso”
Alda Merini


Não és assim tão frágil como dizem
Aqueles que espreitam ainda através
Das árvores do Paraíso, depois de tudo
O que se passou és um grão de dor
Nos olhos de Deus, o teu sexo fraco
- ainda dizem, É mais forte do que o nosso
A maravilha é que tu sabes chorar
E são as tuas lágrimas que ainda regam a terra.


07/03/2018

© João Tomaz Parreira


domingo, 25 de fevereiro de 2018

O GRUPO, poema de Paulo Cavalcanti de Moura


O GRUPO

Paulo Cavalcanti de Moura

O grupo é assim:
Gente que é gente
E que não sabe que os outros são gente
Como a gente,
Com um lado bom e outro ruim

No grupo tem de tudo:
Botucudo e tupiniquim.
Tem falador e tem mudo,
Mas ninguém é igual a mim.

Tem doutores e tem tímidos,
Agressivos e dominados
Tem mãe e tem filhos,
Tem até mascarados.

E o grupo vai girando,
Mudando a vida da gente
O calado sai falando,
O pessimista contente

O grupo é como a vida,
Mas se entra, já vamos indo
Quem ri acaba chorando,
Quem chora, acaba rindo

Uma coisa a gente aprende:
Que o outro é como eu
Chora, ri, ama e sente
Mas quase tudo depende da gente:
Que  grupo danado! Que vivência atroz!
O eu e o tu se atacam
Mas depois eles se amam,
Em benefício de nós.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

VOCAÇÃO SEM SAPATOS



De tarde depois da escola, todo o universo
É meu, conjugado nas letras que aprendi, reescrevo
Desenho no caderno a alegria 
Dos meus olhos, não preencho formulários
As minhas palavras são livres
O sol esta tarde aqueceu-me os pés, no chão
Começo a ser um homem, todos os dias
Como uma pequena ave que salta e aprende.

09/10/2017


© João Tomaz Parreira

sábado, 28 de outubro de 2017

Amor Celestial, poema de Ralph Waldo Emerson


Amor Celestial

Bem longe, lá no alto, 
Acima de tudo e de todos
Firmado no mais puro dos reinos, 
Acima do sol e das estrelas, 

Está a montanha do amor -
Corações que amam são fiéis,
Gostam do que é justo, por isso são tão caros , 
Ficam desgostosos com os falsos amores 
                                                              
Que preferem a si mesmos conferir louvores ;
Mas os que para amar foram desenhados,
E os  que para abençoar foram separados,  
Não podem cessar de estender a mão.


E não podem mais se esconder do irmão,
Pois é no ajudar que está a sua beleza,
E em ser humilde é que está a sua nobreza;
Pois esta é a riqueza do amor,


Não em repartir o ouro e o pão,
Nem em se vestir como um rico artesão,
Mas, em  fazer da simplicidade uma ciência,
E falar sempre o discurso da inocência,

E no calor do verão ou no frio do inverno                                                         
Levar sempre adiante o conselho do Eterno.     
...Porque Deus vem alimentar os homens todos os dias                   
Mas somente alguns estão com as mãos abertas para receber.


domingo, 1 de outubro de 2017

Juventude, poema de Mário Faustino



. . .Juventude —
a jusante a maré entrega tudo —

maravilha do vento soprando sobre a maravilha
de estar vivo e capaz de sentir
maravilhas no vento —
amar a ilha, amar o vento, amar o sopro,
                                                [ o rasto —
maravilha de estar ensimesmado
(a maravilha: vivo!),
tragado pelo vento, assinalado
nos pélagos do vento, recomposto
nos pósteros do tempo, assassinado
na pletora do vento —
maravilha de ser capaz,
maravilha de estar a posto,
maravilha de em paz sentir
maravilhas no vento,
encapelado vento —
mar à vista da ilha,
eternidade à vista
do tempo —

o tempo: sempre o sopro
etéreo sobre os pagos, sobre as régias do vento,
do montuoso vento —
e a terna idade amarga — juventude —
êxtase ao vivo, ergue-se o vento lívido,
vento salgado, paz de sentinela
maravilhada à vista
de si mesma nas algas
do tumultuoso vento,
de seus restos na mágoa
do tumulário tempo,
de seu pranto nas águas do mar justo —
maravilha de estar assimilado
pelo vento repleto
e pelo mar completo — juventude —

a montante a maré apaga tudo 



em "O homem e sua hora e outros poemas". (Organização Maria Eugenia da Gama Alves Boaventura Dias). 1ª ed., São Paulo: Companhia das Letras, 2002.


domingo, 24 de setembro de 2017

Propiciação à Topofilia - Sammis Reachers

Jurujuba, Niterói, 2011. Sammis Reachers

Propiciação à Topofilia

“... espaços proibidos a forças adversas, espaços amados.”
Bachelard

espaços abertos
desertos
verdes semi-verdes
pelo vento municiados:

paraísos do possível

Éden desfeito ressonando fragmentário
ruído de fundo à espera no espaço
de quem lhe vibre à frequência:
um herdeiro para lugarizá-lo 

domingo, 4 de junho de 2017

Fundação, um poema do amor


Fundação

Eu fugia, sátiro por corsários
Amotinados
                        Mutilado
A entrelaçadora, a Escuridão
Me cirandava esfaqueava e enfim deitava
Às paredes do labirinto
                               Que me nascia:

O frio me desnudava
Vazio após vazio e vazio
Eclipsava no infinito, falsa
Crisálida que leva de processo
A processo, sem final em seu cio

Esperei pelo levita,
O escriba e o sacerdote
(e Lutero não trans
tornou a Terra num orbe de sacerdotes?)

Por fim, o samaritano:
Passou ao largo, ocupado o mui coitado
Em fazer guerra ao judeu (e quem nunca?)
Que os tempos primam pelo mal

E ela apareceu, descendo com a noite
mínima ninfa solitária

Sobre cada uma
                   Minha
    Cicatriz
Ela deitou uma flor, freira das heras
Pródiga em unguentos e emplastros
Karma & cura
Para minha colectânea de feras
           
E unimunimo-nos de nós:
A flora e a fauna
                Dum planeta erradio,
Pais fundadores de nossa imprópria

Raça de seres milifelizes.

Sammis Reachers

sexta-feira, 10 de março de 2017

O Judeu Eterno, poema de Iaacov Cahan


O JUDEU ETERNO

Um Judeu errante encontrou certa vez um homem
com um machado na mão, o trajo sujo de sangue.
O Judeu murmurou: "Deus!" e para trás deu um pulo.
O homem também se assustou, o seu rosto fez-se escuro.
"Por que erra você por aqui, Judeu?" disse ele.
O Judeu sentenciou: "Deus permanece sempre".
O homem gritou furioso: "O que é que você murmura?"
O Judeu replicou: "Deus é juiz, faço anúncio".
Ele brandiu seu machado, golpeou o Judeu no rosto.
O Judeu caindo gritou: "Deus vinga o que está morto!"
Ora quando o mesmo homem um dia se foi à praia,
Deparou-se-lhe o Judeu quando ia de um lado a outro.
Aturdido ele gritou: "Mas como, você ainda vive!"
Deu-lhe o Judeu a resposta: "No Senhor subsisto".
Agarrou ele o Judeu, jogou-o dentro da água.
O Judeu afundou e não proferiu palavra.
Ora quando o mesmo homem um dia saiu para a caça
encontrou ele o Judeu, esperando-o, cara a cara.
Danou-se ele e berrou: "Com vida sempre você!"
"Com auxílio do Senhor!" respondeu-lhe o Judeu.
Ele fez pontaria, acertou-lhe um projétil no peito
o Judeu caiu; e caindo invocou seu Deus.
Aquela noite o homem sonhou. E que sonho foi que teve?
Ante ele estava o Judeu. Vivo, aparentemente.
Ele o fitou com agudez, e murmurou uma vez outra:
"Deus vê o que se passa, Ele é juiz como outrora".
Ele saltou para o agarrar, ele brandiu o seu punho.
O Judeu se ergueu no ar e se desmanchou entre o fumo.
Pela manhã ele escutou as suas batidas à porta.
Pela tarde ainda o viu, defronte, dando passadas.
Ele voltou nos seus sonhos. Ele até hoje ainda volta.
Ele perturba o seu sono, seus vagares, assim falam.
Que poder nele se oculta? Que segredo se veda?
Ele tem Deus nos seus lábios, na sua ascensão e sua queda.

Tradução de Zulmira Ribeiro Tavares

In Quatro Mil Anos de Poesia (Org. de J. Guinsburg)

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Palavras Crianças no Jardim de Aula, novo livro de Pedro Marcos Pereira Lima


O escritor e poeta Pedro Marcos Pereira Lima acaba de nos brindar com sua mais nova obra. Palavras Crianças no Jardim de Aula, uma publicação da Editora Scortecci (selo Pingo de Letra) reúne poemas de incentivo à leitura de interesse geral, mas focadas notadamente no público infantojuvenil.

"O gosto pela leitura pode surgir através da poesia, desta forma aumenta o interesse em escrever. A poesia mexe com o imaginário dos jovens, das crianças, e dos adultos que ainda carregam a infância dentro de si levando-nos a expressar vontades, descobrindo que se pode brincar com as palavras.
aqui
poesia quer
contar histórias
que são das palavras
que vão se contando

mas não é só a história
em si que conta
é o contar

que não se calcula na contagem
quando o "o" troca-se por "a"
e contar vira cantar
de fantasias e realidades..."


O livro possui 60 páginas e custa R$ 30,00.
Interessados em adquirir a obra, entrem em contato pelo e-mail: pemarc@ig.com.br

sábado, 3 de dezembro de 2016

HIROXIMA






“Toda a manhã, a manhã escureceu”
Sylvia Plath

Dias depois os homens saberiam
Que ninguém ressuscitou em Hiroxima
As cinzas sem forma, nem memória
Do que foram corpos, só sombras
Pelo chão , nem sequer Lázaros
Mendigos à porta da riqueza
Mas não havia portas
Onde bater um grito, um pedido de refúgio
Não havia casas onde guardar as lágrimas
E as meditações partidas de Buda
Deus foi magoado no céu e já não põe as mãos
Feridas no lume pelos homens.

03-12-2016
© João Tomaz Parreira



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