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sábado, 2 de março de 2019

Na Espanha, uma Rede Iberoamericana de Poetas e Críticos Literários Cristãos nasce: TIBERÍADES

Nasce TIBERÍADES, Rede Iberoamericana de Poetas 
e Críticos Literários Cristãos



Tiberíades procura constituir-se numa plataforma para a troca de informações e recursos literários para todos os poetas e críticos literários do cristianismo protestante de ambos os lados do Atlântico, e das línguas irmãs espanhol e português. Tem uma orientação absolutamente interdenominacional, não vai estabelecer qualquer taxa para aqueles que desejam aderir à rede e tem como objetivo fazer compreender, pelo exemplo, sobre a necessidade de compartilhar, por todos os meios e redes disponíveis, as realizações e esforços criativos dos seus membros, muitas vezes não divulgados ou mesmo invisíveis pelo seu entorno imediato.
Para isso, contará com uma página na Web que agregará informações constantes, dos membros que o desejarem e dos meios de comunicação que façam eco às atividades e propostas de TIBERÍADES.
Entre esses recursos estarão:
O atraente PREMIO REY DAVID DE POESÍA BÍBLICA IBEROAMERICANA, organizado por Tiberíades, a Sociedade Bíblica de Espanha e, previsivelmente, a Fundação RZ para o Diálogo entre Fé e Cultura. As bases do mesmo serão publicadas em meados de março.
BOLETIM TIBERÍADES, Informativo incorporado na web onde os membros podem estar atualizados dos Prêmios recebidos, livros publicados pelos sócios, apresentações dos mesmos, ensaios publicados em outras mídias, etc. Eles também poderão publicar seus ensaios, resenhas e divulgações.
O anuário "PABLO EN EL AERÓPAGO - Anuario de Poesía y Crítica Literaria", a ser publicado em formato PDF para ser baixado livremente e que terá como seu tema os seguintes textos de Atos 17.28: "Pois nele vivemos, nos movemos e existimos’, como disseram alguns dos poetas de vocês: ‘Também somos descendência dele’". Aqui todos os membros poderão publicar seus trabalhos, se assim merecerem. Caso contrário, serão orientados para melhorar a qualidade do que é oferecido.
REUNIÃO IBERO-AMERICANA DE POETAS E CRÍTICOS LITERÁRIOS CRISTÃOS, a ser celebrada com periodicidade BIENAL na cidade espanhola de Salamanca.
Para fins de publicação de livros, se contará com o selo editorial TIBERÍADES EDICIONES, para livros digitais de download gratuito e livros impressos sob demanda. Desta forma, pretendemos ter alguma renda para pagar as despesas da página e pouco mais.
TIBERÍADES, que terá sua sede física em Salamanca, a cidade de seu diretor, Alfredo Pérez Alencart ( alencart@tiberiades.org) , é uma iniciativa sem fins lucrativos e aceitará como membros todos aqueles que o solicitarem.
Para formalizar a incorporação como membro, basta escrever um e-mail para: info@tiberiades.org, indicando sua vontade. Nenhum dado será solicitado aos membros, que serão convidados a visitar a web periodicamente e enviar poemas, artigos e ensaios para serem publicados na web.


TIBERÍADES

Rede Ibero-Americana de Poetas e Críticos Literários Cristãos 

Conselho Diretor

Alfredo Pérez Alencart (Peru-Espanha) - diretorMarcelo Gatica (Chile) - ViceJuan Carlos Martin Cobano (Espanha) - Secretário - GeralIsabel Pavón - Secretário do Rei David Prize para Iberoamericano Bíblia Poesia

Conselho Consultivo Espanha

Juan Antonio Monroy 
Samuel Escobar 
Stuart Park 
Beatriz Garrido 
Noa Alarcón 
Máximo García 
Manuel Corral 
Asun Quintana 
Pedro Tarquis 
Gabino Fernández 
Daniel Jándula 
Leopoldo López Samprón
Conselho Consultivo Ibero-Americano

Carlos Nejar (Brasil) 
Luis Rivera Pagan (Puerto Rico) 
José Brissos-Lino (Portugal) 
Plutarco Bonilla (Costa Rica) 
Leopoldo Cervantes Ortiz (México) 
Luis Cruz-Villalobos (Chile) 
George Reyes (Equador) 
Meriam Bendayan (Peru) 
Gerardo Oberman (Argentina) 
Balam Rodrigo (México) 
Sammis Reachers (Brasil) 
Sergio Inestrosa (El Salvador) 
Daylins Rufin Pardo (Cuba)

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Carlos Nejar: Luiz Vaz de Camões



Luiz Vaz de Camões
Carlos Nejar

Não sou um tempo
ou uma cidade extinta.
Civilizei a língua
e foi resposta em cada verso.
E à fome, condenaram-me
os perversos e alguns
dos poderosos. Amei
a pátria injustamente
cega, como eu, num
dos olhos. E não pôde
ver-me enquanto vivo.
Regressarei a ela
com os ossos de meu sonho
precavido? E o idioma
não passa de um poema
salvo da espuma
e igual a mim, bebido
pelo sol de um país
que me desterra. E agora
me ergue no Convento
dos Jerônimos o túmulo,
que não morri.
Não morrerei, não
quero mais morrer.
Nem sou cativo ou mendigo
de uma pátria. Mas da língua
que me conhece e espera.
E a razão que não me dais,
eu crio. Jamais pensei
ser pai de santos filhos.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Dom Miguel de Unamuno, reitor de Salamanca - Poema de Carlos Nejar



Dom Miguel de Unamuno,
reitor de Salamanca
A Espanha era eu.
Tinha meu rosto
cicatrizado. Era
Miguel e os algozes
sem nome, cúmplices
do Estado. E nem isso.
Foi-me tirada a reitoria
de Salamanca e não
pude apertar de uma pistola
o dia, seu gatilho, o cão
da arma contra os cães.
E fui no exílio Espanha.
Combati e não perdi
a lâmina da alma. E eu
era todos os meus mortos
e os calados, postos
sob o aceso pelotão.
Eu era Espanha
na mudez e no ferrão
da pena, este punhal
de chamas. Minha
Espanha gemendo,
tropeçada na discórdia
civil, entre soldados tão
encarniçados, que nenhum
grão de pólvora deixou
de ser meu rosto, entre
os escombros. Com os
feridos feridos olhos,
os ruídos de todo
o meu povo atravessado.
E as botas fumosas,
as botas de escárnio
de escárnio e chuva,
negras balas. Não, a história
sou eu, não eles.
Eu, que resisti,
que branco permaneço,
inda com as negras balas.
O que da névoa viu passar,
sem Sancho, D. Quixote
negro no galope.


Se fui reitor, era
em Paris Espanha.
Era de Espanha,
o mundo. De Espanha
a Espanha: alma.


Quando voltei
não era mais
Miguel de Unamuno,
professor de quimeras
e de versos.


Era Miguel, o que não
sabia o que fazer com
a infância e nem teve
merendas no colégio.


Era Miguel, com o rio
Tajo nas costas
E a inteligência intacta.


Miguel, o que fazia
força de ser pássaro
e era um forasteiro
de silêncios.


Miguel, o que entortava
suas lágrimas e não obedeceu
ordem alguma da noite miliciana.


Miguel, que não sabia nada.
Nem viver ou morrer.
Analfabeto de manhãs.
Porque era Espanha.


In Revista Brasileira #36 (Academia Brasileira de Letras). Leia Aqui.
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