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segunda-feira, 5 de julho de 2021

Os poemas mais motivacionais da literatura brasileira e mundial, num e-book gratuito

 


A poesia, irmã mais velha feita de mãe das artes, foi desde sempre uma celebração da vida. Antes de a palavra ser escrita, ela foi sempre falada: Narrativas de sabedoria transmitiam de indivíduo a indivíduo o que de melhor a sua e outras culturas haviam gerado.

Fiel a uma tal linhagem, esta pequenina antologia reúne exatamente o que seu título expressa: poemas luminosos. Versos com capacidade de insuflar os mais valiosos sentimentos e valores. Mas, espere: Não temos aqui uma seleta de poesia piegas, uma coleção de “poemas de autoajuda”, de forma alguma; mas sim um florilégio de verdadeiras obras primas, em grande parte colhidas de alguns dos maiores nomes da Literatura, seja brasileira ou universal.

Numa primeira vista, este livro engana: De um lado vê-se sua singeleza em páginas, tão poucas; doutro, e isso dependerá do após a leitura, a profundidade alcançada por algumas das mensagens aqui expostas é de uma riqueza com que poucas vezes o leitor, mesmo experimentado, se haverá deparado.

Poemas que celebram a vida e o poder da resiliência, promovendo o exercício daquele outro olhar, o poético, que desnuda mistérios, bordeja e adentra ao sagrado e extrai o melhor de tudo.

Ao fim deste volume, oferecemos ao leitor uma pequena mensagem de afirmação da vida e seu sentido virtuoso.

Um livro  – gratuito – para ler e reler, guardar e compartilhar.

 

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sábado, 18 de julho de 2020

DESENHO, um poema de Cecília Meireles

Paul Gauguin
Desenho
Fui morena e magrinha como qualquer polinésia,
e comia mamão, e mirava a flor da goiaba.
E as lagartixas me espiavam, entre tijolos e as trepadeiras,
e as teias de aranha nas minhas árvores me entrelaçavam.
 
Isso era num lugar de sol e nuvens brancas,
onde as rolas, à tarde, soluçavam mui saudosas...
O eco, burlão, de pedra em pedra ia saltando,
entre vastas mangueiras que choviam ruivas horas.
 
Os pavões caminhavam tão naturais por meu caminho,
e os pombos tão felizes se alimentavam pelas escadas,
que era desnecessário crescer, pensar, escrever poemas,
pois a vida completa e bela e terna ali já estava.
 
Como a chuva caía das grossas nuvens, perfumosa!
E o papagaio como ficava sonolento!
O relógio era festa de ouro; e os gatos enigmáticos
fechavam os olhos, quando queriam caçar o tempo.
 
Vinham morcegos, à noite, picar os sapotis maduros,
e os grandes cães ladravam como nas noites do Império.
Mariposas, jasmins, tinhorões, vaga-lumes
moravam nos jardins sussurrantes e eternos.
 
E minha avó cantava e cosia. Cantava
canções de mar e de arvoredo, em língua antiga.
E eu sempre acreditei que havia música em seus dedos
e palavras de amor em minha roupa escritas.
 
Minha vida começa num vergel colorido,
por onde as noites eram só de luar e estrelas.
Levai-me aonde quiserdes! ─ aprendi com as primaveras
a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Destino, poema de Cecília Meireles


DESTINO

Pastora de nuvens, fui posta a serviço
por uma campina desamparada
que não principia e também não termina,
onde nunca é noite e nunca madrugada.

(Pastores da terra, vós tendes sossego,
que olhais para o sol e encontrais direção.
Sabeis quando é tarde, sabeis quando é cedo.
Eu, não.)

Pastora de nuvens, por muito que espere,
não há quem me explique meu vário rebanho.
Perdida atrás dele na planície aérea,
não sei se o conduzo, não sei se o acompanho.

(Pastores da terra, que saltais abismos,
nunca entendereis a minha condição.
Pensais que há firmezas, pensais que há limites.
Eu, não.)

Pastora de nuvens, cada luz colore
meu canto e meu gado de tintas diversas.
Por todos os lados o vento revolve
os velos instáveis das reses dispersas.

(Pastores da terra, de certeiros olhos,
como é tão serena a vossa ocupação!
Tendes sempre o indício da sombra que foge...
Eu, não.)

Pastora de nuvens, esqueceu-me o rosto
do dono das reses, do dono do prado.
E às vezes parece que dizem meu nome,
que me andam seguindo, não sei por que lado.

(Pastores da terra, que vedes pessoas
sem serem apenas de imaginação,
podeis encontrar-vos, falar tanta coisa!
Eu, não)

Pastora de nuvens, com a face deserta,
sigo atrás de formas com feitios falsos,
queimando vigílias na planície eterna
que gira debaixo dos meus pés descalços.

(Pastores da terra, tereis um salário,
e andará por bailes vosso coração.
Dormireis um dia como pedras suaves.
Eu, não.)


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