Revoada
É
como se dentro de mim houvesse pássaros.
Desesperos,
incompreensões, descrenças, mortes,
tudo
se esvai num momento, quando nascem as canções
que
transbordam como hinos ao meu destino e à vida.
Uma
vez gritei: Senhor! Mas os pássaros
haviam
partido. Cheguei a sentir a pouca distância
o
sono dos abismos. Tudo estaria perdido
não
fosse o horror da viagem pelo mar que ignoramos.
Em
outras auroras descansava, e era morto
o
grito na lembrança suja do tempo gasto,
quando
acordou o meu irmão o seu eco entre as brumas.
Agora
os pássaros poderão voar, cessarem as canções,
que
é seu eco uma cicatriz lembrando que o Senhor
imobilizará
as mãos chagadas de descrenças.

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