quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Dois poemas de Maria José de Jesus

 


A Vida

 

Que é o mundo senão efervescência

Da vida — que pulula pelos ares,

Pela terra, nas vísceras dos mares,

Proclamando a divina Onipotência?

 

Cada vida produz. nova existência...

Os seres multiplicam-se aos milhares...

Se a morte brutalmente poda os lares,

A vida brota em nova eflorescência.

 

Mas esta vida tão pujante embora,

Não é mais que um prelúdio, uma aurora

Da vida que jamais há de findar.

 

Morre o corpo, mas a alma — essa não morre;

E ao separar-se dele ao seu Deus corre —

Como um rio que enfim entra no mar!

 


Madalenas


Junto da Cruz soluça a Madalena,
Louca de dor, ao ver o Mestre amado
Pagando – Ele o Impoluto, o Santo – a pena
Da iniquidade humana, do pecado.


A seus olhos desfila, cena a cena,
O horror de seu tristíssimo passado;
E ela vê quanto é grave o que condena
O mesmo Deus a ser crucificado!…


Ó minha alma, como ela tu pecaste:
Como ela faze penitência agora.
Serás perdoada porque muito amaste.


Os pecados do mundo e os teus deplora!
Ama o teu Deus que tu crucificaste!
E, junto desta Cruz, definha e chora.

 

Madre Maria José de Jesus (1882 - 1959), foi uma freira carmelita brasileira, poeta e tradutora.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...