A Vida
Que
é o mundo senão efervescência
Da
vida — que pulula pelos ares,
Pela
terra, nas vísceras dos mares,
Proclamando
a divina Onipotência?
Cada
vida produz. nova existência...
Os
seres multiplicam-se aos milhares...
Se
a morte brutalmente poda os lares,
A
vida brota em nova eflorescência.
Mas
esta vida tão pujante embora,
Não
é mais que um prelúdio, uma aurora
Da
vida que jamais há de findar.
Morre
o corpo, mas a alma — essa não morre;
E
ao separar-se dele ao seu Deus corre —
Como
um rio que enfim entra no mar!
Madalenas
Junto da Cruz soluça a Madalena,
Louca de dor, ao ver o Mestre amado
Pagando – Ele o Impoluto, o Santo – a pena
Da iniquidade humana, do pecado.
A seus olhos desfila, cena a cena,
O horror de seu tristíssimo passado;
E ela vê quanto é grave o que condena
O mesmo Deus a ser crucificado!…
Ó minha alma, como ela tu pecaste:
Como ela faze penitência agora.
Serás perdoada porque muito amaste.
Os pecados do mundo e os teus deplora!
Ama o teu Deus que tu crucificaste!
E, junto desta Cruz, definha e chora.
Madre Maria José de Jesus (1882 - 1959), foi uma freira carmelita brasileira, poeta e tradutora.

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