“É tempo de concluir; já tudo foi dito.”
Eclesiastes 12.4
De tudo isto a conclusão é: o sol brilha
e não deixa vivalma isenta de meio-dia
a noite consome-nos quando faz assobiar os gonzos
por trás de nós, por trás da memória
a areia devora-nos o rosto, é uma mó
que de tanto moer grão seco quebrou
o coração dissolve-se no vento
sem saber o que o leva às alturas
sem saber se há alturas ou apenas vertigem
de tudo isto, dos velhos que são fortes
curvados, do deserto em que não entrámos
que perdemos na ilusão de ser mar mas que entra
por nós dentro, e nos traga as mãos
ao tanto escorrer
de tudo isto a conclusão
é afinal irrefragável:
teme ao Senhor ama os preceitos dum Pai
a eternidade que são
todas as horas da tua vida de homem,
esta é a tua condição, esta é a tua conclusão
Rui Miguel Duarte
06/03/14
quinta-feira, 6 de março de 2014
sábado, 1 de março de 2014
MENDIGA
CHARLES REZNIKOFF
( New York, 1894-1976)
Quando eu tinha quatro anos de idade, a minha mãe levou-me ao parque.
O sol da primavera não estava muito quente. A rua estava quase vazia.
A bruxa do meu livro de fadas, saiu e foi caminhando.
A mãe inclinou-se para apanhar algumas uvas bolorentas da sargeta.
© Versão de João Tomaz Parreira
( New York, 1894-1976)
Quando eu tinha quatro anos de idade, a minha mãe levou-me ao parque.
O sol da primavera não estava muito quente. A rua estava quase vazia.
A bruxa do meu livro de fadas, saiu e foi caminhando.
A mãe inclinou-se para apanhar algumas uvas bolorentas da sargeta.
© Versão de João Tomaz Parreira
sábado, 22 de fevereiro de 2014
EPITÁFIO DE UM JUDEU EM TREBLINKA
Estou aqui e a cinza não morreu
é como o pó
que regressa às mãos divinas
Por que tive de ser um Judeu
dentro de um sobretudo preto e depois esquecer
os salmos, presos
pelo fio da fome ?
Vendi o meu violino numa rua no gueto
e ninguém pôde
prometer nada
ao outro, nem sequer Deus.
23-02-2014
© João Tomaz Parreira
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
O ÚLTIMO CÁLICE
até amanhã
já me basta o vinho de hoje
o mal de cada dia que vem a nós
só o vinho o novo e o velho
de cada hora
até amanhã
quando às estrelas
forem cortados os ventres das uvas
até amanhã
lá no meu Reino
lembrai-vos de mim
Rui Miguel Duarte
18/02/14
já me basta o vinho de hoje
o mal de cada dia que vem a nós
só o vinho o novo e o velho
de cada hora
até amanhã
quando às estrelas
forem cortados os ventres das uvas
até amanhã
lá no meu Reino
lembrai-vos de mim
Rui Miguel Duarte
18/02/14
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Les Mains Sales
Mãos sujas pelas lamas da vida
sujas como raízes da terra
mãos sujas, mas não obscuras
mãos do momento inicial
da argila, que copiam o trabalho do dia sexto
da criação divina
Sujas
mas de amassar as águas com o barro
mãos que não se apertam
com os cotovelos junto ao corpo
mãos sem medo
da água fria, não têm tempo a perder
porque a noite elide cores e desafios
de toda a bondade sobre a terra
Mãos que não se escondem
porque não é a vergonha a sujidade
há outras mãos sujas, essas são
apesar do cristal opaco que as protege
O que estas mãos sujas manifestam
fechadas em concha
sobre um rosto, a claridade!
11-02-2014
© João Tomaz Parreira
sábado, 8 de fevereiro de 2014
ESTÁ PRÓXIMO O FIM DO VERÃO (uma leitura bucólica do Apocalipse de João)
Bem Goossens, Bélgica, "Escadas para o Céu"
A saudade sonora das cigarras
quando a tarde se inclina nas searas
A solidão dos grilos, a certeza
das folhas caídas, que se entregam
aos dedos do vento atarefados
Não sei como sentem
as estrelas, mas esperam no silêncio
adormecido das distâncias.
8-02-2014
© João Tomaz Parreira
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
O Mosaico dos Raros - A jovem literatura amapaense reunida em livro de contos
Sob a batuta do escritor, poeta e ativista literário Marvin Cross, chega-nos, diretamente do Amapá, a antologia O Mosaico dos Raros. O livro, gratuito, reúne contos de jovens autores da literatura amapaense
Os bravos autores são: Tiago Quingosta, Marvin Cross, Prsni Nascimento, MK Santos, Rodrigo Mergulhão, Genniffer Moreira, Samila Lages, Lara Utzig e Rodrigo Ferreira.
Conforme texto de apresentação do organizador,
"Um mosaico pode ser definido como várias peças unidas, que podem ser de diferentes materiais (pedras, plástico, papel etc.), a fim de formar um todo, uma figura, caracterizando-se, portanto, como uma obra mosaica. São diferentes pedaços que vão se embutindo uns aos outros a fim de formarem algo único.
Este livro é um mosaico. Sua proposta foi de abordar as diferentes expressões artísticas para servirem de pano de fundo a cada história aqui contada. Muitas dessas artes são mais do que pano de fundo, mas componentes cruciais nos contos reunidos neste e-book organizado por mim e com participação ilustre de escritores jovens da seara literária que vem explodindo no Amapá.
É um mosaico de textos raros, feitos sob encomenda (literalmente!!), obedecendo a um desafio proposto que consistia em cada autor ficar encarregado de uma arte específica, como o conto intrigante de MK Santos, que trata da arte arquitetônica, ou a surreal narrativa de Rodrigo Mergulhão, incumbido de elaborar um conto com o tema “Cinema”. Nas próximas páginas, você está convidado a se divertir, se emocionar, refletir e até mesmo se arrepiar com as obras carinhosamente preparadas para seu precioso momento de leitura. Ficamos honrados em contribuir com isso, muito mais se você curtir nossos textos e recomendar a seus amigos que façam o download deste material."
Você pode baixar o livro pelo site 4Shared, CLICANDO AQUI.
E pode ler o mesmo online, ou baixar pelo site Scribd, CLICANDO AQUI.
Assinar:
Postagens (Atom)



