sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Aos 24 anos, (pouco) antes de Cristo


Aos 24 anos, (pouco) antes de Cristo

Um fliperama,
três fichas de KOF, dois lances
de vinho o mais barato

observar Ísis, o Coração do Mundo,
saindo de casa para o colégio
branca como um trovão esvoaçante,
que passa lento queimando o céu,
queimando as coisas
passíveis de fogo

ir à casa de um amigo,
ir à casa de dois,
por uma hora e quarenta e
quatro minutos olvidar
todas essas Leis canhestras
que me (im)pressionam o voo

ser apresentado a Mishima, Genet, Bukowski,
perder Ísis pelo Céu,
sair vivo desse dia.

Sammis Reachers

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

FALTAVA UMA LÍNGUA




Faltava uma Língua para vestir a harpa
o Salmo
encurtava a distância do Céu
trazia até nós traduções
dos silêncios divinos
fechando em si o coração do salmista
Faltavam palavras, que chegaram
para vestir
de aves a memória de Davi.

12/12/12

© J.T.Parreira

Jorge de Lima: O Filho Pródigo



O FILHO PRÓDIGO
  
Nas engrenagens das fábricas
bolem como vermes – dedos decepados de operários.
Há vaivéns do correame das oficinas.
A cor e a alegria das moças empregadas
dissolvem-se na algazarra monótona dos teares.
O avião comeu a saudade das mães
que a distância separou dos filhos vagabundos.
Há máquinas que cegam os adolescentes
ansiosos de ver o progresso do mundo.
 
Um homem teve medo de enlouquecer
perseguido pela força e pelo orgulho
das máquinas assassinas.
 
Cadê a luz trêmula de vela
pra alumiar o meu poema antigo?
O lirismo perdeu a sua liturgia.
 
As lâmpadas Osram velam funebremente a poesia.
Ah! que existe uma tristeza na terra
que nem lágrimas produz
de sua esterilidade tão seca.
 
Eu sou um corpo distraído.
 
Bóiam os meus olhos pelas superfícies.
Mas os meus olhos correm mais perigo
do que se andassem em acrobacias contemplativas
pulando no céu alto, perto das estrelas.
 
Vovózinha, venho de longe,
ando há muitos séculos à pé.
 
Ensina-me de novo a ficar de joelhos,
que já é tarde e eu quero me deitar.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

UM CAFÉ À BEIRA-MAR

Marcámos encontro 
sobre um café paradoxal
trago comigo o teu olhar 
que empresto ao farol 
cuja torre tudo sobrepuja
com ela crescemos até atingir o mar 
mas nunca o céu
este está reservado ao olhar do farol
aonde o teu olhar, com a largura do mar,
é capaz de subir

marcámos a hora num riso de areia
e aí fizemos castelos
conquistados pelos dedos 
da criança,
a criança que bebemos na chávena 

no farol há um pouco de nós
há tudo de nós
somos aqueles que seccionam o horizonte
e o esparge no vapor
somos aqueles que se elevam
nessa respiração quente
quando a maresia tudo já de nós cativou

é na fina espuma que somos 
toda a praia e o vento
quanto decidimos ser
e o café à beira-mar não é
paradoxal 

Rui Miguel Duarte
9/12/12

domingo, 9 de dezembro de 2012

Antologia A Poesia do Natal - Poemas natalinos dos melhores poetas evangélicos



Poetas Evangélicos de ontem e de hoje
escrevem sobre o Natal de Jesus Cristo

Já desde inícios do século XX que o Natal, onde a cristandade comemora o nascimento epifânico de Jesus Cristo, vem perdendo seu caráter sagrado ou religioso para ganhar paulatinamente as cores baratas do consumismo e da secularização, esvaziamento este algumas vezes configurado na personagem ‘Papai Noel’, e também em toda a ritualística de glutonarias e bebedeira que a cada ano se repete.

Em tal clima de crescente alienação, é com imenso prazer que ofertamos ao leitor esta antologia de poemas natalinos. Os poemas aqui coligidos são um chamado ao louvor e à adoração, e à contemplação do verdadeiro espírito do Natal. E também, em alguns de seus melhores momentos, à reflexão crítica sobre este viés secularista que as comemorações natalinas têm assumido, mesmo entre os ditos cristãos.

Estão aqui presentes os nomes exponenciais de nossa poesia evangélica, nomes tais como Mário Barreto França, Myrtes Mathias, Gióia Júnior, Stela Câmara Dubois, Joanyr de Oliveira e outros, ao lado de excelentes poetas cuja obra tem sido olvidada, caso de um Jorge Buarque Lira, um Benjamin Moraes Filho, um Gilberto Maia, entre diversos outros bons exemplos.

Para ler o livro online ou fazer o download (213 págs., em pdf) no site Scribd, CLIQUE AQUI.

Para fazer o download pelo 4Shared, CLIQUE AQUI.



Apresentação do livro, pelo poeta e pastor Josué Ebenézer

SERÁ SEMPRE NATAL...

Ao terminar a leitura do belo trabalho de Sammis Reachers sobre o Natal, não pude deixar de relembrar natais passados, que a memória do tempo sempre se encarrega de fazer retornar emoções, sentimentos, ideais e celebrações eternizadas para sempre no coração crente e na derme fremente de quem se emociona fácil com as epifanias natalinas do Salvador.

Sammis é um jovem embebido pela poesia que - como bom historiador e jornalista que vasculha o passado para tornar o presente mais interessante - não se cansa de promover o resgate da poesia evangélica seja ela pátria ou de origem lusa, com o fito de promover entre as gerações mais jovens o Belo que adorna as letras e também o Perfeito que enfeita o espírito.

Com certeza o futuro há de prestar homenagem a este jovem que luta contra a corrente do descaso poético e literário para suprir lacunas que a imprensa tradicional deixa subsistir por conta dos ditames mercadológicos da vida livresca nacional. Foi o que ouvi certa feita de um editor ao falar da necessidade de novas edições de velhos poetas famosos e da publicação de novos poetas emergentes: os jovens não gostam mais de poesia!

É jovem o organizador desta Antologia e ele sabe que os jovens continuam a gostar de poesia, por que seus corações amantes continuam a olhar para a Lua, a tremerem no alvorecer do amor em seus corpos moços, a serem impactados pela Luz de Deus e a sonharem com o Amanhã.

Este trabalho aproxima-nos da realidade do Natal de Cristo, aquece corações fervorosos, faz pensar as mentes inquietas com as realidades sociais indesejadas e faz sorrir lábios que se abrem em louvor sempre que seus corações agradecem ao Pai a doação do Filho para fazer a trajetória da Manjedoura ao Calvário e assim nos abrir o Portal da Eternidade.

Para quem ama a Deus, se entrega ao Cristo, possui coração amante e vive e festeja o verdadeiro Natal, será sempre Natal. Sammis Reachers nos ajuda a ter sempre perto de nós este Natal que vale a pena, este Natal que alimenta os corações adoradores dos servos de Deus.

Delicie-se com estas linhas e seja inspirado com o que de melhor poetas cristãos têm traduzido acerca do Natal de Cristo.


Josué Ebenézer de Sousa Soares
Poeta, jornalista, pastor batista

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

CHEGADA

                                            

 
 “Não lhe pedi que viesse. Pedi-lhe só que às dez da noite”
Vergílio Ferreira ( do conto “Adeus”)


Não lhe pedi que viesse. A adaga
da lua cortava o caudal da noite.
Veio e atravessou o céu enxuto
da quase aurora, a harmoniosa
hora a que chegou
trazia as quase cores dos frutos
o quase perfume de toda a criação
a quase altura do sol, sem medo
as rosas juntaram as pétalas
e oraram
o seu silêncio matinal.

3/12/2012
 
© J.T.Parreira
(Merson, Luc-Olivier, 1846-1920, " Chegada a Belém" )

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

PARTIDA




Saberás a razão de eu partir
quando de mim
te restar, apenas,
a ausência

Sentirás o gosto da minha partida
no ranger do soalho
coberto de pó
e na debilidade
da cor das paredes, outrora,
emolduradas

Com o passar dos dias
regressará o silêncio quebrado,
unicamente,
pela pressão dos teus passos

Aperceber-te-ás então do seu peso
e lerás nos vestígios
que atrás deixei
o rasto de alguém
que partiu, decididamente,
magoado.


Florbela Ribeiro ®
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...