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sábado, 24 de agosto de 2019

ÂNSIA DE ETERNIDADE - E-book de José Brissos-Lino para download


A presente obra reúne um conjunto de pequenos poemas dispersos sobre temática espiritual e religiosa, escritos ao longo de alguns anos e ainda não publicados em livro.
As questões da fé e da eternidade, a revisitação de figuras, imagens e episódios bíblicos, em particular os tocantes às temáticas da transcendência e da relação com Deus, pairam claramente sobre a paisagem poética aqui apresentada, assim como alguns exercícios livres de meditação ou elevação (chamemos-lhe assim).
No fundo trata-se do discurso poético de um homem de fé, desenvolvido mais em jeito de reflexão pessoal. E o que é a Poesia senão isso?
Como bem dizia Miguel de Unamuno “acreditar em Deus é antes de mais e sobretudo querer que ele exista” (Do Sentimento Trágico da Vida, 1913).
É por isso que esta obra pode constituir inspiração significativa para quem for capaz de a saber ler, e elevação espiritual para quem aspira à eternidade e sente que ela está a passar por aqui.
O Autor
Para realizar o download do livro pelo site Google Drive,CLIQUE AQUI.

domingo, 30 de setembro de 2018

A CONVERSÃO A CAMINHO DE DAMASCO, DE CARAVAGGIO (1600)







Com os braços procurando suster

O peso do céu, Saulo sente a humilhação

Como Estevão um dia sob as pedras

Todo o silêncio se estendeu e a voz

Vem do firmamento que se abre de repente

Saulo, Saulo, por que me persegues, e um jorro

De luz como um vento a abrir uma janela

Não era uma voz de seda, nem colérica

Como as vozes que emergem dos homens

Era a pergunta

De quem ainda tinha feridas de ferro nas mãos

E sinais de uma coroa ardente de espinhos.



29/09/2018
© João Tomaz Parreira


quarta-feira, 20 de junho de 2018

“A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E AS MULHERES NO TÚMULO”, de FRA ANGELICO




Deixem aqui os vossos temores, aqui apenas

Estão os lençóis que cobriram a morte

Ele tinha-vos dito recentemente

Guardem os vossos bálsamos, são suaves

Agora os caminhos de Jesus sobre as nuvens

O que os vossos olhos não contemplam

É o só princípio da luz ao fundo da eternidade

Vejam aqui na luz solar o túmulo, deixem aqui

As vossas lágrimas arrumadas sobre o pano

Que lhe cobriu a cabeça, esqueçam as ligaduras

No chão, não procurem mais aqui a vida

No lugar dos mortos.


19/06/2018

© João Tomaz Parreira

domingo, 6 de maio de 2018

A CASA DE MARTA E MARIA EM BETÂNIA


Ele ia algumas vezes tomar refeições, Ele entrava

No meio de olhos alegres e vozes

Agradecidas pela sua visita, na casa as tarefas

Logo se definiam, Maria punha o coração

Nos seus ouvidos, não sabemos se ouvia poesia

As palavras vinham vivas, a irmã Marta sabia

Que uma anfitriã tem de ter sempre

A mesa posta, embora bastasse um copo de água

Fresca, tudo se fazia para o Hóspede

Se sentir como em sua casa, o céu

E a terra juntos em Betânia

Quando Ele as visitava.



17/01/2018
© João Tomaz Parreira

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A ORAÇÃO NO GETSEMANE





Seria bonito desaparecer no ar, voltar a casa
Com o odor no corpo das flores
Que Tu criaste, passar entre as folhas
Das oliveiras como o beijo do vento
Seria fácil mesmo com os joelhos feridos
Do chão de onde a minha prece se elevou
Se assim fosse o que seria dos homens?
Morreriam para sempre na minha dúvida
Se é possível que o cálice passe, seria fácil
Não o tragar, não olhar para trás, evanescer no ar.

13/09/2017
© João Tomaz Parreira 


quarta-feira, 9 de agosto de 2017

POEMA DE MARIA MADALENA JUNTO AO SEPULCRO



Onde puseram o meu Senhor ? Mesmo morto
O seu corpo receberia o perfume dos meus olhos
Onde o puseram Ele não é um morto
Como os outros para que o Seu corpo se consuma
O meu choro é o que sobra do meu coração
Tanto amor, sem retorno físico, preso
Na indiferença da morte
Dizei-me anjos, vós que não trouxestes
Do céu os crepes com que se amortalham os mortos
Não sei onde o puseram, e a Sua ausência
Mais enobrece o meu amor, sou uma mulher simples
Que rompeu as cadeias dos olhares dos homens
Para vir derramar-se junto ao seu sepulcro.

06/08/2017

© João Tomaz Parreira


domingo, 16 de julho de 2017

SENHOR LAZARUS



“A sort of walking miracle”
Sylvia Plath



Aquele que veio do outro lado
da morte, com os olhos cheios
de intraduzíveis paisagens
Lázaro voltou
enriquecido com o seu silêncio
de ouro.

16/07/2017


© João Tomaz Parreira

quarta-feira, 28 de junho de 2017

CASA DE ORAÇÃO

“Vês estas grandiosas construções? Não deve ser aqui deixada
Pedra sobre pedra que não seja desmoronada”
Marcos, 1, 2


Quando fechares um dia as tuas portas
não será porque a noite
desceu o véu translúcido sobre as coisas

Ou porque te falte o amor
 para acolher os homens e mulheres perdidos
será porque a bagagem estava pronta e Ele veio.

Há sinais que o mundo ignora, o sangue
nas estrelas, a qualquer hora os mares
podem erguer-se do seu profundo leito
e os sismos
que abrem fendas nas nossas arquitraves

Quando fechares as tuas portas
será porque à hora mais inesperada
os relógios deixarão de ter valia
virá  Aquele por quem anseia a nossa alma

A qualquer hora da noite nos levantaremos
a qualquer hora do dia, subiremos de repente
pelo algodão das nuvens
e a casa de oração fechará as suas portas

E quem entrar, porque perdeu a noção da hora
encontrará cadeiras e talvez algumas mãos vazias
quando vier  Aquele que se espera
haverá um silêncio assombrado que passa
nos olhares dos homens
baterão com insistência à tua porta

Mas será o silêncio de Deus que encherá
para sempre os cantos mais recônditos
mesmo os mais iluminados desta casa.

16/6/2017

© João Tomaz Parreira

sábado, 24 de junho de 2017

a Mulher



Onde estão, Mulher, aqueles teus acusadores?
que vieram escondidos atrás das sombras
como falsificadores de Moisés, onde estão 
aqueles que escutaram através das paredes,
que não vêem
senão a carne dos dramas alheios, os que trazem
o incenso do sexo na cabeça
e denunciam o que pode ser um amor
errado, mas ainda assim amor.
onde estão, Mulher, aqueles acusadores
que se vestiram com vestes empertigadas
para o solene cortejo, para te levarem ao cúmulo
das pedras, onde estão agora
aqueles que usaram na voz a volúpia rasteira,
todos aqueles que medem tudo com o ranger
dos dentes da sua santidade?

22-06-2015
© João Tomaz Parreira

domingo, 12 de março de 2017

O CAMINHO PARA EMAÚS

Conversávamos pensativos sobre as coisas
Que aqueles dias nos traziam, os prodígios
Que acabavam, por terra
Quase o terceiro dia, a noite
Na palma das nossas mãos vazias
Até que sem nenhum gesto grandioso
Senão o do instante, Alguém
Se aproximou a um passo de distância
Dos nossos olhos cegos
E sabia, esse Estranho, tudo o que sabia
Deus veio à nossa mente.


09-07-2014

©  João Tomaz Parreira

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

O IRMÃO DO PRÓDIGO







A música põe as sombras dos que dançam
nas paredes, a alegria
da casa com todos os enfeites para a festa
Alguém detém no limiar da porta os passos
ouviu a música e as danças
é o outro filho, estava ali quem era bom
e previsível, as suas mãos jamais desperdiçaram
e nunca tivera um cabrito sequer para alegrar-se
com os  amigos. O pródigo é o outro
Aquele sem vã glória, que tem só o regresso
a casa nos seus olhos.

13-12-2016

© João Tomaz Parreira

sexta-feira, 8 de julho de 2016

DISCURSO SOBRE A ÁGUA VIVA

(Alonso Cano)


Quero nomear-te e a única coisa que sei
Do teu nome é o meio-dia e o peso
Do sol sobre a ânfora
Do teu corpo, sobre a tua cabeça
Como um lençol de luz, quando procuras
Apenas  a sombra
A única coisa que sei, quando te nomeio
Formosa mulher de Samaria
É a força nas tuas mãos quando levantas a água
É a antiga submissão de fêmea
Que canta o cântico plangente da sua vida.


05-07-2016
© João Tomaz Parreira 



terça-feira, 29 de dezembro de 2015

ORAÇÃO FEITA PARA UM ESPELHO


(Lc 18:11-12)

Graças te dou, a Ti, que estás desse lado
porque não sou como os outros, A minha ganância
é comedida,  A minha  justiça é de pedra
Não sou adúltero, A não ser comigo mesmo
e com a minha beleza, Jejuo
para fazer compreender ao pobre que a fome
nos disciplina o corpo, Dou o dízimo de tudo
dos meus dez dedos, um
é teu e serve para apontar o erro alheio, Dos outros
não há ninguém que não seja publicano.

29-12-2015


© João Tomaz Parreira 

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

DEUS MEU, POR QUE ME ABANDONASTE?



“Todavia ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar”
Isaías, 53,10


Não foi um grito porque o corpo estava enfermo
Quando  muito um grito exausto,  todo o universo
Todavia estremeceu. Nem um ressentimento
O Teu Filho teve, um queixume de quem sofre
As dores da alma. Por que O abandonaste?
Ele que morria pela Tua humanidade.
Que palavras mais humanas, sem harpas a tanger
Hinos no vento, um salmo apenas
nos lábios feridos pela sede angustiada.

01-12-2015

©  João Tomaz Parreira 

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

O QUE DISSE UM DOS MALFEITORES





A caminho da morte não falou,  a sua boca
reservava-se ao silêncio divino,  dentro da alma
chorava talvez. Assim vi o melhor espírito de Israel
consumido pela dor
numa cruz, vestido do seu próprio sangue
atravessando  o coração do Pai.
Ao meu lado a arrastar a voz ferida
a deixar no ar palavras de perdão.
Digo
aquela cruz não era para um Deus, eu que sou
um malfeitor a quem  Ele deu uma rua de ouro
no Paraíso.

08-0-2015

© João Tomaz Parreira

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

OS OLHOS DE DEUS


“Os olhos do Senhor estão em todo o lugar”
Prov, 15:3


Os olhos de Deus estão em todos
Os pardais, em todos os ventres grávidos
Onde as nações crescem, Deus não se esquece
Da sua criação, os seus olhos estão nos detalhes
Deus não tira os seus olhos do centro da terra
E dos seus altos fornos, os seus olhos calculam
E guardam a extensão dos oceanos, no fundo
Dos Himalaias, o olhar de Deus assegura o equilíbrio
Basta-Lhe um olhar para encolher e multiplicar
O universo, Deus não tem anos-luz
Os olhos de Deus estão na hora de ponta
No caos matemático do tráfego aéreo, os olhos de Deus
Podem contar as estrelas, e mesmo tão pouco
Não se perdem entre os nossos cabelos.

13-08-2015
© João Tomaz Parreira

quarta-feira, 1 de julho de 2015

ÁGUAS VIVAS Volume 4 - Antologia de Poesia Evangélica em ebook gratuito


      Dois anos se passaram desde o último volume de Águas Vivas, já seis anos desde o volume inaugural. Antologia poética bianual que almeja reunir e proclamar textos de significativos poetas evangélicos da atualidade, Águas Vivas nasceu e manteve-se sempre sob o signo da diversidade, reunindo poetas jovens, iniciantes de voz promissora a outros já experimentados e consagrados; autores oriundos dos mais diversos rincões do Brasil, e ainda de Portugal, e de diferentes filiações denominacionais.
      Este quarto volume vem confirmar a vocação pela pluralidade de Águas Vivas: Temos aqui jovens poetas de riquíssima expressão como Patrícia Costa, Marvin Cross, Maria Isabel Gonçalves e Luciano dos Anjos, ao lado de vozes experientes expressas pela força lírica e devocional de Rosa Leme e Romilda Gomes, o doce sotaque cordelístico de Roberto Celestino e a poesia francamente social de J.F.Aguiar.
      Paul Celan costumava dizer que “a poesia é uma espécie de regresso a casa.” Outro grande poeta, o espanhol Pedro Salinas, referia a poesia como “uma aventura [rumo] ao absoluto.” Pois esse singelo e aprazível exercício rumo ao Absoluto, onde, por maneiras multifacetadas, cada autor (re)constrói sua trilha e funda(menta) sua singularidade, é o que você encontrará aqui, amigo leitor. E pensar que a poesia, há ainda quem o diga, ‘não tem função’. Mas, sintetizando as opiniões dos referidos poetas, acreditamos que, ao contrário, a ela cabe a função mais nobre: lembrar-nos do Absoluto, sendo a um tempo a ferramenta e o memorial; aproximar-nos de Deus, grande porto de conturbada saída e de graciosa chegada da aventura humana; enfim mapear, com sua cartografia do inefável, nosso retorno ao Lar uma vez perdido.
      É sempre com renovada alegria e senso de dever cumprido que trazemos até você, amigo leitor, um pouco da ótima poesia cristã produzida atualmente por nossos irmãos, que têm no verso a expressão de suas almas, a extensão de sua fé.

Sammis Reachers

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domingo, 19 de abril de 2015

FLUXO DE SANGUE

“Porque dizia consigo: Se eu tão-somente tocar a sua roupa, ficarei sã."
Evangelho segundo Mateus 9:21

Dizia comigo: há um rumo de sangue
que me conduz a ti o sangue que
ao correr repetidamente abriu sulcos
nas minhas lágrimas e erodiu a minha alma

dizia comigo: há um princípio de sangue
no meu e teu fim, foi ele o sangue que pintou
a veste branca, não da púrpura
dos senadores romanos
mas de um escarlate
que vem da medula
da dor animal

dizia comigo: há um trâmite de sangue
de troca por troca, de simples oferta e procura
de mim para ti
ai se soubesse não teria trocado tanto dinheiro
para ficar com o meu sangue, que afinal
insistia em me deixar as feridas insaradas

dizia comigo: há um fluxo de sangue
do teu e meu sangue, um rasto
de frutos silvestres espremidos
na orla do teu manto

Rui Miguel Duarte
18/04/15

terça-feira, 10 de março de 2015

CALEB

“Há anos que escrevo o mesmo poema”
J. T. Parreira

Sou ainda o mesmo que fui outrora
ainda hoje os mesmos olhos
olham por dentro das mesmas pupilas
e procuram o mesmo infinito

há quarenta anos que sonho
o mesmo sonho
que este passeia pelo monte e lhe cria
um nome, Hebron,
e o soletra letra a letra,
como o nome de um amigo, com
o mesmo suspiro em silêncio

há quarenta anos que espero
então era soldado e lavava
a espada no sangue de gigantes
hoje lavo-a na chuva
que se acumula no vale

sou o mesmo rosto furtivo
à viragem do vento e recalcitrante
à passagem dos dias

há anos que escrevo o mesmo poema
que fala de promessas e de campos largos
e montes para conquistar
a mão do Senhor abrindo a minha
a pulso no papiro

os cabelos que hoje são brancos
já o eram então há quarenta anos:
embora mais longos

Rui Miguel Duarte
6/03/2015

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

NATAL

não é quando um homem quiser
o Natal, nem quando qualquer outro homem fizer
quantas estrelas inquietas
seriam necessárias para reconduzir
magos e poetas ao mistério do Conselheiro
na dimensão de pequenas mãos
quantos concertos de anjos
e acordes de flautas de pastores
para acompanharem
os vagidos frágeis de Deus na faringe
de um Menino, Natal

foi quando Deus quis e sonhou
que o Príncipe da Paz fosse menor
do que um rei
foi quando Deus quis que passou
pelo sonho de profetas
um Menino
o Maravilhoso coberto de panos
de linho de rejeição

que um Menino, num sopro único, nasceu
como todos os meninos, que são
o despojo da dor das suas mães

foi quando Deus encheu o tempo
foi então que a palpitação das galáxias
descansou à espreita desse momento
que é o princípio de tudo em flor

Rui Miguel Duarte
23/12/2014
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