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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

A poesia experimental de O Poema Sem Fim

Sammis Reachers

O Poema Sem Fim é um projeto de meta/hiper/literatura, uma espécie de poema multimodal em continuidade, que alimento, como a uma besta, desde o mês um de 2011.

Aqui, o trecho inserido hoje, 11/09/2019

É função da Poesia
Explotar o coração dos homens
Assim como a magia negra
Explota os corações dos demônios e batráquios
Poema, feromônio alfabético,
forma frágil de fulgurar,
dactilothanaticamente conduzir
Um carroção de transencantos, sílfides sintagmas

Um poema deve ser sempre uma fenovenotragedia (fenomenológico em sua venalidade trágica)
Casa de Incêndios,

Abrigo da chama incircuncisa
Cansacinchaço circular das palavras

Ferida no lombo da língua


Conheça esta forma tênue da prosódia do caos: https://opoemasemfim.blogspot.com/

sábado, 10 de agosto de 2019

Romário Machadinha, um conto de Sammis Reachers



"Rio, cidade-desespero
A vida é boa mas só vive quem não tem medo
Olho aberto malandragem não tem dó
Rio de Janeiro, cidade hardcore."
Zerovinteum (Marcelo D2 e BNegão)

Seu melhor emprego fora no Tijuca Tênis Clube. Era vigilante: bermudão de sarja, um dogue alemão numa coleira, revólver na outra, a que chamamos de cinto. E paz e amor naqueles gramados.
Um incidente lhe arrancou o emprego e a paz: na madrugada sonolenta, terceira ronda da noite, ele percebeu que a porta de um dos depósitos de material estava aberta. Entrou, vasculhou. Somente ao sair viu o meliante correndo. Ele não disparou, não soltou o cachorro que latia de tesão. Nada. “Que fuja, não havia nada pra roubar aqui.” Mas ele estava no Rio de Janeiro, cidade desespero. Ao subir no alto muro para concluir sua fuga, fuga quase que “facilitada”, ainda de cima do muro o desgraçado sacou uma arma e disparou, sabe-se lá pra quê. Ao primeiro disparo, nosso pacato vigilante, vamos chamá-lo aqui de Alberto pois a história é verídica e ele vive, abrigou-se atrás de uma árvore. O meliante fez ainda um segundo disparo. Alberto, mais para afugentar o perigo, disparou seu primeiro tiro após sair da escolinha de formação de vigilantes.
Na escuridão inchada pela distância, lhe pareceu que o indivíduo pulara. Resolvido o problema, Alberto procedeu com os trâmites de praxe. Telefonou para a polícia e para o gerente da instituição. Em pouco tempo estavam todos lá.
Nas buscas que a polícia efetuou na parte exterior do clube, uma surpresa: dentro de uma vala de escoamento pluvial contígua ao muro, com uma única perfuração central em sua testa, um cadáver.

Ao relatar que morava em Queimados, na perenemente malfadada Baixada Fluminense, os policiais vaticinaram: “Matador”. “Deve ter uma ficha grande nas costas, hein, ceifador?”. “Um balaço no meio da testa, à distância... tu é dos nossos. Tu é miliciano?”. “O doutor vai correr sua ficha aí, tu deve tá cheio de bronca nas costas...” “Cê não me engana não, xará, tu é bicho solto...”.
A situação crescia no insustentável para Alberto, e a própria diretoria do clube ficara preocupada. E foi a noite e o dia, e a demissão do primeiro emprego. Em boa hora: ele não queria mais aquela vida.

Poucos anos depois, a má sorte foi encontrar Alberto estabilizado como funcionário concursado da companhia de limpeza urbana do município do Rio, a CONLURB. Sua lotação inicial fora no centro da cidade, mas ficara um pouco longe de sua residência, agora em Caxias. A transferência que conseguiu foi para a Cidade de Deus, grande, conflagrada favela, famosa mundialmente pelo filme homônimo.
Trabalhar dentro de uma favela pode ser bem menos estressante e perigoso do que, à primeira vista, pode-se julgar. Bem, quase sempre.
Transcorridas poucas semanas de trabalho na comunidade, Alberto, pacato mas boa praça e simpático ao extremo, já travara amizade com alguns moradores e também com diversos de seus companheiros de trabalho. Como varredor de rua, Alberto era encarregado de certo número de ruas, ou determinada extensão de uma mesma rua, quando ela era muito grande; e assim era com seus companheiros. Um deles, que cuidava de área imediatamente contígua ao setor de Alberto, homem tímido e silencioso, mas simpático, costumava, vez por outra, a desaparecer. Isso mesmo: Alberto reparara que o indivíduo dito Romário como que abandonava o serviço, aparecendo mais de hora depois. E o pior: o encarregado, que por pouca coisa costumava relhar com Alberto e outros trabalhadores, nada dizia sobre aqueles sumiços. Bem, havia alguma coisa ali. Mas àquela altura Alberto tomara já algumas vacinas na vida, vida essa que ele aprendera que lhe bastava, sendo perigoso e desnecessário cuidar das dos outros.
Tempo que passa, certa vez, num de seus “retornos”, já quase ao fim do expediente, Romário passou próximo a Alberto, que, ao cumprimentá-lo, notou pequenas manchas, como salpicos, de sangue nos antebraços de Romário. Calculou, pela textura e cor, que não era tinta aquilo. Fez um gracejo sobre o Vasco da Gama, Romário riu e falou algo sobre o tricolor das Laranjeiras, time de predileção de Alberto, e seguiu para guardar seus materiais.
Uma semana depois, depararam-se próximo a um grande campo de futebol de várzea na comunidade, já em tempo do almoço. Sentaram-se juntos sob a sombra de um muro, destacados de alguns outros garis que também quedavam para o almoço. Entre as brincadeiras que a crescente familiaridade lhes permitia, Alberto não aguentou e perguntou:
- Ô Romário, me diz uma coisa meu amigo. Na boa, sem problema: Já manjei que de vez em quando você some aí pra dentro da favela, e só volta no fim dos trabalhos. Fala a verdade: Tu tá pegando alguma mulher aí pra dentro, não tá não?
- Que isso tricolor! – disse Romário sorrindo.
- Tá sim malandro, e o encarregado faz vista grossa. Não tenho nada com isso, você é parceiro, mas fala pra mim: tá ‘panhando gente hein? Deve ser mais de uma!!!
Romário, normalmente quieto, sorria.
- Vou te falar uma parada Alberto, pois sei que você é fechamento. Então cara, eu fortaleço os “amigos” aí.
- Os amigos o quê, a rapaziada do tráfico? Ih caramba! Tu forma na boca e trabalha na COMLURB ao mesmo tempo? Hahahaha...
- Não mano, eu não formo na boca não. Vou te falar o que eu faço: eu corto gente.
- Corta gente??! – murmurou, espantado, Alberto – Como assim, cara? Você? Tá de sacanagem comigo...
- Pode crê meu camarada. Corto uns corpos quando tem serviço, e os amigos me ajudam também com um dinheirinho.
Alberto, sorrindo frouxo, passou a engolir em seco seu almoço, tentando equacionar a veracidade ou não da confissão. Romário era tão quieto, e nada tinha de bruto, era até um pouco franzino. De toda forma, ele já vira a vagabundagem cumprimentando seu companheiro, e isso explicava também o silêncio cúmplice do encarregado – e dos demais funcionários, pois muitas vezes as tarefas deixadas em meio por Romário, durante seus sumiços, eram repassadas aleatoriamente para os outros garis.
O resto do almoço transcorreu em silêncio. Alberto na verdade passara a mais duvidar da história do que a assustar-se com ela. Como afinal aquele moreno, com uma levada à la Jeca Tatu, cabisbaixo, introvertido, magro, ia praticar uma barbaridade dessas de picotar cadáveres?

O tempo, ferida sem remédio, seguiu seu curso. De quando em vez Romário brincava com Alberto, “olha a machadinha hein””, o que deflagrava sonoras gargalhadas em nosso amigo, que definitivamente passara a descrer de tudo aquilo.
Num dia de agosto, pouco depois de retomarem os trabalhos após o almoço, nossos personagens varriam cada um um dos lados de uma mesma via, quando uma Pajero que avançava freou bruscamente, atraindo a atenção de todos para os muitos marginais em seu interior.
- Qual é Romário! Qual é parça! Bora lá naquela atividade lá!
Ao convite de um dos meliantes que ocupavam o carro (invariavelmente roubado, um dentre as dezenas que circulavam na Cidade de Deus), Romário já foi logo deixando a um canto seu carrinho, pá e vassourão. Mas, enquanto se dirigia para o veículo, chamou Alberto:
- Aí Alberto!? Você não queria ver o que eu faço? Vamos lá com os amigos.
Ao perceber a cara de espanto e incredulidade de Alberto, Romário completou:
- Bora lá rapá, tá tranquilo, nós é família. Vamos lá.
Pego de susto, Alberto embarcou na “viatura”. Um misto de terror e excitação o dominava; assim que entrou no veículo, arrependeu-se, mas era tarde demais. E dentro dele teimava a ideia de que aquilo tudo era mentira, e que Romário iria fazer alguma outra coisa, que pior que fosse não envolvia picotar carne humana.
O veículo andou por algo em torno de um quilômetro, parando em frente a uma casa de alvenaria, de um só patamar, janelas e porta fechadas.
Ao entrarem na casa, Alberto teve um acréscimo em seu terror ao perceber que, fora os sete marginais que vieram no carro, havia mais uns vinte dentro da casa. Após passar pela cozinha, ele e Romário foram levados ao que parecia ser a sala da casa.
No centro do recinto, circundado por grande número de marginais, quase todos armados, havia um corpo. Mas vivia: um homem com os braços amarrados para trás, de joelhos no chão, tendo suas duas pernas também amarradas, e um pano enfiado na boca.
Enquanto Alberto enregelava-se, um dos meliantes, após cumprimentar respeitosamente Romário, deu-lhe um tipo de avental de cozinha, duas luvas sujas, dessas de construção civil, e uma machadinha nova. Alberto galgou o apogeu de muitas fobias, ao ver Romário vestir-se impassivelmente e, apanhando a machadinha e tocando o fio com os dedos, para sentir a afiação, abaixar-se ao lado do homem, que esperneava em desespero.
- Deitem ele – murmurou, em tom quase inaudível, Romário.
Os marginais apanharam o pobre coitado e deitaram-no de barriga para cima, segurando suas pernas e parte superior do tronco. Assumindo agora uma expressão cuja única palavra precisa ser a demoníaca, Romário pousou uma mão sobre uma das pernas do homem, e desferiu um golpe na altura do tornozelo, separando do corpo trêmulo um dos pés descalços. Com mais dois golpes, separou em segundos mais um côto de perna, agora na altura do meio da canela. O sangue esvaía, o amordaçado urrava. Marginais xingavam, outros sorriam, outros desviavam os olhos, incapazes ainda de equalizar terror naquele grau.
Virem, virem – voltou a murmurar Romário, com expressão de quem tem pressa ou fome.
Ao virarem a vítima, Romário imediatamente cortou o plástico da algema que lhe prendia os braços, que dois meliantes imediatamente seguraram, esticando-os. Romário aplicou rápido golpe num dos pulsos, e logo, quase sentando-se sobre o corpo em debate, noutro pulso, separando as mãos. Ao levantar-se para ir cortar o outro pé, por acaso levantou os olhos, que até então não tirara do corpo vivo à sua frente, como uma criança com seu brinquedo novo, e cruzou os olhos com Alberto. O Jeca Tatu parecia agora um daqueles incorporados de centro de macumba. Seus olhos não demonstravam culpa alguma, mas fome; um ríctus de prazer paralisara seus lábios, um ensaio de sorriso luciferino.
Romário decepou o último pé, e virou o corpo para cima. Levantou-se, e junto aos marginais passou a observar o indivíduo – quem seria, o que fizera? – que rugia em espasmos e sangrava. Após algo em torno de trinta segundos – ou dois minutos, pois o tempo no cronópio mental de Alberto parara, ou rompera-se – Romário fez um sinal de cabeça ao que parecia ser o líder dos criminosos, e em seguida, com uma pressa e perícia de açougueiro, cortou a cabeça do homem, ainda vivo.
A cabeça foi colocada numa sacola, e alguém saiu com ela da casa.
Romário retirou o avental e as luvas, e na pia da cozinha tentou lavar o que podia do sangue que lhe coloria braços, rosto e botas.
Alberto tremia, mas tentava manter o controle. Alguns marginais sorriam ao observar sua expressão; um outro lhe alertou o que, tacitamente, todos favela a dentro nasciam sabendo: se falar algo, morre.
Após secar as mãos, o carniceiro dirigiu-se ao líder do grupo, que apanhou um chumaço de notas de cem e cinquenta, tirou algumas e deu a Romário.
Entraram no carro, sentados lado a lado. Romário permanecia de cabeça baixa, já sem a expressão psicótica; era só um homem agora, com seu ar de Jeca. Permaneceram em silêncio até o ponto de desembarque, no local mesmo onde haviam sido apanhados.
Alberto nunca tivera coragem para as perguntas – Como, por quê, pra quê, você nunca o viu, e se fosse inocente, quantos já foram... Foi Romário quem, percebendo a mudança em Alberto, tentou lhe dirimir o medo, sempre fazendo gracejos.
- O que você esperava, Alberto? Os “brabos” não têm coragem de fazer, eu faço. Estão pagando bem, e ainda fico bem na fita. Todo mundo me respeita.
- Eu sei, eu não duvidava de você não. É que eu achava que no máximo você cortava gente já morta, defunto – disse Alberto, que desde o evento queimava todas as potências de sua alma para manter a encenação de que tudo seguia em normalidade.
Romário, introvertido e quieto como um matuto, sorriu.

Alberto esperou um pouco, três meses ao menos, para evitar desconfianças. E, a título de ter novamente se mudado, dessa vez para Niterói, onde o conheci, pediu e logrou nova transferência, de volta para o centro da maravilhosa cidade. Cidade que logo achou por bem deixar no passado, ao pedir exoneração do cargo de gari.
E foi o dia e a noite de seu segundo emprego.

Obs.: Esta história me foi relatada pelo próprio "Alberto", que lhe jurava a veracidade.

Sammis Reachers

sábado, 6 de julho de 2019

AMPLITUDE #3 - Revista Cristã de Literatura e Artes. Baixe aqui


        Assustadores três anos se passaram, lentos ou esvoaçantes, a depender do ponto de quem observa. AMPLITUDE entrou em seu anunciado hiato, devido aos hercúleos e clichés motivos de força maior. Mas eis-nos aqui, redivivos, ressurretos como convém a co-herdeiros de Cristo.
       Em tempos de secularização acelerada, relativismo e perseguição crescente, a nível local e global (glocal) do cristianismo, usemos a arte para congregar-nos, estreitar nossa união e fortalecermos nossa posição em Cristo, a favor da paz e a favor da vida: Eis a razão de ser desta revista.
      AMPLITUDE é uma revista de posição e cosmovisão declaradamente protestante; no entanto, somos amplos em nossa irmanação criativa com nossos co-navegantes do mistério do Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Assim, temos na seção Hot Spots um pouco do pensamento desconcertante do anglicano-depois-católico G. K. Chesterton. Publicamos ainda a Carta aos Artistas, significativa missiva escrita por Karol Wojtyła, o papa João Paulo II. E ainda, pontuando toda a edição, o leitor encontrará pequenos textos e fábulas do imaginário hebraico.
        AMPLITUDE pretende dar voz ao que não pode falar, e alumiar onde a luz cambaleia. Nesta edição, (per)seguimos nossa proposta, a mesma que adotamos, há anos, à frente do blog Poesia Evangélica, que é dar voz preferencialmente a autores que ainda não publicamos. Acreditamos que assim se constroem cenários e panoramas, se fortalecem movimentos e autores e educa-se o leitor para deleitar-se na sinfonia de vozes díspares.
        Esta edição é nossa recordista em contos, com mais de dez autores presentes. Destaque para a seção Jardim dos Clássicos, onde Honoré de Balzac apresenta um Jesus algo contracultural numa Flandres de séculos pretéritos.
        E seguimos com as seções: Crônica, com uma reflexão de John Piper;Cinema, com notícia do VII Festival de Cinema Cristão; HQ, com os quadrinhos de Vestígia e Caio, o Pardal Pensativo; Galeria, com a arte terna/dilacerante de Charles Criador; Luminares, nesta edição apresentando obras de missionários que se dedicam às artes plásticas.
        Na poesia, traduzimos para esta edição poetas protestantes de diversos países ibero-americanos; por sinal, o Poeta em Destaque é também de fala espanhola: o insigne Alfredo Pérez Alencart. Ainda nesta edição, poemas longos de Israel Belo de Azevedo e José Manoel Ribeiro somam-se aos textos poéticos de muitos outros autores (e a um toque inesperado de poesia visual).
        Não deixe de deleitar-se com as 100 Citações sobre a Arte, na página 19. E, se tiver paciência, publicamos ainda um artigo sobre antologias e antologistas(com o perdão do ranço acadêmico, que de maneira nenhuma é o foco de Amplitude).  Ainda as seções: Notas CulturaisResenhas, e, sempre terminando a revista, as citações selecionadas de Parlatorium.
        Tenha uma boa e edificante leitura, ainda que a edificação passe por alguma perturbação do status quo que pode estar inadvertidamente embotando seus passos. E compartilhe esta revista, que é gratuita, com outros irmãos ao seu alcance.

Sammis Reachers, editor

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terça-feira, 7 de maio de 2019

Viseu Nostromo, um conto de Sammis Reachers



De longe o mais simpático e afável dentre nós. Sua passagem foi um baque, um estorvo em nossas lides.
No funeral, um de nós lembrou-se de seu projeto, leit motiv final de sua passionalidade, seu “Projeto Melquisedeque”: a cada dia do ano ele se propusera publicar nas redes uma lenda, uma lenda que remetesse a algo da revelação judaico-cristã que supostamente jazia “perdida” na cosmovisão de cada povo - de algum povo dos 12 mil que o mundo habitam. Só mesmo um antropólogo. Só mesmo um missionário... Tudo estava em seus arquivos, ou melhor, “na nuvem”, como ele dizia. E era bonito olhar o celular pela manhã e ver aquilo, enquanto ia para o trabalho. Pequenos relatos que refundavam sentido em minha vida marásmica, miasmática, miserável.
Anos de pesquisa.
Faltavam três meses para a quebra calendária, a passagem do ano. Deste ano mau. Noventa textos, provas, indícios. Agora órfãos. Precisamos retomar seu projeto. Ele merece, disse Dario. Nós outros dois abaixamos a cabeça em concordância.
Éramos últimos, (sub?/trans?)cristãos de meia idade em trânsito ou em luta entre o nominalismo (morte) e uma volta à fé atuante. Compartilhadores de piadas e versículos, frivolidades e insânia. Em dias amargos e vendidos, pornografia. Agora precisávamos descobrir sua senha. A senha de um cientista e poeta e coligidor de bromélias. Tentamos datas importantes, depois o básico ('senha123'), depois nomes de almas próximas. Sem recurso, ensaiamos senhas parecidas com as nossas: w@rlord1978, catskills67, darkwatt#rs. Nada. Dias passando.
Um dia, lanchando na urbe cinza quente, exausto do inferno que são os outros, vi uma flor cair de uma árvore do calçamento. Rodopiou lenta, alheia, acima do simulacro cinza. Lembrei de meu amigo e sua alma lenta e flor. 
No escritório branco gelo confirmei o intuído lá no cinza: "primavera" era a senha do homem melhor que nós.


______________

Esse conto bem poderia integrar, pela temática de "amigo morto", minha coletânea de contos O Pequeno Livro dos Mortos (2015). Mas confesso que não sei se tal conto já existia ou se é posterior; encontrei-o por acaso, há algum tempo em meus arquivos, e hoje o recauchutei (pobre literatura!) e o publico.

sábado, 2 de março de 2019

Na Espanha, uma Rede Iberoamericana de Poetas e Críticos Literários Cristãos nasce: TIBERÍADES

Nasce TIBERÍADES, Rede Iberoamericana de Poetas 
e Críticos Literários Cristãos



Tiberíades procura constituir-se numa plataforma para a troca de informações e recursos literários para todos os poetas e críticos literários do cristianismo protestante de ambos os lados do Atlântico, e das línguas irmãs espanhol e português. Tem uma orientação absolutamente interdenominacional, não vai estabelecer qualquer taxa para aqueles que desejam aderir à rede e tem como objetivo fazer compreender, pelo exemplo, sobre a necessidade de compartilhar, por todos os meios e redes disponíveis, as realizações e esforços criativos dos seus membros, muitas vezes não divulgados ou mesmo invisíveis pelo seu entorno imediato.
Para isso, contará com uma página na Web que agregará informações constantes, dos membros que o desejarem e dos meios de comunicação que façam eco às atividades e propostas de TIBERÍADES.
Entre esses recursos estarão:
O atraente PREMIO REY DAVID DE POESÍA BÍBLICA IBEROAMERICANA, organizado por Tiberíades, a Sociedade Bíblica de Espanha e, previsivelmente, a Fundação RZ para o Diálogo entre Fé e Cultura. As bases do mesmo serão publicadas em meados de março.
BOLETIM TIBERÍADES, Informativo incorporado na web onde os membros podem estar atualizados dos Prêmios recebidos, livros publicados pelos sócios, apresentações dos mesmos, ensaios publicados em outras mídias, etc. Eles também poderão publicar seus ensaios, resenhas e divulgações.
O anuário "PABLO EN EL AERÓPAGO - Anuario de Poesía y Crítica Literaria", a ser publicado em formato PDF para ser baixado livremente e que terá como seu tema os seguintes textos de Atos 17.28: "Pois nele vivemos, nos movemos e existimos’, como disseram alguns dos poetas de vocês: ‘Também somos descendência dele’". Aqui todos os membros poderão publicar seus trabalhos, se assim merecerem. Caso contrário, serão orientados para melhorar a qualidade do que é oferecido.
REUNIÃO IBERO-AMERICANA DE POETAS E CRÍTICOS LITERÁRIOS CRISTÃOS, a ser celebrada com periodicidade BIENAL na cidade espanhola de Salamanca.
Para fins de publicação de livros, se contará com o selo editorial TIBERÍADES EDICIONES, para livros digitais de download gratuito e livros impressos sob demanda. Desta forma, pretendemos ter alguma renda para pagar as despesas da página e pouco mais.
TIBERÍADES, que terá sua sede física em Salamanca, a cidade de seu diretor, Alfredo Pérez Alencart ( alencart@tiberiades.org) , é uma iniciativa sem fins lucrativos e aceitará como membros todos aqueles que o solicitarem.
Para formalizar a incorporação como membro, basta escrever um e-mail para: info@tiberiades.org, indicando sua vontade. Nenhum dado será solicitado aos membros, que serão convidados a visitar a web periodicamente e enviar poemas, artigos e ensaios para serem publicados na web.


TIBERÍADES

Rede Ibero-Americana de Poetas e Críticos Literários Cristãos 

Conselho Diretor

Alfredo Pérez Alencart (Peru-Espanha) - diretorMarcelo Gatica (Chile) - ViceJuan Carlos Martin Cobano (Espanha) - Secretário - GeralIsabel Pavón - Secretário do Rei David Prize para Iberoamericano Bíblia Poesia

Conselho Consultivo Espanha

Juan Antonio Monroy 
Samuel Escobar 
Stuart Park 
Beatriz Garrido 
Noa Alarcón 
Máximo García 
Manuel Corral 
Asun Quintana 
Pedro Tarquis 
Gabino Fernández 
Daniel Jándula 
Leopoldo López Samprón
Conselho Consultivo Ibero-Americano

Carlos Nejar (Brasil) 
Luis Rivera Pagan (Puerto Rico) 
José Brissos-Lino (Portugal) 
Plutarco Bonilla (Costa Rica) 
Leopoldo Cervantes Ortiz (México) 
Luis Cruz-Villalobos (Chile) 
George Reyes (Equador) 
Meriam Bendayan (Peru) 
Gerardo Oberman (Argentina) 
Balam Rodrigo (México) 
Sammis Reachers (Brasil) 
Sergio Inestrosa (El Salvador) 
Daylins Rufin Pardo (Cuba)

domingo, 2 de dezembro de 2018

POESIA EM 500 CITAÇÕES: Algumas das melhores definições e reflexões de todos os tempos sobre a poesia e o poema, o poeta e o fazer poético - Livro gratuito


  


   Além de poeta, esse mal menor, tenho há mais de uma década sido editor de poesia. Ao longo do tempo, vez por outra fui indagado por poetas, sejam iniciados, iniciantes e outros que sequer deram o primeiro verso, mas, temerosos, soltavam questionamentos em busca de rumos e indicações que lhes permitissem o ingresso nessa Pasárgada Total que é a Poesia:

O que é a poesia? O poema? E o poeta?

        Um dos motes para a realização desta antologia de citações é esse: Ofertar, num golpe único, algumas das melhores definições e reflexões sobre o que é a poesia e o poema, o poeta e o fazer poético. Assim poetas, o almirantado, mas também marujos vários: críticos, filósofos, santos e bunda-lêlês aqui estão vaticinando suas assertivas, algumas delas realmente extraordinárias, é preciso dizer. E ainda descemos aos últimos porões do léxico: São 17 os dicionários consultados pelo verbete poesia.
        Um livro de graça. O trigésimo? Após quase vinte antologias poéticas, uma (meta)antologia em prosa sobre a poesia em si, em dó, em lá de bem dalém do Bojador. Sim. Mais uma estrofe quixotesca de meu trabalho de pichador de muros e promotor literário, editor e antologista  de poesia primeiramente. Sei que essa faina frágil, robinhoodiana de piratear sintagmas no Mar dos Ingratos há de me render um dia não a forca mas homenagem  uma estátua, construto de fumaça, na mais imaginarinútil de todas as ilhas do Atol de Utopia. Que seja. Queimo minha nau pelo prazer da ardência e o torpor da fumaça: sou um multiplicador de embriagados. Apesar da ingratidão dos homens e das musas, tudo que sei é esse navegar. Nunca prestei pra mais nada na vida, e para essa ardência em águas me conservou o Deus.
        Bem-vindo a bordo da nau incendiada, marujo. Queime seus pés no tombadilho ardente, produza ar quente para insuflar o que restam das velas e o que você tenha de asas. E encontre, ao tombar o horizonte, aquilo que busca.

Sammis Reachers 

PARA BAIXAR O LIVRO (FORMATO PDF) PELO GOOGLE DRIVE, CLIQUE AQUI.

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domingo, 25 de novembro de 2018

Jesus e a Música das Esferas



Jesus e a Música das Esferas

      Éramos apenas eu, João e André, com Ele na face norte do monte Shir, defronte ao mar da Galileia. Os demais companheiros permaneceram em Tiberíades, em casa de Zebulom, colaborador judeu egresso do Ponto.
    Sobre o pico do monte, sendo fustigados por fortes ventos, Jesus convidou-nos a sentar. A seguir, abrindo o seu alforje, retirou uma flauta. De minha parte jamais a vira; quedei, como os demais, em abnegado e atônito silêncio. Levou o Rabi a flauta à boca; antes do toque entre lábio e madeira, julguei ter visto um sutil sorriso, que Ele só liberava quando prestes a externar esplendor.
    Quando a música, robusta, estabeleceu-se pelo ar, o ventou apertou. O mar lá embaixo encrespou-se, ondas passaram a estrugir contra as rochas, levantando uma fresca nuvem de gotículas que sobrescalavam até o alto da montanha, borrifando nossas faces. Permanecíamos sentados, enquanto Deus-andarilho tocava sua flauta.
    Houve um hiato na melodia; mas breve o Senhor retomou a música, agora suave e terna. O mar como que silenciou, enquanto multidões de aves marinhas passaram a sobrevoar o mirante em que estávamos, realizando sua marcha perfeita, como as Legiões de César. Absortos, éramos enlevados por seu baile, e curados pela música.
    André sorria maravilhado, tornado à infância pelo deslumbre. João conservava a expressão grave, o susto seco de quem faceara o abismo e a impossibilidade. Aproximou-se ainda mais do Senhor, como sempre fazia em momentos como este. Quando Ele novamente pausou a música, perguntou-lhe:
    — Mestre, é maravilhosa a melodia, e jamais ouvimos nada assim. Sequer já o vimos tocar; por que nos ocultou tal cousa? O Senhor poderia tocá-la para que os demais discípulos, ou mesmo todas as pessoas a ouçam? Dariam nisso mais glórias a Deus!
     O Mestre, que por João nutria perfeita ternura, sorriu.
    — Todo aquele que quiser pode ouvi-la, João; desde que criei esta Terra, a melodia jamais cessou de tocar. Ela respira quando tu respiras, e firma o chão sob teus pés, quando caminhas; ela dá crescimento às plantas e move as esferas. A tudo une e anima; leva a traz minhas ordenanças. Ela é minha Palavra criadora ininterrupta, que existe e subsiste em forma de música. Quando é preciso, como agora, ela recrudesce à forma de palavra de homem, assim como eu próprio esvaziei-me até a forma de filho do homem. Aguce teus ouvidos, ó menor de meus irmãos: Não pode ouvi-la?
   João silenciou, sustentando seu olhar de assombro, agora o dirigindo, inquiridor, para a paisagem.
    — E você, Mateus, pode ouvi-la?
    Deitei-me sobre a rocha; fechei os olhos, como quem se estende sobre a fruição, o devir. Não sentia, como João ou como quem é ferido por um aguilhão, tolhido por cadeias, necessidade de racionalizar. Aleijado na humildade de minha condição de pó, nada respondi ao Mestre - mas num repente o silêncio atmosférico, o próprio silêncio cósmico pareceu ganhar cores em meus ouvidos, numa vibração surda que ia preenchendo dimensões que eu sequer intuíra existir, e como que a tudo completava, ligando, ponto a ponto, a todas as coisas.
    Cerrando com ainda mais força os olhos inundados, sorri.


Nota ao leitor desavisado: Caro leitor, claro está que a situação aqui relatada jamais aconteceu, sendo uma perfeita ficção. Tão ficção que o palco onde transcorre a ação, um monte Shir (do hebraico, música), jamais existiu.

Sammis Reachers

domingo, 21 de outubro de 2018

O Livro e o Prazer da Leitura em 400 Citações - Um livro capital


O livro é a porta para o que é o homem, o que é humano. É o testemunho máximo de nossa história e evolução, raízes e anseios – e nosso alcance. Faltam-nos palavras para descrever o livro. Bem, este é justamente um dos motivos desse livro sobre o livro (e sobre a leitura): coligir reflexões as mais diversas sobre o nosso amigo de todas as horas, bem como sobre o prazer que a leitura proporciona, oriundas de autores, tempos e culturas os mais variados.
A reflexão sobre o livro e o incessante e multiforme incentivo à leitura precisam estar na base, no “chão” da cultura, para que o edifício se erga e sustenha. Afinal, o livro é o objeto cultural elementar.
Pais e educadores, leitores e escritores, livreiros, editores, políticos, jornalistas – profissionais e amantes do livro e qualquer um preocupado com os destinos da educação e do próprio país encontrarão aqui um ferramental de boa e urgente reflexão. “Munições” para lembrarmos, celebrarmos e promovermos a cada dia mais a Sua Excelência, o Livro.

Sammis Reachers

O livro encontra-se à venda apenas pela livraria AMAZON. Você pode adquirir o seu clicando AQUI.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Carta à Árvore



CARTA À ÁRVORE

Sammis Reachers

Torre transterna,
                          Transuterina
Verde malha de açambarcar
Estaca que a vida finca
Patamarizado playground,
                                        Estação clorofila
Biopilar da paz

Terramáter véu
Usina alquímica
A nutrir o sistema-Terra

Obrigado eternamente obrigado
Por alimentar-nos
De proteção e pão
Por verdecer para que não
                                          Ressecássemos
Nós seus vorazes algozes agradecemos
Por nos servir
De berço,
                 Púlpito
       E esquife
Perdoa-nos a nós os desgalhados entes
Nós a raça kamikaze de sem plumas
E sem clorofila



Do livro Árvore - Uma Antologia Poética (baixe gratuitamente AQUI).

sábado, 25 de agosto de 2018

Saudação às Árvores, poema de Henry Van Dyke



SAUDAÇÃO ÀS ÁRVORES

Henry Van Dyke
Tradução de Sammis Reachers

Muitas árvores são encontradas na floresta,
E toda árvore para seu uso é boa:
Algumas pela força da raiz retorcida,
Algumas pela doçura da flor ou da fruta;
Algumas para abrigar contra a tempestade,
E algumas para manter a pedra da lareira quente;
Algumas para o telhado, e algumas para o feixe,
E algumas para um barco para enfrentar o fluxo -
Na riqueza da madeira desde o início do mundo
As árvores ofereceram seus presentes ao homem.

Mas a glória das árvores é mais do que seus dons:
É uma bela maravilha da vida que se eleva,
De uma semente enrugada em um torrão de terra,
Uma coluna, um arco no templo de Deus,
Um pilar de poder, uma cúpula de prazer,
Um santuário de música e uma alegria de se ver!
Suas raízes são as enfermeiras dos rios em nascimento;
Suas folhas estão vivas com o sopro da terra;
Elas abrigam as moradas do homem; e elas se dobram
Sobre seu túmulo com o olhar de um amigo amoroso.

Eu acampei na floresta sussurrante de pinheiros,
Eu tenho dormido na sombra de oliveiras e videiras;
Nos joelhos de um carvalho, ao pé de uma palmeira
Encontrei um bom descanso e o bálsamo do sono.
E agora, quando a manhã doura os galhos
Do olmo na porta da minha casa,
Eu abro a janela e faço saudações:
“Deus abençoe os teus ramos e alimente a tua raiz!
Viveu antes, vive depois de mim,
Tu, árvore antiga, amigável e fiel.”


Do livro Árvore - Uma Antologia Poética (baixe gratuitamente AQUI).


domingo, 5 de agosto de 2018

ÁRVORE Uma Antologia Poética - Livro gratuito


        


        O termo grego ανθολογία (antologia), significa “coleção ou ramalhete de flores”. Daí o latim florilegium. O termo florilégio encaixa-se bem ao presente trabalho, onde procurou-se coligir poemas sobre a árvore, esse centro e pilar da hera.
        E foi sorvendo de outas antologias, e ainda de livros individuais, revistas e websites, que coligimos aqui este singelo ramalhete de poemas sobre a árvore. Adicionamos ao volume uma pequena seleção de frases sobre o tema, e, em arremate, publicamos o texto integral (vertida sua grafia ao português hodierno) do poema A Destruição das Florestas, do múltiplo Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806 – 1879). O poema, que veio à luz em 1845, é um significativo e precoce exemplo de consciência ambiental em nossa literatura.
        Uma antologia temática é uma chance sempre de a poesia penetrar em espaços outros que não os estritamente circunscritos aos apreciadores de poesia. Como antologista, confesso que prefiro, por motivos óbvios, trabalhar com temas ainda não contemplados, os quais infelizmente são muitos em nossa língua. Já assim fizemos em trabalhos como Segunda Guerra Mundial – Uma Antologia Poética; Breve Antologia da Poesia Cristã Universal e Amor, Esperança e Fé – Uma Antologia de Citações, só para citar alguns trabalhos. Assim, qual a vantagem (ou vantagens) de debruçarmo-nos, agora, sobre uma outra antologia da árvore, já que nossa literatura possui obras neste viés? Acreditamos em algumas. A primeira, é de ordem da amplitude espaço-temporal: a coleta de um número significativo de textos, abarcando autores, se em sua maioria brasileiros ou lusos, também de outras literaturas do globo, e alguns deles de produção posterior às seletas precedentes; a segunda, por suprimento de lacuna, visto que os predecessores são livros esgotados já de há boas décadas; e, por fim, nossa motivação principal: a democratização do conhecimento proporcionada por um livro que já nasce eletrônico e gratuito, o que permite um acesso fácil, amplo e permanente ao seu conteúdo. Afinal, em tempos em que “Meio Ambiente” alcançou o status de tema transversal a perpassar o ensino de todas as disciplinas escolares, auxiliar educadores em seu esforço para incutir o reconhecimento e a valorização deste ser áulico e basilar da Natureza, a árvore, naqueles corações sob sua jurisdição, torna-se nosso objetivo mais urgente.
        Além do elogio da árvore, presta-se aqui uma homenagem a nossos poetas de agora e de ontem, e de certa forma um serviço à literatura lusófona, pois toda antologia literária é antes de tudo isso - um serviço prestado a uma literatura e ao universo de seus usuários.
        Este é um livro gratuito. Como amante das árvores e da literatura, como professor e como antologista, é um prazer ofertar este livro a todos, com votos de que ele possa ser compartilhado livremente, para que alcance os fins a que se propõe.
                               
Sammis Reachers

Para baixar o livro (224 págs., em formato PDF) pelo Google Drive, CLIQUE AQUI.


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