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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

ALMOÇO CAMPESTRE


(Arte: Edouard Manet)


Tal como Manet os fez, um mundo perfeito
sentados sobre a relva, numa relação directa com
o solo, um pouco menos mortais
do que a flor que mal nasce morre
sob a sombra das árvores, pousados como pássaros
distribuídos do alto cume azul, enchem os olhos
da fragrância de um corpo nu, eles
contudo indiferentes, conversam como dois
discretos cavalheiros que esperam o crepúsculo
cair como o fresco véu da tarde.

01-01-2015

© J.T.Parreira  


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

No Máximo, Seis Versos - Poemas Breves, Bíblicos & Outros, novo e-book de J.T.Parreira

De todas as chamadas nove artes, é na Poesia que mais justificadamente se pode asseverar que menos é mais. A concisão, a precisão do corte e do entalhe, só fazem amplificar o poder comunicante do texto, só podem elevá-lo.

       Nos versos aqui coligidos, versos irmanados pela brevidade, João Tomaz Parreira dá vazão ao seu caudal de metáforas condensadas, à tessitura precisa, que em seu rigor vezes lembra o Hermetismo italiano no que ele tinha de melhor, a explosão/maximização das cargas expressivas do poema ao nível microscópico. E em tal labor engendra a quase perfeição poética, como neste fulgurante A Tentação, onde o Cristo jejuante é tentado no deserto pelo Adversário, que lhe oferece as nações da terra:

Na ponta do precipício, no gume
do ar,  nos seus olhos Ele guardou
antes o azul do que os reinos
ao fundo do mundo.

       E assim sucedem-se, ao longo de todo este breve volume, as pequenas cápsulas de alumbramento, lances minimalistas de poesia não apenas cristã mas variada em sua temática, em suas cores, porém fulcralmente uma poesia imantada, que aponta de maneira indelével para o norte, para o Cordeiro.

       A boa poesia é como a alta culinária, onde a pequena porção concentra uma profusão de surpreendentes sabores, um buquê de amoráveis aromas que podem fascinar até no prato (e tema) mais prosaico. É assim a poesia de JTP: culinária d’alma, capaz de envolver, satisfazer e elevar os paladares mais exigentes e experimentados.

A todos os leitores, bon appetit!

Sammis Reachers, editor

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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Nas docas, na cinza das horas, dentro da noite veloz


Nas docas, na cinza das horas, dentro da noite veloz

O trampo de hoje é aquele contrabando de armas israelenses,
o lance dos 100 mil, lembra?
Fuzis Galil e Tavor, pistolas-metralhadoras UZI,
pistolas Jericho
e um menorah de ouro puro para aquele pastor maluco
do Comando Vermelho. Tá rindo mas é sério, doido.
Tá aí no contêiner.
Depois penso que poderíamos ir à Lapa
ver umas meninas.
Quero retomar aquele assunto do Michel Onfray,
estou pensando em mudar o tema de minha tese.
Cara, ri pra cacete do que aquela professora te falou:
Jonas, você não é um homem, é uma licença poética.”
Gosto de pensar em você assim, meu amigo
um livre radical flutuando ou deambulando
no campo de paz das exceções. 
As exceções, essas insuficiências...

Mas vamos logo descarregar essas caixas. Tudo aqui fede a peixe podre. 
Ou vômito.Vômito de peixe, quem sabe.



Mathias Raws

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Trem de Tropas, poema de Karl Shapiro


Trem de Tropas

Tradução de Sammis Reachers e Jorge Pinheiro

À nossa passagem a cidade se detém. Os trabalhadores
Levantam seus braços untados e nos saúdam e sorriem.
As crianças gritam como no circo. Os homens de negócios
Observam-nos esperançosos e prosseguem seu caminho medido.
E há mulheres de pé na porta estupefata de suas casas
Que se movem mais suavemente e parecem pedir nosso regresso,
como se uma lágrima que cegara o curso da guerra
Pudesse dissolver de uma vez nosso aço em seu doce desejo.

Fruto do mundo, ai, todos agrupados
pendurados como de uma cornucópia
em total camaradagem, com as caras amontoadas
Para pulverizar a cidade com assobios e olhares lascivos.
Uma garrafa se rompe nos postes
e uns olhos se fixam na rosa sorridente de uma dama,
Esticados como um elástico e estalam e beliscam
a boca desejosa do sabor de um beijo.

E através de horríveis continentes e dias,
nos arrastamos decididos, sujos e ligeiramente bêbados,
os bons maus rapazes de circunstância e azar,
cujos capacetes como cubos golpeiam a parede nua
de onde se retorcem os cadáveres de nossas mochilas
ao lado dos fuzis que só se parecem consigo mesmos.
E a distância se encolhe como um cinto apertado aperta o ombro e o mantém firme.

Eis um baralho de cartas; você que reparte,
dá-me sorte, um par de touros,
a sorte do novato, o valete zarolho
Ouros e copas são vermelhos, mas as espadas são negras e espadas são espadas e paus são trevos-negros
Mas saque-me trunfos, recordações de paz. Isso exige razão e aritmética,
a sorte também viaja e nem todos regressam

Os trens levam aos barcos e os barcos à morte ou aos trens, e os trens à morte ou aos caminhões, e os caminhões à morte, ou os caminhões conduzem à marcha, a marcha à morte ou a sobrevivência que é nossa única esperança;
e a morte nos devolve aos caminhões e aos trens e aos barcos, porém a vida leva à marcha, oh bandeira!, finalmente
o lugar da vida encontrado depois dos trens e da morte -

Brilhante anoitecer das nações depois da guerra.

Do livro SEGUNDA GUERRA MUNDIAL: Uma Antologia Poética (Organização e edição de Sammis Reachers, 2014).

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Antologia de poemas da Segunda Guerra Mundial em livro gratuito


Sofro da estranha mania de organizar antologias.  Já são mais de dez. Some-se a esse furor antologista meu fascínio pela Segunda Guerra Mundial, fixação de infância, sendo mesmo anterior ao meu interesse pela literatura, e que ao longo dos anos nunca arrefeceu.
     Eis esboçado então o cenário para que eu volte à carga em minha maltrapilha sina de tapa-buracos das mal a(r)madas estantes de poesia: a esta altura do ano da graça de 2014, decorridos 69 anos do fim do maior conflito bélico e da maior exibição de atrocidades que a humanidade já vivenciou, não lhe parece, amigo leitor, de espantar que não exista uma antologia de poetas ou poemas da Segunda Guerra em nossa bibliografia lusófona, neste caso mais culposa e especificamente na brasileira (pois afinal Portugal manteve-se ‘neutro’ no conflito)? Tal lacuna sempre me pareceu digna de nota. Nos EUA tais antologias de guerra são comuns – você poderá contar com umas duas dezenas delas, de variados alcances e focalizações editoriais.
     Busquei coligir para esta seleta apenas poemas de autores contemporâneos ao conflito, e de países diretamente envolvidos na guerra. Sejam war poets “clássicos” (soldados-poetas que participaram em algum momento da guerra, engajados em exércitos regulares), sejam vítimas (população de países subjugados, judeus e minorias étnicas, críticos e inimigos ideológicos do regime), sejam partisans e combatentes das resistências que pululavam nas mais diversas frentes do conflito. E também o que se poderia chamar de poetas expectadores, que, embora nativos de países envolvidos na guerra, apenas a acompanharam pelos canais noticiosos, caso de alguns poetas dos EUA e de outros países americanos, como o chileno Pablo Neruda e brasileiros como Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes e outros.
Esta é uma antologia breve – são apenas 134 páginas, mas que oferecem um significativo panorama de grande valor literário e histórico da riquíssima poesia produzida no período da SGM, ao abarcar em suas páginas grandes poetas de 17 diferentes nacionalidades.

Autores antologiados:
Bertolt Brecht (ALE) - Abgar Renault (BRA) - Carlos Drummond de Andrade (BRA) - Cecília Meireles (BRA) - Murilo Mendes (BRA) - Vinícius de Moraes (BRA) - Pablo Neruda (CHI) - Ivan Goran Kovacic (CRO) - Vladimir Nazor (CRO) - Archibald MacLeish (EUA) - Dudley Randall (EUA) - John Ciardi (EUA) - Karl Shapiro (EUA) - Randall Jarell (EUA) - Stanley Kunitz (EUA) - T. S. Eliot (EUA/ING) - Louis Aragon (FRA) - Paul Eluárd (FRA) - Pierre Emmanuel (FRA) - René Char (FRA) - Giorgos Seferis (GRE) - Odisséas Elýtis (GRE) - Tasos Leivaditis (GRE) - Gerrit Kouwenaar (HOL) - Jan Campert (HOL) - Gyula Illyés (HUN) - István Vas (HUN) - János Pilinszky (HUN) - Miklós Radnóti (HUN) - Dylan Thomas (ING) - Edith Sitwell (ING) - Keith Douglas (ING) - W.H. Auden (ING/EUA) - Giuseppe Ungareti (ITA) - Primo Levi (ITA) - Salvatore Quasímodo (ITA) - Sadako Kurihara (JAP) - Tamiki Hara (JAP) - Hirsh Glick (LIT) - Czeslaw Milosz (POL) - Zbigniew Herbert (POL) - Paul Celan (ROM) – Jaroslav Seifert (TCH) - Margarita Aliguer (URSS) - Marina Tzvietáieva (URSS) - Mikhaíl Dúdine (URSS) - Olga Fiódorovna Bierggólts (URSS) - Pável Antokólski (URSS) - Siemión Gudzenko (URSS)

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Caso não consiga realizar o download, por favor, solicite-me o envio por e-mail: sammisreachers@ig.com.br


Buscando manter-me fiel ao meu princípio de produzir e disponibilizar bons livros, sempre gratuitamente, galgo mais um degrau em minha quixotesca empresa, mas ciente das dificuldades de divulgação que um trabalho de outsider assim encontra, principalmente através dos canais estabelecidos. Por isso, conto com cada um de vocês, leitores desta obra, para divulgá-la, republicá-la e passá-la adiante. A cultura é uma ação: precisa de agentes. Colabore!

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Caricaturas da Hélade

Caricaturas da Hélade

Vivemos, ardilosos Ulisses,
e morremos e somos todos Heitor.

Sonhamos somos como Aquiles
Aquiles de embriagante impavidez.

Mas na nudez da alva,
desacorçoados,
somos todos Helena:
repetitivos Judas

de traições e de beijos.

Sammis Reachers

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O SEGREDO, poema de Charles Bukowski


 

Não se incomode, ninguém tem

a mulher mais bela, não é verdade, e

 

ninguém tem qualquer estranho e

escondido poder, ninguém é

excepcional ou maravilhoso ou

mágico,  apenas parecem ser

é  tudo uma fraude, cada um com a sua,

não compre nem acredite.

o  mundo está cheio de

biliões  de pessoas cujas vidas

e mortes são inúteis e

quando uma dessas se distingue 

e a luz da história  brilha

iluminando-a, esqueça, não é

o que parece, é só

outra ficção para enganar tolos

novamente.

 

não há super-homens, não há

mulheres formosas.

pelo menos você pode morrer

com

esta verdade

esta é a sua única

vitória.

 

©  Versão minha-J.T.Parreira

sábado, 16 de agosto de 2014

(Con)Descendência


(Con)Descendência

O amanhã trará outros poetas
munidos de novas ferramentas & aparatos

mas moídos pela mesma
porcaria de melancolia

como gado morto é moído
para salsichas

homens sendo mortos e
depois nomeados: poetas

moídos para livros, como gado degolado.

16/08/2014

Sammis Reachers

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

O LAGO DOS CISNES




A alma imortal quando dança no vento
Não condiz com as dores
nos dedos em pontas graciosas
Nem com as sapatilhas de ballet
Apertadas cor de rosa.

31-07-2014


© João Tomaz Parreira  

domingo, 27 de julho de 2014

Portões de Esparta


Portões de Esparta

Portões de Esparta
estradas sulcadas
marcadas pelo arrastar de despojos

volto sem Orestes, Lísias e Aracturo:
há espartanos, sementes de tua expansão, ó Portão
enterrados por toda a Ilíria

Portões de Esparta,
                                     braços de minha Mãe
é tão bom repetir essa palavra proibida,
                                                                              ‘Mãe’

tem misericórdia de mim

Veja, mãe,
um ateniense me deu esta lira
Sim,eu tenciono tocá-la,
se algum dos escravos puder me ensinar

Me perdoe também
por retornar tão limpo,
banhei-me no Eurotas
e lavei-me do sangue da campanha

Ao ver do promontório a curva de teu pórtico
lembrei-me dos rostos dos sessenta e oito que matei
e seus olhos repetiram-se diante de mim
como num oráculo, e vi os cem olhos de Argo
me olhando dentro

Você, que sempre preferiu uma ferida a um abraço,
você não tem outro olhar
que não estes dois pratos fundos de desprezo?

Em Cólquida, comi larvas
com neve e lembrei-me
da senhora e sua sopa negra

- Mamãe Esparta!!!

Sempre quis gritar isso
Tenha calma
Dissolva a ira,
Não estapeie meu rosto, senhora
sou um homem agora
e trago meu corpo mapeado
de cicatrizes, e todas elas
são inscrições de teu nome,
tatuagens do Hades

Se não filho, que sou-lhe, cidadela severa?
Um tipo de herói, um tipo
heroico de besta?

Sim, lembro perfeitamente,
“a ternura não te salvará na guerra”,
“mas a força de teu braço,
sustentando o escudo contra
a multidão de golpes”

Sim, eles sustentaram
seu filhote de lobo sobreviveu
à Guerra, esse oceano onde o sumo
de todas as veias deságua


2
Portões de Esparta
gravidez de lâminas
aborto coletivo do medo

Bom dia Esparta
clangor, troca de suores
bom dia

adestramento todo o dia,
bom dia noite nua e fria,
golpes sucessivos

bom dia espada,
escudo meu esquife,
mortalha de bronze

excelente dia ó sopa
negra e imunda,
fome mascarada
massacrada

Boa viagem soldado
volte com ouro e glória
ou sobre seu escudo


3.
Mãe, eu sei que esse nome lhe causa engulhos,
mas assim prefiro e de seu ódio assumo o risco
mãe, minha gélida-furibunda-única-mãe
eu queria não mais combater, mãe
queria lavrar como os que me ensinaste a desprezar,
amar lentamente a mulher que as Parcas me derem
sem partidas, sem despedaçamentos
vamos matar os persas e depois parar
parar de viver para matar
vamos lavrar, mãe
e viver longos anos


4.
Degreda-me então?!

Adeus meus amigos, adeus
Portões de Esparta:
tentáculos da Hidra
partam meu escudo,
harpias devorem-me enquanto parto
para que eu não use
a vergonha por cavalo

Ares, deus da cidade
Envie Nêmesis, envie
retaliação
Ares deus da guerra Ares
deus do caos abrangente
mova sua estátua, venha
até o pó venha
punir minha blasfêmia,
emudecer com seu grito

 bestial a minha fruição de paz

Sammis Reachers

domingo, 13 de julho de 2014

Pew, o Cego


Pew, o Cego

Jason Mason Midlesbrought Litton III
ou IV
às 05 h da manhã
está de pé, prestes a sair
para seu trabalho,
porteiro
No Castelo de Windsor
onde religiosamente serve
à Família Real Inglesa
de tão nobres varões assinalados.

Antes, como desde
seus zero anos
olha os retratos de sua família
quatro gerações
quatro honradas gerações
de serviços prestados
à valerosa Família Real,
salve-a Deus.

O primeiro retrato honra
Seu tataravô Eduard
morto na 1ª Guerra dos Bôeres.
Tombou como tombam os heróis da Pérfida Álbion;
foi empalado
e depois esquartejado e lançado às hienas.
Logo após temos Mathias Someller,
tio-bisavô distante, colono e soldado do Império,
morto na 2ª Guerra contra os Bôeres,
aqueles imundos cães neerlandeses.

Sucede-o no rol seu avô Jason Litton I, alfaiate
do Conde de Halifax, Deus o tenha!,
morto na Grande Guerra
junto com três de seus irmãos;
quatro heróis caídos ao naufragar
o navio de batatas que os levaria à batalha.

Deus salve a Rainha,
ele vê a foto de sua terna tia May,
enfermeira,
flor primacial entre os patriotas,
múltiplas X estuprada & morta
na queda de Cingapura
para os japoneses
durante a Segunda Grande Guerra

E mais uma vez, como diariamente,
pontualmente
britanicamente
desde
seus 08 anos
lágrimas descem de seus
olhos piscianos
ou bovinos
séculos e séculos de bons serviços prestados
à Casa Real,
aos Eleitos de Deus
séculos tombando sobre séculos
de serventia

e em silêncio
Pew canta e recanta
o seu trecho preferido
do hino Rule, Britannia!,
a mais magnânima e perfeita
de todas as canções jamais gestadas:

“Governe, Britania! Governe os mares:
Os britânicos nunca serão escravos.” **

Sammis Reachers 
Do livro Pulsátil

*Blind Pew, pirata, personagem de Stevenson em A Ilha do Tesouro, referido alguma vez em Borges. De comum com o Pew de Stevenson-Borges, este Pew aqui só tem a cegueira (neste caso, não física, mas de alma, se as hienas possuem-na) e o nome, nome que aqui homenageia dois mestres totais da arte de contar. Um deles decerto odiaria este poema odioso: Borges nutria o obscuro sonho de ter nascido inglês.

** "Rule, Britannia! rule the waves:

"Britons never will be slaves."

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Feria de San Fermín





É terrível a sombra de toiros negros
a rolar pelas paredes um rumor como o chão em pânico  
é terrível
como se tremessem as janelas das casas hirtas
e o medo nas vozes tremesse é terrível
a tarde incendiada por laços vermelhos
no pescoço ao vento que os toiros negros deixam
ao passar é terrível cada corpo a cingir-se contra as paredes
é terrível as costelas a baterem umas nas outras
castanholas partidas é terrível
com a respiração do toiro sobre o corpo.

10-07-2014

© João Tomaz Parreira
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