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quarta-feira, 9 de abril de 2014

MANHÃ DE DEUS, poema de J.G. de Araujo Jorge


 MANHÃ DE DEUS

(Passeio pelas matas Friburguenses)

Por estas densas matas, povoadas
de silêncios e sombras, de mistérios,
de águas livres e puras, sussurrantes,
ainda há um ar de Criação... de Paraíso.

Por estes chãos sem trilhas, entre réstias
de sol pintando em luz a tela úmida,
entre águas, tinhorões, pedras e líquens
as pegadas de Deus ainda estão frescas.

Deus passou por aqui, talvez há pouco:
sua sombra ainda envolve estes silêncios,
sua luz, põe vitrais pelas folhagens,
sua voz ainda escorre nestas águas.

Sua presença se percebe ainda
nesse ar inicial, solene e intenso,
nesse ar de antemanhã, quase alvorada,
antes da vida despertar, da luz.

Sua presença se percebe ainda
Em rumores difusos, em sussurros,
que dão palpitação à terra e à mata
antes dos cantos, do rufar das asas.

As pegadas de Deus ainda estão frescas
seu hálito ainda embaça a terra e o espaço,
e para os animais e as águas livres
o homem, parece, ainda não foi criado.

  (  J. G.  de Araujo Jorge   in
    "Canto à Friburgo"   - 1961 )

domingo, 30 de março de 2014

O Encenador



No princípio ouviu o seu próprio silêncio.
Não havia terra nem estrelas onde pousar a sua luz.
A sala estava vazia, não havia Rosa dos Ventos
para espalhar o seu olhar, as suas mãos
de fazedor eram a voz

E disse “Haja luz”, e tudo
começou a ser jovem, as palavras, as aves e os rios,
a juventude das fontes trazia as águas novas,
a claridade dos sons,
das ervas e das árvores,
a ascensão das flores do chão.

Sentado no palco na sua eterna sarça
olhava a multiplicação do respirar dos homens.

Agora o tempo atravessava a noite
e o dia, que vinha do sol para aquecer os rostos.
E viu Deus tudo e disse que era bom.

30-03-2014

© João Tomaz Parreira



sexta-feira, 28 de março de 2014

Chuva Sobre a Tua Semente, poema de Jorge Medauar


 Chuva Sobre a Tua Semente 

Jorge Medauar
                                                          
Então darei a chuva da vossa terra ao seu tempo...
(Deuteronômio, l , 14)

E verás que a tua semente,
a mais menor, a mais pequena,
aquela que supunhas perdida,
estiolada entre as pedras,
em fortes raízes penetrará a terra mãe,
e transformará tua desesperança,
arrebentada em frutos sazonados.

Não será mistério, irmão do campo,
não será milagre, camponesa amiga.

Corre os olhos secos pelos céus,
apura o ouvido.

Te digo que não são roncos de avião,
nem são ribombos de canhões.

E este assobio que vem nos ventos,
não são sibilos de fuzil.

É a grande chuva que vem de longe,
no bojo plúmbeo da tormenta.

Não será mistério,
não será milagre.

Já te vejo suando o teu cavalo,
galopando feliz pelas pastagens.
Vejo o teu gado sobre os campos,
ouço o mugido dos tens bois.

Prepara a tua voz, irmão do campo,
Prepara a tua voz
para um apoio novo.

quinta-feira, 6 de março de 2014

CONCLUSÃO

“É tempo de concluir; já tudo foi dito.”
Eclesiastes 12.4

De tudo isto a conclusão é: o sol brilha
e não deixa vivalma isenta de meio-dia
a noite consome-nos quando faz assobiar os gonzos
por trás de nós, por trás da memória

a areia devora-nos o rosto, é uma mó
que de tanto moer grão seco quebrou

o coração dissolve-se no vento
sem saber o que o leva às alturas
sem saber se há alturas ou apenas vertigem

de tudo isto, dos velhos que são fortes
curvados, do deserto em que não entrámos
que perdemos na ilusão de ser mar mas que entra
por nós dentro, e nos traga as mãos
ao tanto escorrer

de tudo isto a conclusão
é afinal irrefragável:
teme ao Senhor ama os preceitos dum Pai
a eternidade que são
todas as horas da tua vida de homem,
esta é a tua condição, esta é a tua conclusão

Rui Miguel Duarte
06/03/14

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

O ÚLTIMO CÁLICE

até amanhã
já me basta o vinho de hoje
o mal de cada dia que vem a nós

só o vinho o novo e o velho
de cada hora

até amanhã 
quando às estrelas
forem cortados os ventres das uvas

até amanhã
lá no meu Reino
lembrai-vos de mim

Rui Miguel Duarte
18/02/14

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

POEMAS DA GUERRA DE INVERNO: Segunda edição impressa, revista e acrescida com novos poemas



Publicado em formato de livro eletrônico em meados de 2012, a primeira edição deste livro já surgiu com duas ausências, um poema (Thor Odinson) que havia ficado perdido e inacabado na pasta de rascunhos de meu celular, e o pequeno Batalha de Guadalcanal (publicado posteriormente em meu livro DEUS AMANHECER).
Somados a outros poemas escritos no período imediatamente posterior à primeira edição, poemas de fundo marcial, viciados pelo mesmo élan existencialista dos demais, me pareceu oportuno publicar esta segunda edição revista e acrescida, acatando sugestão que primeiramente partiu de meu amigo poeta, Francisco Carlos Machado. E agora, na forma de livro impresso.
Os novos poemas enxertados no corpus desta dor: Thor Odinson, Batalha de Guadalcanal, Enterrem meu coração na curva do rio, A Morte do Berserker; três poemas de um pequeno ciclo ulisseano, Odisseu: Aproximações, Hino Combatente e Bloomsday Confraria (todos já publicados em blogs e redes sociais); E ainda os textos inéditos: Grande Guerra Patriótica – Poslúdio: A Morte do Camarada Arkhady, Legio Patria Nostra e Carta do Pracinha Dirceu para a jovem Marília.
O poema Sobre a Fênix Assassinada, que faz uso de cores em sua expressão, originalmente fechava a seção Omnia Funera, mas aqui precisou ser realocado para a contracapa do livro, pois seria impraticável publicá-lo em cores, no miolo do volume.
Falei do livro DEUS AMANHECER. Agora ocorreu-me algo: se aquele é um livro sobre a Vida, este seria um livro sobre a Morte? Faltar-me-ia então o mais difícil, um livro sobre a Interseção. Mas talvez a interseção entre Vida e Morte inexista...
No mais, que posso acrescentar? Eis a Guerra, fêmea sem vulva, eis a hecatombe humana e eis a angústia primal & matricial.

O livro está à venda no site do Clube de Autores, AQUI.





domingo, 10 de novembro de 2013

VIA SACRA

“                      …… Só vou por onde

Me levam meus próprios passos
José Régio, “Cântico Negro”


Há um caminho por onde vou
e um caminho por onde não vou

pelos olhos doces da legião
pela inquietação segura dos amigos
que tentam dizer que vá por aí
não vou, por aí não vou

um rito sobre as pedras,
o meu caminho é aquele
em que os pés marcham descalços
e se sujam, bastante tendo por fardo
a penumbra dos homens
o caminho em que o pó é feito de arestas

por aqui me levam os meus passos,
quanto mais indecisos mais firmes,
pelo húmus lamacento é que se alevanta
o firmamento

Rui Miguel Duarte
11/11/2013


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

À TARDE


“La pena de la tarde estremece a mi pena”
Federico García Lorca, “Meditaciones bajo la lluvia”

à tarde mesmo ao fim
a voz procurava o alívio
da pena sobre o tremor da pena

as árvores em que a sombra nasce,
a voz, mesmo
no fim do jardim
da tarde que estremece
no gume, há a pena
à qual tudo foi destinado
estremecem os olhos os ouvidos
a pele da testa lavrada do peso do sangue
que levanta pérolas no cálice,
o cálice bebido na oração redita

nessa angústia
da impossibilidade do salmo
que afague como pena
a dor da angústia do mundo todo

no jardim do Getsémani
o Filho do Homem
é uma ave de penas soltas


Rui Miguel Duarte
08/08/13


sexta-feira, 26 de julho de 2013

DONDE VEM

DONDE VEM 

os anjos bem anseiam perscrutar 
e os profetas nos indícios notificados 
pelo vento até mesmo os poetas ao rasgarem
na matéria pétrea o veio 
da extracção da palavra bruta

ninguém sabe, ninguém percebe 
donde vem de que ponto cardeal,
a não ser as almas simples
as que se encantam dos cantos dos pastores
dos olhos claros das crianças,
ninguém de que lado do monte desce
o orvalho

e é o orvalho que importa
e nos limpa a sede

Rui Miguel Duarte
22/07/13

segunda-feira, 1 de julho de 2013

MODO DE VER ALGUMAS COISAS



“A máquina de escrever é sagrada/ o poema é sagrado”
Allen Gisnsberg


O naipe de instrumentos do Salmo 150 é sagrado
A distância que vai da minha alma
ao céu é sagrada, O pó da terra
que David levantou diante da Arca a dançar
é sagrado, A dança é sagrada
Os cordeiros que deram os seus últimos
balidos no Egipto são sagrados
As águas do Jordão são sagradas, O mar
da Galileia que suportou o peso do Eterno
é sagrado, tudo o que foi criado
todas as formas da criação são sagradas
até as portas da morte
do Salmo nove são sagradas.

1/7/2013
© João Tomaz Parreira

domingo, 16 de junho de 2013

DEUS AMANHECER, novo livro de Sammis Reachers para download gratuito


Amigos, já está disponível para leitura online ou download gratuito, a versão eletrônica de meu novo livro, DEUS AMANHECER.

As 127 páginas deste livro reúnem uma seleção de textos escritos desde minha conversão, em 2005, até aqui. São diversos textos inéditos, somados a outros publicados apenas em blogs e redes sociais, e que configuram o corpo principal deste Deus Amanhecer, acrescidos de uma antologia poética, com textos selecionados de meus quatro livros anteriores (livros que circularam apenas como e-books): Uma Abertura na Noite (2006), A Blindagem Azul (2007) CONTÉM: ARMAS PESADAS (2012) e Poemas da Guerra de Inverno (2012), além de poemas publicados na Antologia Águas Vivas I (2009). 

O livro conta com prefácio do querido poeta lusitano João Tomaz Parreira.

Para leitura online ou download pelo Scribd, CLIQUE AQUI.
Para download pelo 4Shared, CLIQUE AQUI.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Da Centúria perdida do (falso) profeta Nostradamus


Da Centúria perdida do (falso) profeta Nostradamus

Há uma espada desembainhada sobre a cabeça de Jonas,
mas a espada não cai, Dâmocles não morre;
Menelau segue mil vezes apunhalado, Esparta é o pó.
Há uma Esparta no meio do oceano Índico,

A base naval-militar-americana-imperial
em Diego Garcia; a filhinha de um dos generais
é o Antiterno, é o Anticristo,
hermosa hermafrodita criada com zelo.

O diabo ele tem doze anos e seios
que despontam, rubicundos e tesos.
Mulher que será homem,
ruivo antideus de pó.


Sammis Reachers

domingo, 19 de maio de 2013

PENTECOSTES

que esperássemos
na escadaria dos céus
por uma ave que nos abraçasse
de poder, em tua honra
fomos queimando incenso
de brilho tenso escorreito
ao teu olfacto
queimámos, e tu trasladaste
o teu brilho em línguas escorreitas
ao sonho e à visão


entretanto fomos traduzidos
no rumor de um vento
surdo como um terramoto
e as nossas cabeças feitas pequemos sóis
a esperança foi contada
em inúmeras línguas
as línguas em que os anjos
compõem sonhos e visões aos homens


19/05/13

Rui Miguel Duarte

terça-feira, 2 de abril de 2013

Oito poetas evangélicos reunidos num livro gratuito - Antologia Águas Vivas Volume 3



O Projeto Águas Vivas teve início em 2009. Ele nasceu com a ideia de divulgar a boa produção de poetas evangélicos contemporâneos, do Brasil e de Portugal, estreitando os laços entre autores e leitores, através da democratização do conhecimento que o livro eletrônico e gratuito proporciona. E ainda incentivar a produção, a um tempo insuflando conteúdo e ampliando o espaço de publicação, tão escasso na seara literária evangélica, notadamente em sua vertente dedicada à ars poetica.

Uma das estratégias aqui adotadas é consorciar a participação de autores já de alguma maneira consagrados, ao lado de iniciantes que representam desde já boas promessas literárias. E mais que uma antologia de poesia evangélica, esta é uma antologia de poetas, pois, embora a poesia francamente cristã seja o carro chefe desta seleta, damos destaque também a textos de temática diversa, conforme a livre expressão dos autores.


No segundo volume, que veio a lume em 2011, estão antologiados os poetas: Antonio CosttaFlorbela Ribeiro,Fabiano MedeirosFlávio AméricoJorge PinheiroNorma Penido e Rui Miguel Duarte.

E agora, dando voz e continuidade à doce fruição de águas vivas que é a poesia, reunimos a literatura de oito autores: os brasileiros Francisco Carlos MachadoGeorge Gonsalves,Heloísa ZachelloJohn Lennon da SilvaJulia LemosSilvino Netto e Sol Andreazza, e o lusitano Manuel Adriano Rodrigues.

Que os versos de nossos irmãos, irmãos esses oriundos das mais diversas cores denominacionais do Protestantismo, e usuários de variados estilos de escrita, possam tocar as cordas do coração de cada leitor, entoando juntos a música (a um só tempo) devocional/sentimental/intelectual/estética, que, dentre todas as ditas Nove Artes, só a Poesia pode orquestrar.

Para leitura online ou download no site Scribd, CLIQUE AQUI.
Para download pelo site 4Shared, CLIQUE AQUI.

*Caso tenha dificuldades em fazer o download, por favor, solicite-me o envio por e-mail: sammisreachers@ig.com.br

**Você pode redistribuir (sempre gratuitamente) este e-book entre seus amigos e contatos, bem como reproduzir este post em seu site, blog ou outra mídia, sem necessidade de prévia autorização.


Sammis Reachers, organizador.

domingo, 31 de março de 2013

CELEBRAÇÃO


“Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes”

Mário de Sá-Carneiro, “Fim”

Quando morri batestes em latas
fizestes do meu corpo o tambor das vossas festas
rompestes em pinotes na seda de acrobatas

ocultastes-me nas costas de uma pedra
ajaezado numa câmara escura 
na ausência de um fandango
descurado na concha de um frio chão 

Quando nasci de novo bebestes
um brinde de celebração

Quando nasci de novo foi só
uma nova manhã para palpitar 
o encontro dos cálices do coração

no sol o rosto lavastes, ao céu quente
aprendestes a nova canção que os astros 
de há muito sussurravam
as estrelas cadentes 
eram os alegros esparsos

dessa composição por tecer 

Rui Miguel Duarte
31/03/2013

domingo, 24 de fevereiro de 2013

THE MYTH THAT CAME TRUE


                                                A C. S. Lewis

desde a primeira tarde do primeiro dia
da primeira hora irrompeu o som cavo
de histórias antigas, já antigas
quando foram contadas

pela voz do pregoeiro o raio de sol
trazia cores de um novo dia o rasto
de um novo século, o altar falava
em nome de um Cordeiro de carne e sangue

o papel em que o mito foi inscrito
era a folha que declarava
que depois da pedra o ramo daria o fruto

Rui Miguel Duarte
24/02/13

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

SALMO 2(01)3

Há sempre palavras
rápidas pássaros rubros
no dorso da lã que nos dizem
nos intervalos da passagem de ano
no transbordo para águas
à beira do descanso

que o Senhor nosso pastor
baixa atrás de nós a vara
e diante de nós o seu cajado
palavras que rasgam
aquém do limiar prados verdejantes
que os nossos passos banham para além

palavras de duas caras, uma que se fecha
outra que se abre sempre fresca
e opulenta de vinho azeite e mel

Rui Miguel Duarte
1/01/13

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

COMO PROCURAR UM LIVRO NAS ESTANTES



Procuro Deus, como procuro
um livro na estante, as evidências

o alto volume
que pode estar em todos os lugares
procuro-O pelas cores do arco-íris
da capa, entre centenas de outras
letras que recorda a retina fatigada
sei que O tenho, que existe
por isso nada me falta.

01/01/2013

© J.T.Parreira

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

OS PASTORES DE BELÉM


“…Vamos beijar os pés nus
do que semeia nos céus …
Gomes Leal, “Os Pastores”

traziam cajados e liras afiadas
nos fins de tarde
conheciam a música as rugas do campo
conheciam como o sol e as estrelas
se sucediam nas horas
e faziam sombra nos cajados
esta era a música que dedilhavam:
o som branco
tinindo na lã

na voz dos anjos uma canção nova,
um salmo ao que semeia nos céus
e cujos pés nus
acabaram de ser
colhidos da terra

Rui Miguel Duarte
27/12/12

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

FALTAVA UMA LÍNGUA




Faltava uma Língua para vestir a harpa
o Salmo
encurtava a distância do Céu
trazia até nós traduções
dos silêncios divinos
fechando em si o coração do salmista
Faltavam palavras, que chegaram
para vestir
de aves a memória de Davi.

12/12/12

© J.T.Parreira
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