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domingo, 22 de julho de 2012

Poemas da Guerra de Inverno novo livro de Sammis Reachers



Desde a minha mais tenra infância, a Segunda Guerra Mundial foi o evento histórico que mais me fascinou e, como tal, eu lia e via tudo a respeito. Há algum tempo, tomei a resolução de elaborar uma pequenina antologia de poemas sobre a Segunda Guerra, da lavra de significativos poetas de todo o globo, com a condição de terem sido contemporâneos ao conflito. Ainda que trabalhos correlatos existam em inglês, não são nem um pouco comuns em nosso idioma, e minha ideia é sempre, para usar uma expressão tão marcial, franquear tudo gratuitamente na internet, publicando em formato de e-book.

Ideia puxa ideia, e acabei escrevendo, há algum tempo, uma série de três poemas sobre a Segunda Guerra (A Neve/O Trigo /A Náusea). Pretendia publicá-los com notas explicativas (necessárias para aqueles que desconhecem detalhes do conflito, para facultar a plena compreensão dos fatos citados nos textos) em algum blog. E por fim, pensando em tais notas, me veio a ideia de escrever mais alguns textos assim, ambientados seja na 2° Guerra, seja também em outras guerras ou regiões/períodos conflagrados. E numa mesma semana vieram uns 7 ou 8 poemas... E assim foram emergindo. Somando-se a alguns outros, mais antigos, mas de temática ou roupagem de fundo bélica, eis aqui formado este estranho libreto de poesias tristes...

Os poemas aqui reunidos foram escritos sob a égide existencialista, à sombra ou estranha luz de uma profunda percepção da Queda, e a angústia inolvidável que a condição humana (angústia que numa guerra é holisticamente potencializada ao seu nível máximo – e eis daí meu interesse na guerra máxima) influi em cada uma de suas partes, cada um de nós. Tudo é vaidade, diz o Eclesiastes, tudo é dor, diz Schopenhauer: Cristo é Tudo por ser a única coisa anti-dor que jamais existiu em nossa Realidade pós-Queda - do Absurdo o escape, Porta e Única Porta para devolver ao homem/Universo o estado de Graça primordial.

O pano de fundo aqui, como dito, é a Guerra, diluída narrativamente em diversas (no tempo e no espaço) guerras já travadas; a grande maioria dos poemas fala na primeira pessoa, e a persona é o soldado, ou melhor, o soldado-vítima, pois o que combate em meio a tanta dor, retroalimentando-a, é ele próprio as primícias das vítimas do caos. Um dos títulos para esta pequena série de poemas seria mesmo Poemas de Soldados Mortos, mas declinei, pois nem todos conseguem aqui escapar pela morte. Datas e locais foram afixados na maioria dos poemas; mas fora os três primeiros textos que abrem o livro, evitei estender-me em notas explicativas sobre os demais. Sei que seriam necessárias. Mas afinal este é um livro eletrônico, e tem-se sempre ao alcance dos dedos a Wikipédia, e tudo o mais que o Google pode oferecer.

Dividi o livro em duas partes, Omnia Funera (‘Todas as Mortes’), com os poemas ambientados na Segunda Guerra; e Omnia Fragmenta (‘Todos os Fragmentos’), com os demais textos. Nestes, estamos num momento encurralados em Diu, a fortaleza portuguesa encravada durante séculos na Índia; somos em seguida um samurai ferido numa fortaleza em chamas do Japão feudal, absorto entre ser ou não ser; caímos numa estrebaria imunda na imunda Guerra do Paraguai, ou escapamos do Vietnã durante a Queda de Saigon (ou a Libertação, pois como qualquer poema, depende tudo do coração de quem lê); somos um cão humano marchando para a corte de Luís XVI, ou um soldado solitário de Esparta a profetizar sobre coisas que desconhece... 

Leia o livro online, clicando AQUI.

Para baixar o livro em formato PDF, clique AQUI.


sexta-feira, 13 de julho de 2012

Extensão dos Lábios, novo livro de Rui Miguel Duarte


Depois de Muta uox e Subida (ambos de 2011), eis que o poeta evangélico lusitano Rui Miguel Duarte acaba de nos brindar com seu novo livro, Extensão dos Lábios, agora em formato de e-book, franqueando aos leitores a leitura online ou o download gratuito do mesmo. 

A riqueza imagética e reflexiva da poesia de Rui, sua habilidade de transitar com leveza das temáticas cristãs às clássicas, passando pela poesia do cotidiano, somadas ao seu perfeito domínio das linguagens vernacular epoiética, estão aqui regiamente representadas, nas 67 páginas deste livro, que tivemos o prazer de editar.

Como diz o poeta J.T.Parreira no prefácio da obra, "A extensão dos lábios é, de um modo simbólico – neste novo livro de Rui Miguel Duarte - uma disposição para abarcar vários referentes, para falar várias linguagens poéticas. Com efeito, a linguagem poética do autor, estende-se a diversos territórios, cujos registos narrativos da sua poesia podem tanger vários continentes."

Você pode baixar o e-book clicando AQUI.

E para ler o livro online, basta clicar AQUI.

sábado, 26 de maio de 2012

FALANDO ENTRE VÓS COM SALMOS - Novo livro de J.T.Parreira



“FALANDO ENTRE VÓS COM SALMOS”

O mote para este trabalho poético-literário sobre os Salmos, foi-me dado por essa recomendação paulina aos crentes da Igreja em Éfeso, que lemos na Epístola 5, 19.
Partindo do estilo interno tradicional dos Salmos, usando um discurso poético contemporâneo, sem perda do lirismo e da linguagem que devem compor uma peça literária como um salmo, procuro num acto de pura poiética construir um poema-salmo. O alvo é tentar re-escrever do ponto de vista estético do poeta,  a valia espiritual de uma substantiva parte do saltério.

Assim, este primeiro volume , dedica-se a 25 cânticos davídicos, de 1 a 25; e o 2º volume, ainda em processo de escrita, tratará dos cânticos suplicantes, que englobará alguns salmos entre  o 44 a 106.

O Autor


Para baixar o livro, CLIQUE AQUI.
Para ler online, CLIQUE AQUI.


Quatro dos Salmos:



SALMO 4

A alegria de Deus
não é a alegria dos trigos abundantes
nem das uvas cheias de vinho
é muito mais
alimenta o sangue que entra e sai
no nosso coração
Todos os que buscam o que é falso
desconhecem esta verdade
e por isso a insônia
não lhes desce as pálpebras.


SALMO 8

Quando a terra deixar de girar
em torno do eixo que Tu, ó Deus
manténs ainda vertical, e o universo
deixar de ser uma seara infinita de fogos
controlados, então os homens
saberão como tem sido magnífico
o Teu nome! Como a tua majestade
é mais alta do que os céus!


SALMO 12

Os ímpios gerem os seus próprios lábios
cada palavra parece ser uma vitória
não sabem que em cada palavra
contra Ti, Senhor, se esconde
uma fissão do átomo.
Mas as Tuas mãos, ó Deus, ainda são
as almofadas do abrigo dos pobres.



SALMO 14

Os insensatos trazem à sua boca
o que não entendem e dizem
“Não há Deus”, os seus corações
são um poço de vento
Senhor, tu olhas desde o teu inefável
lugar para a humanidade
caixeiros-viajantes que vendem
a si próprios a morte
enquanto tu olhas como se o universo
todo fosse um vidro
através do qual teus olhos buscam
sem encontrar um sábio
e tocam
em alguém sozinho a precisar de abrigo.


domingo, 22 de abril de 2012

Quando eu era menino lia o Salmo oitavo - Novo livro de J.T.Parreira para download


A poesia de J.T.Parreira é poesia maior. É poesia que, ao ser lida, inevitavelmente produz a libertadora (e infelizmente rara) sensação de uma lufada de ar que nos eleva e, de roldão, transmigra-nos de nosso dia-a-dia corrido e muitas vezes repleto de sensaboria, para a dimensão poiética, de enlevo, fascinação e gozo auferidos pelas palavras  ao serem laboriosamente re-alinhadas para que ofereçam o seu melhor.

Nesses 29 poemas, escritos entre fins de 2011 e início de 2012, o vate português dá provas de seu dom de ampliar, ou melhor dito, alar as palavras, trabalhando os temas bíblicos, reafirmando poeticamente sua transcendência divina, ao re-capturar e re-vestir o que eu chamaria de seu élan  (ímpeto, vigor) devocional, como no poema que inspira o título do livro (O Salmo VIII), ou neste Pró Salmo 121:

Elevo os meus olhos para os montes
e há um monte deles
mesmo em frente,  quando caminho
no cimo dos montes as Tuas mãos
fazem o resguardo do abismo
a minha fadiga é soletrada nas palavras
com que peço socorro, o meu olhar
por isso se alonga, outras vezes
vou mais depressa
pareço um adolescente a distender as pernas
e corro sem temer o sol
nem os mistérios da lua.
Sou tão pouco perante os montes
mas eles ficam para trás e não são
mais do que poeira amontoada.

Como editor, me regozijo em oferecer aos leitores mais este volume, pequenina cornucópia de pérolas - a serem degustadas com os olhos da alma. E singela amostragem do melhor da poesia evangélica produzida atualmente em nossa língua.

Sammis Reachers

Para baixar o livro, clique AQUI.
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

ANTOLOGIA DE POETAS GREGOS E LATINOS, um pequeno e-book para download


No Portal da USP (Universidade de São Paulo), é possível encontrar um pequeno mas muito oportuno e-book em pdf: ANTOLOGIA DE POETAS GREGOS E LATINOS (MONÓDICA E CORAL, JÂMBICA, POLÍMETRA E ELEGÍACA).O volume, organizado por Paulo Martins, "visa  a  atender às necessidades do curso de “Literatura Latina: Lírica”, inserido dentro da grade curricular obrigatória da habilitação em Latim e oferecida como disciplina optativa às demais habilitações do curso de Letras assim como aos demais cursos da USP." Traz traduções de, dentre outros, poemas dos gregos Píndaro e Calímaco, e de latinos como Catulo e Horácio.


Para baixar esta obra, CLIQUE AQUI.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

CONTÉM: ARMAS PESADAS - Ode à alteridade - Novo livro de poesia de Sammis Reachers


CONTÉM: ARMAS PESADAS
Ode à alteridade

Apresento a vocês meu mais novo livro, um deveras estranho livro de poesia.
Mas de que se trata, com título e subtítulo já tão (ou tão pouco) sutis? Esta é uma história de ação? Sim, um talvezépico sujo. Pois há muito de triller cinematográfico aqui, nesta ficção poética, belicosa história de amor, de perdições e redenções. O discurso poético praticado é experimental: fragmentário, interativo. É um livro para ser lido online, um exercício amplo de hipertexto ou hiperliteratura, um livro que entre as interatividades propostas chega a possuir capítulos secretos (como fases bônus num jogo de videogame). Mas quanto ao teor e o conteúdo total dos experimentalismos, você precisará ler o texto para descobrir. E há muito a ser descoberto.
Cada capítulo/poema é precedido por uma fotografia também de minha autoria, num planeamento gráfico objetivando simbioticamente se integrar e promover (antecipando/amplificando, e mesmo desconstruindo) os subclimas que irrompem aqui e ali no texto, com suas pitadas embaralhadas de noir, (pós?)romântico, romanesco, épico, etc.
O texto pode, pela rudeza e estranheza (a alteridade mesma) do discurso, espantar algum meu irmão na fé acostumado à poesia dita cristã, devocional, embora a mensagem de redenção (ou melhor, de redenções) seja o mote central do poema.
Antes de minha conversão, o experimentalismo era a principal linha poética que eu perseguia, quando editava o fanzine Cardio-Poesia, onde praticava experimentalismos tipográficos e artesanais, como rasuras, colagens, etc., no que muitas vezes era quase um ‘fanzine-objeto’.
Este texto é um (febril, escrito/fotografado/editado em dois meses) exercício, anos e anos depois, de retomar aquela velha veia experimental.

Leia, indique, compartilhe em seus círculos, redes sociais. E me diga o que achou, escreva para esclarecer alguma dúvida. Estou aqui.
O livro possui 43 páginas, em pdf.

Para baixar o livro, CLIQUE AQUI.
Leia online no Scribd AQUI.

domingo, 22 de janeiro de 2012

ALGUNS LIVROS ESSENCIAIS PARA A POESIA


DAILOR VARELA
Durante vários séculos a poesia era uma questão de rimas, métricas e desvairadas e românticas inspirações. Até que poetas como Mallarmé, Maiakovski, Pound desmistificam a natureza inspiradora da poesia.
Insistiram que a matéria prima da poesia era a Linguagem. “Sem forma revolucionária não há arte revolucionária” disse Maiakovski.
Sua sábia conclusão foi uma espécie de bússola para todos os movimentos de vanguarda poética que surgiram após a inquietação e criatividade de Maiakovski, sem duvida o ícone dos “Signos em Rotação” das vanguardas. A partir daí vários livros essenciais foram escritos sobre a poesia e suas “oficinas” de Linguagem.
O próprio Maiakovski escreveu “Como fazer versos?” Outros livros essenciais:
“A dignidade da poesia” de José Lezama Lima. O autor cubano, uma das maiores autoridades no Neo- Barroco na Literatura Latino Americana reuniu neste livro uma série de estudos sobre Rimbaud, Mallarmé. Navega com extrema lucidez sobre temas como “do aproveitamento poético”, “as imagens possíveis”, “a dignidade da poesia” além de um longo estudo sobre Vallery. Outro livro essencial é “A poética da Agoracidade” de Sonia Guedes do Nascimento.
É resultado de uma tese de mestrado do programa de pós-graduação da PUC de São Paulo apresentada em novembro de 1990. Indispensável é também “A arte da Poesia” de Pound onde ele diz que “obviamente não é fácil ser um grande poeta”.
Os textos críticos dos concretistas Augusto de Campos, Décio Pignatari e Haroldo de Campos escritos de 1950 a 1960 resultaram no livro “Teoria da Poesia Concreta”, imperdível navegação para quem pretende atravessar o mar da poesia.
O poeta processo Álvaro de Sá escreveu em 1977 “Vanguarda, Produto de Comunicação” que é um estudo profundamente lúcido sobre o poema processo e suas vertentes.
O poeta T.S.Eliot escreveu “De poesia e poetas” e “A essência da poesia”  que o poeta Ivan Junqueira define muito bem como “uma mostra luminosa da monumental erudição de um dos grandes poetas, dramaturgos e críticos do século”.
A bibliografia em torno da arte poética tem livros indispensáveis como “Arte e Palavra” , resultado de um Fórum de Ciência e Cultura realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro que aconteceu na década de 80. No livro uma frase do músico de vanguarda John Cage: “poesia não é ter nada a dizer e dizer: não possuímos nada”.
Antes de rabiscar enluarados poemas, ler estes livros citados e outros sobre arte poética é certamente uma lição obrigatória para quem pretende ser POETA.

Pensamentos sobre Leitura


Por Al Mohler (Editora Fiel)

Eu realmente não me recordo de um tempo em que eu não apreciasse ler livros. Sei que eu era ávido para aprender a ler e rapidamente me vi imerso no mundo dos livros e da literatura. Isso pode ter sido um tipo de sedução, e o discípulo cristão deve estar sempre alerta para conduzir seus olhos para livros que merecem a atenção de um discípulo de Cristo – e existem muitos desses livros.

Como Salomão nos exortou: “Não há limite para fazer livros” (Ec 12.12). É impossível ler tudo o que existe, e nem tudo o que existe merece ser lido. Digo isso com o objetivo de me opor ao conceito de que qualquer pessoa, em qualquer lugar, pode dominar o conteúdo de tudo quanto lê. Eu leio muito, e boa parte do tempo em que estou acordado é dedicado à leitura. A leitura devocional para o benefício espiritual é uma parte importante do dia, e ela começa com a leitura das Escrituras. Em se tratando de administração do tempo, não sou muito ortodoxo. Para mim, a melhor hora para gastar tempo na Palavra é tarde da noite, quando tudo está quieto e tranqüilo, e estou com a mente alerta e bem acordado. Isso não acontece quando levanto pela manhã e tenho que me esforçar para encontrar cada palavra na página ou fazer qualquer outra coisa.

Eu leio muitos livros no decorrer de uma semana. Sou consciente do quanto posso prosperar em erudição e do estímulo intelectual que recebo através da leitura. Como minha esposa e família diria, posso ler quase em todo o tempo, em qualquer lugar, em quaisquer circunstâncias. Sempre carrego um livro comigo, e sou conhecido por separar alguns momentos para ler enquanto o semáforo está fechado. Não, eu não leio enquanto estou dirigindo – apesar de admitir que, às vezes, isto é uma tentação. Eu levava livros para os eventos esportivos do ensino médio, quando eu tocava na banda. (E havia uma porção de vaias e gozações!) Lembro-me dos livros...e você, lembra dos jogos?

Algumas Sugestões Inicias:
1. Mantenha projetos regulares de leitura. Organizo minhas estratégias de leitura em seis categorias: teologia, estudos bíblicos, vida na igreja, história, estudos sobre culturas e literatura. Sempre tenho alguns projetos em andamento, em cada uma dessas categorias. Seleciono livros para cada projeto, e os leio de capa a capa em um determinado período de tempo. Isso me ajuda a ter disciplina em minhas leituras e me mantém trabalhando em diversas áreas.

2. Trabalhe com porções maiores das Escrituras. Estou terminando uma série de exposições no livro de Romanos, pregando versículo após versículo. Tenho pregado e ensinado diversos livros da Bíblia nos últimos anos e planejo minhas leituras de modo a continuar progredindo. Estou passando para o livro de Mateus, coletando informações e seguindo em frente – ainda não planejei mensagens específicas, mas estou lendo para absorver o máximo possível de obras valiosas a respeito do primeiro evangelho. Leio constantemente obras de teologia bíblica e estudos exegéticos.

3. Leia todos as obras de alguns autores. Escolha com cuidado, mas identifique alguns autores cujos livros mereçam sua atenção. Leia tudo o que eles escreveram, observe como suas mentes trabalham e como desenvolvem seus pensamentos. Nenhum autor pode completar seus pensamentos em um único livro, não importando o quão extenso seja.

4. Adquira uma coleção grande e leia todos os volumes. Sim, invista nas obras de Martinho Lutero, Jonathan Edwards e outros. Estabeleça um projeto para si mesmo e leia toda a coleção. Gaste tempo nisso. Você ficará surpreso em ver que chegará mais longe do que espera, em menos tempo do que imagina.

5. Permita-se ler algo por entretenimento e aprenda a apreciar a leitura através de livros agradáveis. Gosto de muitas áreas da literatura, mas realmente amo ler biografias e obras históricas, em geral. Além disso, aprecio muito a ficção de qualidade e obras literárias conceituadas. Quando garoto, provavelmente descobri meu amor pela leitura através desse tipo de livro. Sempre que possível, separo algum tempo, a cada dia, para fazer esse tipo de leitura. Viva com um pouco de emoção.

6. Faça anotações em seus livros, sublinhe-os; mostre que são seus livros. Os livros são feitos para serem lidos e usados, e não colecionados e mimados. Abra uma exceção para aqueles livros raros dos antiquários, aqueles que são considerados tesouros por causa de sua antiguidade. Não deixe marcas de caneta em uma página antiga, nem use um marcatexto em um manuscrito. Invente o seu próprio sistema ou copie-o de alguém, mas aprenda a dialogar com o livro, com uma caneta na mão.

Gostaria de escrever mais sobre este assunto, mas preciso continuar minhas leituras. Retornarei a ele mais tarde. Por agora: Tolle, lege!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Da Poesia Épica: Epopéias resgatadas por brasileiros


O livro Avatares da epopéia na poesia brasileira do final do século XX (2009), escrito pelo pernambucano Saulo Neiva, é um salto na direção de resgatar um estilo poético quase em desuso: a EpopéiaEpos, em grego significa recitação, e o gênero epopéia refere-se a uma narrativa em versos longos, eloquentes, solenes, em que o narrador conta os grandes feitos de um indivíduo, ou de um povo, ou mesmo de uma época. As grandes epopéias, as mais conhecidas, eternizaram lendas e mitos, como “Odisséia”, de Homero, ou A Eneida do poeta romano Virgilio, ou mesmo a obra-prima de Dante Alighieri, A Divina Comédia. A temática das epopéias, em geral, é universal e nela se busca a exaltação, a bravura, o humanismo de uma raça ou de uma civilização, expandindo no imaginário do leitor os atos heróicos de um grande personagem ou de uma sociedade, como ocorreu com a mais conhecida das epopéias em língua portuguesa, Os Lusíadas, de Camões.
Saulo Neiva nasceu em Recife, mas foi para a França estudar e pesquisar. É doutor e livre-docente da Universidade de Paris (Sorbonne) e professor da Université Blaise-Pascal, onde dirige a equipe de pesquisa Écritures et Interactions Sociales. Além disso, coordena com Alain Montandon o projeto do “Dictionnaire raisonné de la caducité des genres littéraires” (dicionário da caducidade dos gêneros literários), que brevemente será publicado na Suíça. Em “Avatares da epopéia na poesia brasileira” Neiva estuda o processo de reabilitação da epopéia na poesia brasileira do século XX. O gênero foi considerado por muitos autores do século XIX uma forma poética antiquada, ou ultrapassada, em extinção, visão também partilhada por vários grandes autores dessa época, como Hegel, Edgar Allan Poe, Victor Hugo e José de Alencar.“Com esse trabalho, eu tento mostrar que a poesia épica, que conta grandes histórias ou faz reflexões sobre a humanidade, continua tão viva quanto a poesia lírica”, explica Neiva. Ainda de acordo com o autor, embora a epopéia pareça incompatível com a estética moderna, inúmeros foram os longos poemas narrativos compostos, em diferentes línguas, durante o século XX, sendo que eles possuem “laços estreitos, explícitos e conscientes com a tradição épica ocidental, inclusive na literatura brasileira”.
Continue lendo:
Em entrevista a jornalista Geórgia Alves, especialista em literatura brasileira, para o portal literário Interpoética, Neiva explicou porque no livro escolheu se concentrar nas obras de quatro autores brasileiros específicos (Carlos NejarMarcus AcciolyGerardo de Mello Mourão Haroldo de Campos). “Nesse tipo de trabalho, houve vários critérios que se cruzaram para essa escolha. Tanto os limites cronológicos dos poemas estudados, publicados entre 1977 e 2000, como a tentativa de encontrar vozes oriundas de diferentes regiões e aparentemente díspares… Quando relemos as obras deles, na perspectiva da reabilitação da poesia épica, com as ferramentas que tenho tentado forjar, percebemos o quanto, apesar de tantas diferenças, eles se inscrevem na mesma tendência e, principalmente, percebemos que a leitura dos seus poemas ganha muito, quando é feita nessa perspectiva, sem por isso perder de vista o que é específico a cada obra… Outro critério mais subjetivo é, por exemplo, o valor da obra, a de Marcus Accioly, não é reconhecida como deveria, a de Mello Mourão é negligenciada… os laços de Haroldo de Campos com a poesia épica são uma pista que pode ser ainda mais explorada do que foi até agora. No caso de Nejar, acho que o livro “Um país o coração” merece ser relido, por ter momentos extremamente fortes”.
Neiva tem escrito vários artigos e apresentado conferências sobre o tema na França, em Portugal, no Canadá e no Brasil. Quando escreve, trabalha freneticamente, às vezes acordando as 4h30 da manhã para escrever, deixando a escrita invadir e comandar seu cotidiano. Divide sua vida entre a França e o Brasil, mas não descarta viver em outros lugares. Estudioso, disciplinado, atento e fascinado por seu trabalho, Neiva confessa que tem uma gratidão imensa para com o poeta e ensaísta francês Michel de Montaigne(1533 – 1592), com quem aprendeu a ser fiel às suas intuições intelectuais. “Gosto de abri-lo ao acaso, como as pessoas fazem com o I Ching, e relendo um dos Ensaios, sempre encontro motivos para me encantar e rever as coisas do mundo de outro jeito”
Outra obra que pode nos ajudar a entender o desenvolvimento desse gênero na literatura brasileira é História da Epopéia Brasileira (2007), de Anazildo Vasconcelos da Silva e Christina Bielinski Ramalho(ambos Mestres e Doutores em Letras), que da mesma forma pretendem, a partir do resgate teórico do gênero, realizar uma (re)leitura dos poemas longos do passado e da atualidade, promovendo uma nova compreensão dessas obras no contexto da produção literária brasileira. Entre outras obras, os autores analisam a estrutura épica de O caçador de esmeraldas de Olavo Bilac. Para Anazildo e Christina, além das motivações particulares de cada um de nós em relação ao gênero, é indispensável no âmbito da historiografia literária brasileira ter um olhar mais especifico para as epopéias brasileiras, de forma a resgatar produções jamais reunidas, tratando-as como um “acervo épico” e uma “contemplação antenada com as marcas do épico em tempos de globalização e fragmentação das identidades culturais”.
Para muitos a epopéia teria sido substituída como forma narrativa pelo romance, sendo que a poesia teria se voltado mais ao acento lírico de formas mais breves, se adequando ao gosto dos leitores “modernos”, que desconfiam dos valores épicos tradicionais. Outros, como Saulo Neiva, estimulam a reabilitação do interesse do leitor pelo gênero, propondo novas “tintas”, novos caminhos, certos de que toda transmissão implica necessariamente em transformação, sendo esta última o caminho inevitável para qualquer forma narrativa. Nas palavras do próprio Neiva: “A epopéia, longe de ser incompatível com a condição moderna, revela-se de fato ser uma reação – muito “moderna”, aliás – de rejeição ao prosaísmo ligado a essa mesma condição”.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A literatura brasileira em busca de difusão mundial


Fonte: Yahoo
Historicamente defasada, a difusão da literatura nacional no exterior ganhou um incentivo neste ano, com a reformulação do programa de estímulo à tradução da Fundação Biblioteca Nacional (FBN). Anunciado em julho, durante a nona edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), o novo programa prevê investimentos de R$ 12 milhões até 2020 na edição de obras brasileiras em outros países. Um dos objetivos imediatos do projeto é alavancar a participação do país em grandes eventos internacionais: nos próximos anos, o Brasil será convidado de honra das feiras de Bogotá, em 2012, Frankfurt, em 2013, e Bolonha (maior feira de livros infantis do mundo), em 2014.O primeiro edital do novo programa (com inscrições abertas no site www.bn.br) oferecerá R$ 2,7 milhões para a edição de obras nacionais no exterior até agosto de 2013, dois meses antes da presença do Brasil como país convidado no maior evento editorial do mundo, em Frankfurt.
Articulação entre instituições
Em entrevista ao GLOBO em julho, o presidente da feira, Juergen Boos, elogiou o programa de tradução, mas ressaltou que o sucesso da participação brasileira ainda exige mais articulação entre governo e editoras e intercâmbio com instituições culturais alemãs.
A internacionalização da literatura brasileira foi discutida também na 25 Bienal do Livro do Rio, quando a FBN organizou uma exposição sobre a tradução de clássicos como Guimarães Rosa e Clarice Lispector. Mas o tamanho do desafio foi ilustrado pela informação, divulgada durante o evento pela organização da Feira de Frankfurt, de que as editoras alemãs têm hoje apenas 61 títulos brasileiros em catálogo – 30 deles de Paulo Coelho.
Veja mais alguns destaques do meio editorial em 2011:
BIENAL NO LIMITE: Realizada em setembro, a 25 Bienal do Livro do Rio teve o maior público de sua história, 670 mil visitantes em 11 dias. A feira teve faturamento recorde de R$ 58 milhões (12% a mais que a anterior), mas a confusão e os problemas de infraestrutura nos dias mais movimentados levaram a organização a afirmar que o evento atingiu sua capacidade máxima.
PENGUIN NO BRASIL: Em dezembro, a Companhia das Letras anunciou que a britânica Penguin, com a qual é associada desde 2009, comprou 45% das ações da editora brasileira. O acordo segue uma tendência de participação crescente de grandes grupos editoriais estrangeiros no Brasil: nos últimos anos, aportaram no país as espanholas Planeta e Santillana e as portuguesas Leya e Babel. O impacto da parceria no mercado brasileiro poderá se fazer notar sobretudo nas áreas de e-books e didáticos, dois focos do conglomerado editorial Pearson, dono da Penguin.
RUBENS FIGUEIREDO: Um dos principais tradutores do país, Rubens Figueiredo obteve reconhecimento também como escritor neste ano. Seu romance “Passageiro do fim do dia” (Companhia das Letras) recebeu duas das maiores distinções literárias nacionais: o Prêmio São Paulo de Literatura e o Portugal Telecom. Além disso, Figueiredo publicou em dezembro, pela Cosac Naify, a primeira tradução brasileira feita diretamente do russo de “Guerra e Paz”, de Tolstói.
CECÍLIA MEIRELES: Com reedições paralisadas há anos por uma disputa judicial entre herdeiros, a obra de Cecília Meireles pode voltar às livrarias em 2012. A editora Global anunciou em dezembro a compra de parte do catálogo da poeta – e ainda dos de Manuel Bandeira e Orígenes Lessa. Depois do anúncio, porém, o advogado de uma das filhas de Cecília contestou o acordo e afirmou que a questão não está resolvida nos tribunais.
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